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sexta-feira, 28 de junho de 2013

JUVENTUDE E VOCAÇÃO, CAMINHO, CHAMADO, RESPOSTA!

No mês de julho deste ano, como não poderia deixar de ser, o grande assunto em toda a Igreja Católica no Brasil e no mundo será a Jornada Mundial da Juventude que acontece no Rio de Janeiro de 23 a 28, com a presença do nosso querido e carismático Papa Francisco.

Sendo assim, gostaria de desenvolver minha reflexão vocacional direcionada para este tema: o jovem e a vocação. Afinal de contas, a grande maioria dos vocacionados, sente-se chamado na juventude, aliás, é nesta fase da vida que surgem as grandes dúvidas, incertezas, questionamentos e onde faz-se escolhas que vão orientar toda uma vida.

O trabalho com os jovens tem sido, nos últimos anos, uma prioridade da Igreja, ser com e para os jovens, vem sendo o desafio ao qual todos somos chamados, quebrando tabus e preconceitos estabelecidos dentro e fora da própria Igreja. A Conferência dos Bispos do Brasil aponta o caminho:
“Dizer que, para a Igreja, a juventude é uma prioridade em sua missão evangelizadora, é afirmar que se quer uma Igreja aberta ao novo, é afirmar que amamos o jovem não só porque ele representa a revitalização de qualquer sociedade, mas porque amamos, nele, uma realidade teológica em sua dimensão de mistério inesgotável e de perene novidade.” (CNBB 85, § 80-81).

Considerar o jovem como “lugar teológico” é entender que a voz de Deus fala e passa também por ele. A novidade que a cultura juvenil nos apresenta neste momento é o discurso que Deus nos faz através do jovem, é portanto, Deus falando com a sociedade e com a Igreja na juventude. O desafio eclesial é conseguir ver e entender o sagrado que se manifesta de muitas formas, também na realidade juvenil.

Vivo e trabalho em uma cidade grande, a maior do Brasil, e os jovens daqui refletem a realidade de quase todo o país, afinal de contas, nas realidades urbanas os grupos juvenis tem diferentes denominações e lideres, se reúnem em grupos e formam “tribos”, são eles: os emos, góticos, clubbers, punks, skatistas, de esquerda, de direita, universitários, dentre tantos outros. Estes grupos exigem uma análise que identifique a complexidade dos discursos que envolvem esses universos culturais e as práticas de seus participantes.

A grande questão é: como apontar o caminho do seguimento de Jesus Cristo, dentro da pluralidade juvenil atual, cada vez mais complexa e desafiante?
É aqui que entra nosso papel como Igreja e como animadores vocacionais dentro deste contexto. Os jovens que chegam até nós vêm de diferentes realidades: alguns são ativos em suas comunidades, outros passaram por diferentes religiões, outros ainda, estão na busca de entender os desafios que envolvem sua vida, seu papel na Igreja e na sociedade. O interessante, e é isto que mais me chama a atenção, é que todos eles estão sedentos por dar uma resposta a Deus e ao mundo. Não querem ficar acomodados e “ver a banda passar”, querem ser protagonistas, querem dar respostas, querem ser sinais visíveis de algo ou alguém maior que eles.

As perguntas são muitas, e o modo de “falar a língua” destes jovens também, é por isso que todos aqueles que trabalham e ajudam os jovens a descobrir sua vocação, devem estar bem conscientes de sua tarefa no seio da sociedade, e porque não dizer, de sua própria vocação. Devem ir ao encontro, sem esperar que o jovem apenas venha. O próprio Papa nos exorta para esta missão: “Descei para o meio de vossos jovens e chamai-os”. É este estar junto que vai despertando vocações, que vai criando uma sintonia com aqueles que já vivenciam uma opção vocacional.


Por isso, devemos buscar uma forma de apresentar ao jovem a pessoa de Jesus, motivando-o a fazer a experiência do seguimento. Uma boa referência é a forma como Jesus é percebido pelos discípulos de Emaús: alguém que caminha junto, escutando, dialogando e orientando.

Neste trabalho de esforço mútuo, de conhecimento, de troca de experiências, é que vão surgindo as vocações. As respostas partem daqueles que bem orientados, conseguem no turbilhão de opções e informações da sociedade moderna, responder ao chamado do Senhor, que continua a passar pelas “praias”, esquinas e praças de nossas vidas e a repetir o convite: “Vem e Segue-me!”

Enfim, o Senhor continua a chamar, a tocar o coração de tantos jovens, cabe a cada um de nós, orientá-los e ajudá-los na descoberta bonita do que Deus quer de cada um deles.

Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM