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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Franciscanos em São Paulo



LARGO SÃO FRANCISCO

O Largo de São Francisco surgiu em 1647, com a inauguração do Convento de São Francisco. Em vez do largo, havia ali o quintal dos franciscanos, com pomar e horta. Em 1828, ao dar lugar à Faculdade de Direito de São Paulo, o local passou a ser conhecido como Largo do Curso Jurídico. O nome atual só “pegou” em meados do século XIX.


Um dos conventos mais antigos da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil e da história do Brasil.

A história deste patrimônio cultural e religioso está muito próximo à história da cidade de São Paulo, que foi fundada no dia 25 de janeiro de 1554 durante a celebração da primeira Missa numa casa de pau-a-pique, coberta de palha, onde hoje está o conhecido Pátio do Colégio.

Uma disputa entre colonos e religiosos culminou com a expulsão dos jesuítas no ano de 1640. Foi neste ano que chegava a São Paulo uma caravana de sete religiosos franciscanos, instalando-se numa casa em frente à Ermida de Santo Antônio, na atual Praça do Patriarca. 

Dois anos depois, no dia 24 de dezembro 1642, os frades ganharam um terreno, doado pela Câmara, de “oitenta braças de chão”, e de imediato deram início à construção do convento. No dia 17 de setembro de 1647, festa das Chagas de São Francisco, foi inaugurado o Convento de São Francisco e de São Domingos, seu primeiro nome de batismo. São, portanto, 372 anos de presença franciscana em São Paulo e 370 anos de história do Convento.

Na época que foi inaugurado, era o maior já construído em São Paulo. Ocupava todo o espaço que atualmente é da Faculdade de Direito. O terreno do Convento tinha três fontes de água pura, mas sofria com as enchentes do ribeirão Anhangabaú.

A FACULDADE DE DIREITO
Depois de declarar sua independência, o Brasil criou dois cursos jurídicos e, pela Lei de 11 de Agosto, foram escolhidas as cidades de São Paulo e Olinda como sedes. 

Entre todos os locais disponíveis na capital paulista, o Convento São Francisco era o que mais reunia condições estruturais para este curso e “os franciscanos cederam de bom grado” parte do seu espaço. Com apenas três meses de existência do curso de Direito – a abertura se deu no dia 1o de março de 1828 em uma sala que servia de sacristia -, o seu diretor, José Arouche Toledo Rondon, sugeriu ao governo Imperial a requisição de todo o Convento. 

Desde então, travou-se uma disputa judicial entre Faculdade e a Província Franciscana. Em 1932, a Faculdade já estava iniciando obras que iriam mudar toda a configuração arquitetônica do prédio, quando teve início uma outra disputa judicial, já que estavam atingindo uma área que não havia sido cedida pelos religiosos. Os religiosos venceram a causa em 33, mas a sentença foi reformulada em 37, julgando prescrita a ação da Ordem para o reconhecimento de qualquer direito de domínio quanto ao edifício da Faculdade de Direito. 

Nem só de disputas judiciais viveram o Convento e a Faculdade. Em 1860 foi fundada a Irmandade Acadêmica de São Francisco, composta por professores, doutores e alunos da Faculdade, residentes na Capital, para ajudar a manter o patrimônio cultural e religioso do Convento. Foi nesta época que eles doaram o altar-mor da Igreja, adquirido em Munique, na Alemanha.

IMAGEM SALVA NO INCÊNDIO
Até meados do século XVII , o frontispício das igrejas da Província era construído em estilo jesuítico, com torre baixa. Desde então, adotou-se o barroco. Em 1884, a fachada da Igreja foi modificada e aberta a entrada central como hoje é utilizada. No seu interior, ela tem um abóboda com alegorias da história franciscana, de autor desconhecido e possui um sino do século XVIII.

Um incêndio em 1870 destruiu a capela-mor, onde só foram salvas as paredes e a imagem de São Francisco, considerada a mais bela das que se encontram nos conventos antigos.

Em 1845, a Irmandade de São Benedito, que representava uma tentativa dos religiosos para incentivar o espírito cristão entre os escravos, tentou junto ao governo Imperial se apossar do Convento, chegando a tirar a imagem de São Francisco da Igreja para colocar a de São Benedito.

CONVENTO DA LUZ
Considerado um dos mais bem conservados exemplos da arquitetura colonial brasileira do século XVIII, o Mosteiro da Luz foi projetado por Frei Galvão, que também supervisionou a obra. O convento foi tombado em 1943 e abriga o Museu de Arte Sacra em sua ala esquerda desde 1970.

FREI GALVÃO
Frei Antônio de Sant’Ana Galvão, beatificado pelo Papa João Paulo II no dia 25 de outubro de 1998 e o primeiro santo brasileiro, foi sem dúvida o morador mais ilustre do Convento São Francisco nesta fase antiga, já que o também frade franciscano, o Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns é a figura mais ilustre do nosso tempo.

Paulista, de Guaratinguetá, Frei Galvão ingressou na Ordem Franciscana no dia 15 de abril de 1760, tomando o hábito no Convento de Santo Antônio de Macacu.

Em julho de 1762, seus superiores o enviaram a São Paulo para cursar Filosofia, onde também completou o curso de Teologia. Suas qualidades como pregador e porteiro do Convento são lembradas em todos os livros de história. Ele morreu aos 83 anos e foi sepultado no Mosteiro da Luz, uma obra que ajudou a erguer e foi inaugurada em 2 de fevereiro de 1774.