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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

São Francisco e sua forma de vida continuam a ser atuais

São Francisco não é certamente o santo mais popular, mas é com certeza o santo mais universal e atual. De sua universalidade dão testemunho os milhares de seguidores espalhados por todo o mundo, não só na Igreja católica, mas também em outras Igrejas irmãs. São Francisco não é patrimônio exclusivo dos franciscanos ou dos católicos; na realidade, é um santo para todos os homens e mulheres de boa vontade. De sua atualidade falava-nos João Paulo II em sua mensagem ao Capítulo de Pentecostes de 2003: “A atração de São Francisco é muito grande”. 

Com razão foi eleito o homem do II milênio. 
Diante dessa constatação, é lógico que também nós lhe perguntemos: “Por que a ti? Por que a ti?”. Pessoalmente, fiz-me essa pergunta muitas vezes e a resposta que encontro é sempre a mesma: o segredo do fascínio que Francisco continua a despertar após 800 anos está em sua “inatualidade”. Francisco, como todo o profeta, é “inatual”, vai sempre além, antecipa o futuro, não se deixa aprisionar pelo presente. 

É a sorte das sentinelas (cf. Is 21,11-12) e de quem se sente realmente “peregrino e forasteiro neste mundo” (1Pd 2,11; cf. RB 6,2); é a condição do homo viator ou in statu viae, do crente em busca constante, do seguidor de Jesus e de quem, como Francisco, faz do Evangelho sua regra e vida (cf. RB 1,1); é o destino do todo o peregrino que faz sua esta lei: “hospedar-se sob teto alheio, ansiar pela pátria, andar pacificamente”.

O que é presente, passa; mas o Evangelho, como forma de vida, não passa: “Jesus Cristo [evangelho do Pai à humanidade] é o mesmo ontem, hoje e sempre” (Hb 13,8). Como não sai de moda quem, como o Poverello, assume o Evangelho como regra e vida, como exigência de totalidade. 

Desta sua atualidade, ou melhor, “inatualidade”, Francisco nos provoca, chama-nos a viver com radicalidade a mensagem de Jesus, a abrir o ouvido do nosso coração para obedecer à voz do Filho de Deus (cf. Ord 6), e à total dedicação de si e das próprias forças pela causa do Reino. A partir de sua “inatualidade”, Francisco nos convida a deixar-nos tocar pela mão de Cristo, a deixar-nos conduzir por sua voz e a deixar-nos sustentar por sua graça.

Acolheremos estas provocações? Teremos a coragem de deixar-nos tocar por Cristo, de assumir verdadeiramente o Evangelho como regra e vida? Da resposta que dermos a estas perguntas dependerá nossa atualidade, ou melhor, “inatualidade”, dependerá nossa capacidade de sermos significativos e de provocar. 

Estas são algumas certezas das quais partirei para fazer uma análise de nossa vida e missão hoje e algumas propostas para o futuro. Delas proponho que também vocês partam, meu caros Irmãos e Irmãs.

Peçamos ao Senhor que nos dê lucidez para, o mais objetivamente possível, e, ao mesmo tempo, peçamos coragem e audácia evangélicas para fazer propostas que ajudem os Frades a manter viva a chama profética de nossa forma de vida, a graça das origens, de forma a poderem continuar a ser evangelho vivo “para nutrir, mediante a oferta libertadora do Evangelho, nosso mundo dividido, desigual e faminto de sentido, como Francisco e Clara de Assis fizeram no seu tempo”.

Um abraço fraterno,
Paz e Bem a todos.