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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Emoção, beleza e gratidão na ordenação de Frei Clauzemir

Frei Gustavo Medella
“És altivo, tens de Deus a proteção. Teu progresso a teu povo enobrece, em tua saga há beleza e gratidão”. Os versos que estão na segunda estrofe do Hino de Pato Branco, PR, poderiam ser dirigidos ao gaúcho de nascimento e patobranquense por adoção Frei Clauzemir Makxmovitz, OFM, ordenado presbítero na noite deste sábado, 04 de maio, na “Capital do Sudoeste do Paraná”. Presidida pelo Bispo de União da Vitória, PR, o franciscano Dom João Bosco Barbosa, que já foi pároco da Paróquia São Pedro Apóstolo de Pato Branco, a celebração durou duas e encheu a igreja matriz. A missa contou ainda com a transmissão dos meios de comunicação da Fundação Celinauta.
Em nome da Província, Frei Germano Guesser, Definidor, apresentou formalmente Frei Clauzemir ao bispo e pediu que o jovem frade fosse ordenado presbítero. Com palavras breves e espontâneas, Frei Germano fez um retrospecto da caminhada do candidato destacando que, em todas as fases, Frei Clauzemir sempre se mostrou muito empenhado e responsável e, por isso, havia recebido a aprovação para o ministério presbiteral tanto de seus formadores quanto do povo com quem trabalhou e conviveu e também do Governo Provincial. Para confirmar tal aprovação, Dom Frei João Bosco pediu a manifestação de toda a assembleia, que respondeu com um aplauso longo e entusiasmado. E, assim, o bispo proclamou solenemente que Frei Clauzemir fora aceito para o ministério presbiteral.
Sentindo-se muito à vontade, o bispo ordenante manifestou estima e proximidade com Frei Clauzemir. Recordou que já o conhecia desde os tempos de acompanhamento vocacional. Com palavras simples, exortou-o a permanecer com firmeza no propósito manifesto em seu lema de ordenação: “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho, isso te dou” (At 3,6).

Dom João destacou que o presbítero franciscano deve manifestar em seu ministério três marcas muito profundas: a paixão por Deus, o espírito fraterno e a caridade pastoral. “É preciso entusiasmo para que manifestemos ao mundo a face de um Deus que nos ama (…) Devemos nos empenhar no afeto de uns para com os outros (…) Temos de testemunhar uma caridade entranhada, verdadeira e prática, em especial para com os últimos”, frisou o bispo, referindo-se às três qualidades que não podem faltar ao padre franciscano.
Ainda em relação ao tema do amor para com os pobres e desprezados, Dom João Bosco citou o Papa Francisco em uma de suas homilias, quando o pontífice alertou que “uma Igreja que se fecha em si mesma e não vai ao encontro dos pobres, adoece”. Parafraseando o papa, Dom Bosco afirmou que é muito melhor uma Igreja acidentada, porque se pôs a caminho do encontro com o pobre, do que uma Igreja adoentada porque fechou-se sobre si própria”.
Para se revestir com as vestes do presbítero (casula e estola), Frei Clauzemir contou com a ajuda de Frei Olivro Marafon, guardião da Fraternidade de Pato Branco, e de Frei James Girardi, coordenador da Fraternidade Nossa Senhora da Boa Viagem, na Rocinha, no Rio de Janeiro, onde Frei Clauzemir vive atualmente.
Sentados na primeira fila de bancos, os familiares de Frei Clauzemir acompanhavam cada momento “cirurgicamente” atentos, quase sem piscar os olhos. A mãe, Dona Regina, manifestava através do olhar de ternura a emoção que lhe perpassava a alma, num silêncio comunicativo e intenso. Merece nota o grande esforço da mãe de Frei Clauzemir para estar presente na ordenação do filho, deslocando-se de Caxias do Sul, RS, até Pato Branco. Com a saúde fragilizada, durante toda a celebração, Dona Regina foi amparada pela filha Clarete, sempre respirando com a ajuda de um cilindro de oxigênio. Com as mãos ungidas e amarradas pelo bispo, Frei Clauzemir se dirigiu em direção à mãe e à irmã a fim de oferecer a elas sua primeira bênção como sacerdote. Emoção.

Ao agradecer, Frei Clauzemir fez questão de frisar uma sentença simples: “Como Deus é Bom!” e, emocionado, lembrou-se de todos – desde a família, a Província, os confrades, os colegas de turma, a comunidade paroquial, o bispo Dom Frei João Bosco – que se empenharam para que ele pudesse chegar a este momento importante de sua vida e da vida da Igreja. “E como nosso Deus é presente! Como Ele é companheiro. Se não o fosse, não teria sentido estarmos aqui. Reconheçamos e rendamos louvor por cada momento e oportunidade”.
Mais uma vez, em referência ao Papa Francisco, na bênção final, Dom Frei João Bosco pediu que Frei Clauzemir se ajoelhasse para receber a bênção do povo. Em seguida, junto com o neo-sacerdote, o presidente da celebração abençoou toda a assembleia.
Logo após a celebração, todos foram convidados pelo pároco da Paróquia São Pedro, Frei Olivo Marafon, para uma confraternização no salão paroquial. A primeira Missa de Frei Clauzemir Makxmovitz será neste domingo, dia 05 de maio, às 10h, na Comunidade do Bairro Fraron, onde o neo-sacerdote passou parte de sua infância.
Frei Clauzemir nasceu em Getúlio Vargas, RS. É o caçula de uma família de quatro filhos (três homens e uma mulher). Seu pai, Abel, faleceu por conta de um acidente de trabalho, quando Frei Clauzemir ainda tinha um ano e meio. O próximo frade a ser ordenado presbítero é Frei Jeâ Paulo de Andrade, colega de turma de Frei Clauzemir e que atualmente compõe a fraternidade franciscana de Concórdia, SC. A ordenação será em Imbuia, SC, terra natal de Frei Jeâ, no dia 06 de julho deste ano.
Fotos: Frei Alexandre Rohring