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terça-feira, 30 de abril de 2013

CONECTADOS E SOLITÁRIOS...

Vivemos a era da Comunicação! Nunca estivemos tão próximos. Graças à tecnologia nos comunicamos, em áudio e vídeo, ao vivo, com qualquer parte do mundo. Tiramos uma foto e podemos imediatamente compartilhá-la nas redes sociais e nos aplicativo próprios. 

No entanto, mais de uma vez fui assolado pela dúvida se, de fato, a sociedade da comunicação se comunica mesmo tanto quanto imagina. Vejo tanta gente se queixar da solidão, dizer que não tem com quem compartilhar suas questões mais íntimas, de declarar que se sente um verdadeiro anônimo na multidão. 

Lembro-me também da ilustração que circula como piada na rede de relacionamento: num velório, há umas cinco ou seis pessoas, além do falecido. E, lá pelas tantas, uma pergunta à outra: por que tão pouca gente aqui? Ele não tinha 2000 amigos no Facebook? Pois é, meu amigo, minha amiga, tudo isso nos faz pensar na qualidade da comunicação gerada pelos avanços tecnológicos. 

Será que temos nos comunicado de fato, através de encontros ricos e intensos, capazes de transformar a nossa vida, de nos tornar pessoas melhores? Ou temos circulado sem rumo pelo excesso de informações e distrações que a dita "cultura da comunicação" nos oferece? Fica a pergunta no ar...

Frei Gustavo Wayand Medella, OFM

quarta-feira, 24 de abril de 2013

SOMOS SERES DE NECESSIDADES

O ser humano é, por natureza, um ser de necessidade. Por isso toda ação humana tem como motivação primeira a satisfação destas necessidades. 

Mesmo que não tenham consciência, as pessoas agem em função das próprias carências. Um psicólogo americano elaborou uma pirâmide dividida em cinco partes que ajuda a explicar a influência das necessidades na vida humana.

Na base da pirâmide estão as necessidades fisiológicas: comer, beber água, manter-se protegido do frio. Em seguida aparecem as necessidades de segurança. Neste estágio estão o emprego, a segurança física, a moradia, a família. 

Na seqüência vêm a necessidades sociais, relacionadas às amizades e aos relacionamentos na sociedade. Após as necessidades sociais vêm aquelas relacionadas à pessoa com ela mesma. Aí aparecem a auto-estima e a auto-confiança. 

Por último, no topo da pirâmide, está a necessidade de auto-realização, que aponta para a vida profissional, afetiva e pessoal. Conforme se pode perceber, as necessidades estão interligadas e a satisfação das que estão mais em cima na pirâmide depende da satisfação das que estão na base. 

O problema maior da sociedade atual é este: todo mundo tem direito a ter todas estas necessidades atendidas, mas há no planeta muita gente que não tem sequer comida. 
Que problema enorme!

Frei Gustavo Wayand Medella, OFM

terça-feira, 23 de abril de 2013

O APERTO FAZ O SAPO PULAR

Você certamente já deve ter passado por alguma crise. Seja no casamento, no trabalho, na vida pessoal, em algum momento você se deparou com alguma situação difícil, onde as perguntas eram mais numerosas do que as respostas. 
Apesar de nem sempre ser confortável, o momento de crise costuma ser muito produtivo, desde que se saiba lidar com ele. Geralmente surge quando as coisas realmente estão precisando mudar e, geralmente a mudança acaba sendo para melhor. Pense no exemplo de uma casa em reforma. 

Durante as obras, o transtorno é grande. Poeira, barulho, bagunça, tudo causa mal estar. Mas o dono da casa sabe que é momentâneo e, depois de concluída a reforma, ele estará melhor instalado na própria casa. A crise não deixa de ser uma reforma na vida, que exige muita criatividade. 

E é a partir deste esforço criativo que surgem novas oportunidades. Aparecem novas soluções até então impensadas. É mais ou menos como aquele ditado que diz: “O aperto faz o sapo pular”. 

Portanto, se você estiver passando por um período de crise, não tenha medo. Busque, através do diálogo, superar estas dificuldades. 

Encare com otimismo e tenha certeza de que a maior graça para o ser humano é a capacidade de dar um sentido aos acontecimentos, sejam eles mais ou menos agradáveis. 

Aprenda a lidar com a crise. Com certeza você vai sair ganhando.

Frei Gustavo Wayand Medella, OFM

segunda-feira, 22 de abril de 2013

A DIFÍCIL VIDA DE PESCADOR

Quem gosta de pescar sabe a paciência que essa atividade exige. Se for pescaria com vara então, aí é que precisa de calma para aguentar o sol quente e os mosquitos que não param de incomodar. Isso sem contar as peças que os peixes pregam no pescador. 

O coitado fica horas e horas dando banho na isca. Quando se distrai um pouco, vem um lambari espertinho e leva a comida embora. 

Tem também aqueles fins de semana que, por causa da lua, do clima, da cheia ou da vazante, os peixes resolvem fazer greve. Não se pega nada. A recompensa vem quando, às vezes sem esperar, se consegue pegar aquele baita peixão, que aumenta de tamanho cada vez que a história é contada novamente. Agora fica a pergunta: que lições a atividade do pescador pode ensinar para a vida? O cultivo da paciência, sem dúvida é uma delas. 

Saber esperar é uma das características dos vencedores. A perseverança é outro ensinamento importante. Já pensou se o pescador desistisse antes mesmo de lançar o anzol só porque é muito difícil capturar um peixe? Com certeza ele nunca pegaria nada. 

Na vida é a mesma coisa. Se a pessoa desiste de aprender a profissão de seus sonhos pela dificuldade que ela oferece ou se deixa de fazer novas amizades porque tem medo se decepcionar, está agindo como o pescador que evita a pescaria. 

No futuro, vai ter um monte de motivos para se lamentar, não por aquilo que fez, mas pelas coisas que deixou de fazer.

 Frei Gustavo Wayand Medella, OFM

sexta-feira, 19 de abril de 2013

SABER RIR DE SI MESMO

Pare um pouco, pense na sua vida e veja se você não está se levando a sério demais. 
Este é um erro ao qual todo mundo está sujeito. A cobrança do mercado de trabalho, os compromissos com a família e a rotina podem levar a um adormecimento da alegria e por isso é que a pessoa começa a perder o bom humor. 

Quem não se cuida acaba entrando numa onda de pessimismo que pode ser perigosa. Primeiro a pessoa deixa de sorrir, depois só vê o lado negativo das coisas e por fim não encontra mais a graça em viver. 

Cada um tem que cuidar muito para não perder o sentido e as cores da própria vida. Saber rir de si próprio é a chave para a solução de muitos problemas. Ao encarar a vida com leveza, o ser humano passa a ter mais força para superar as dificuldades. 

É evidente que diante de algumas barreiras haja mais insegurança, medo e tristeza, que são sentimentos normais. O que não pode acontecer é que as preocupações apaguem de vez a coragem e a alegria que toda pessoa traz no coração. Lembre-se: recomeçar é sempre possível. Se você tropeçou, ria de si mesmo, perdoe-se, levante-se e tente outro caminho. 

Se alguém lhe derrubou, não guarde mágoa. A receita é a mesma: perdoe, levante-se e tente outro caminho. Eu sei que na prática nem sempre é fácil agir desta maneira, mas não desista de tentar.
O maior beneficiado será você mesmo.

 Frei Gustavo Wayand Medella, OFM 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Frei Rodrigo será ordenado presbítero no dia 20


Por Moacir Beggo;

Mineiro de São Lourenço, região Sul do Estado, Frei Rodrigo da Silva Santos será ordenado presbítero no dia 20 de abril, às 10 horas, na Paróquia São Lourenço Mártir, em São Lourenço (MG), pelo bispo Dom Diamantino Prata de Carvalho, OFM, bispo da Diocese de Campanha. Desde pequeno, como coroinha na Matriz de São Lourenço, o garoto Rodrigo já havia manifestado sua vocação. Desde que tomou a decisão de ingressar no Seminário, o garoto Rodrigo sempre contou com o apoio dos  pais, Adilson e Regina, e dos irmãos Marcelo e Felipe (ele é o do meio).  “Pelo meu contato com os frades e participação na Igreja, eles já desconfiavam que esta seria minha opção de vida, antes mesmo de contar para eles”, recorda. Mas segundo o frade,  “o ser religioso franciscano” é uma novidade na família. “E muitas coisas  tenho que explicar para que eles compreendam nosso estilo de vida. Mas acredito que  estejam felizes percebendo o quão realizado e feliz eu me mostro pela caminhada que fiz e estou fazendo. A alegria dos pais é ver a alegria dos filhos, onde quer que eles estejam”, acredita Frei Rodrigo. Frei Rodrigo nasceu no dia 30 de abril de 1984 e ingressou na Ordem Franciscana no dia 8 de janeiro de 2005. Sua Primeira Missa será celebrada no dia 21 de abril, às 8 horas, tendo como pregador Frei Adriano Dias do Nascimento. Frei Rodrigo escolheu como lema “A obra de Deus é esta: crer naquele que Ele enviou” (Jo 6,29).

Site Franciscanos – Como você sentiu o chamado à vida religiosa?

Frei Rodrigo - Durante anos frequentava a igreja Matriz de minha cidade e ajudava como coroinha nas missas, primeiro pertencendo ao grupo dos mais pequenos, conduzido pelo Frei Aymoré, e, depois de algum tempo e à convite de Frei Adriano Dias do Nascimento, no grupo dos coroinhas mais velhos. Nesta época, Frei Perceval (Canuto Carvalho) era o animador vocacional da cidade e, numa ideia de mestre, decidiu reunir o grupo dos coroinhas com o grupo vocacional. Desta convivência com os frades, na vida celebrativa de minha comunidade e ouvindo falar de São Francisco de Assis, falei aos meus pais que gostaria de ser religioso franciscano. Se, num primeiro momento isso não passava, para mim, de um padre com hábito, fui descobrindo e me apaixonando por esta vida de doação, serviço e vivência do Evangelho. Hoje, não me vejo vivendo de outra forma, feliz pelos frades estarem em minha cidade evangelizando e acolhendo aqueles que inspiravam à mesma forma de vida.

Site Franciscanos - O que significa para você ser presbítero?

Frei Rodrigo - Como frades franciscanos, nossa primeira vocação é a de sermos religiosos na Igreja. De sermos sinais vivos de que a vida evangélica é possível de ser vivida e, além disso, em comunidade, como irmãos. Nossa entrega de vida é feita a partir do Noviciado e, de uma forma solene e perpétua, após alguns anos de confronto com esta forma de vida, não requerendo mais ser reafirmada perante a Igreja. Este é o momento decisivo e marcante da vida do religioso franciscano. Entretanto, alguns de nós acabam sendo chamados ao ministério ordenado. Para mim, como o próprio termo define, considero o ser presbítero como ministério ao qual a Igreja me confia para que o coloque a serviço da própria Igreja. Ser presbítero, assim, é assumir esta missão, junto ao Povo de Deus, sendo membro do Povo de Deus, de anúncio do Evangelho, testemunho de vida cristã e discernimento de nossa fé.

Site Franciscanos -  Quais os desafios de um jovem futuro presbítero neste mundo globalizado?

Frei Rodrigo - Vivemos, hoje, num mundo de constantes mudanças e que nos impõe desafios para os quais a Igreja luta por encontrar uma resposta que atenda aos anseios da humanidade. Ser presbítero no mundo atual é empenhar-se no diálogo com os diversos grupos da sociedade, buscando entender como o Evangelho lança luz sobre as maiores crises e dificuldades enfrentadas pelo homem moderno. Entretanto, o mundo também espera de nós clareza e discernimento sobre aquilo que somos e o que propomos, para não perder a identidade cristã. Ser presbítero, portanto, neste contexto é enfrentar com boa vontade os desafios que o mundo nos impõe, não lutar por uma Igreja certa de suas verdades, apegada ao seu status quo, mas certo de seu valor e importância para a sociedade.

Site Franciscanos - O que você diria para um jovem que quer ser sacerdote segundo o carisma franciscano?

Frei Rodrigo - Meu irmão, a Igreja precisa de jovens dispostos a evangelizar, capazes de compreender seus anseios e falar-lhes sobre o Evangelho. Precisa de jovens alegres e felizes por trabalhar em prol do Reino de Deus, desejosos de estar junto aos excluídos e empobrecidos, de levar-lhes a Boa Nova do Deus de misericórdia e perdão, que ama a todos sem distinção. A Igreja precisa de você, se você quiser colocar-se a serviço do próximo,  ser solidário com suas necessidades, guiá-lo pela verdade do Evangelho, se estiver disponível, estamos de braços abertos para acolhê-lo e mostrar-lhe a melhor forma de seguir sua vocação a partir do carisma do Santo de Assis.

Site Franciscanos - Sua primeira transferência, após o tempo da Formação Inicial, foi para o Seminário São Francisco de Assis, local do início de sua caminhada formativa. Como tem sido esta nova experiência?

Frei Rodrigo - Morar no Seminário São Francisco de Assis tem sido uma experiência enriquecedora. Nestes primeiros meses de convívio com a nova fraternidade constituída, bem como com os 24 seminaristas deste ano, fui me familiarizando com este novo trabalho e funções atribuídas pela Província, como professor e vice-orientador. Esta etapa inicial da formação requer muita atenção e cuidado por parte de nós, bem como discernimento sobre como fazer a proposta de nossa vida franciscana a jovens entre 14 e 22 anos, que vêm de culturas bastante diversas. De fato, mais que palavras e sermões que possamos dar, talvez o mais formativo seja o bom testemunho que devemos buscar dar a todo instante.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

A arte da verdadeira liderança

Eu fico muito triste quando vejo alguém que se aproveita do cargo que exerce ou da posição que ocupa em uma empresa para tratar mal os seus subordinados. Esta atitude não pode trazer nenhum benefício em favor de quem a pratica.
Ao contrário, só pode ser fonte de descontentamento, infelicidade, reclamação e, ainda de quebra, render um processo trabalhista por assédio moral. 
O verdadeiro líder não é quem impõe medo e pressão sobre seus liderados, mas aquele que consegue cativar e animar os que estão sob seu comando para que abracem com entusiasmo e vibração a missão da empresa em que trabalham. Este objetivo jamais será alcançado pela força, pelo autoritarismo, pela imposição ou por qualquer meio de intimidação. 
O caminho mais construtivo e eficiente é o da transparência, do diálogo, da compreensão e da parceria. Se você é chefe de alguma equipe de trabalho ou de qualquer outro grupo, procure levar em conta estas recomendações. Você vai perceber o quanto seu trabalho vai se tornar mais prazeroso, eficiente e leve, pois tudo mundo gosta de ser tratado com respeito. 
Não se esqueça, mais do que dar ordens ou dominar pessoas, liderar significa manter acesa em toda equipe a chama da vontade de fazer o melhor, de dar tudo de si para que os objetivos comuns sejam alcançados.
Frei Gustavo Wayand Medella, OFM

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Rótulos são para produtos


Num produto de limpeza, num pacote de biscoito, numa caixa de sapatos, o rótulo serve para informar a data de fabricação, o prazo de validade, os componentes químicos do produto.
O rótulo não muda, porque precisa trazer sempre as mesmas informações para que o consumidor fique bem informado sobre o produto que está levando para casa.
Uma vez rotulada, a mercadoria pode ser totalmente conhecida em todos os seus detalhes.
Rótulo, portanto, serve para mercadorias e produtos. Agora, com ser humano, a história é diferente. Pessoas não podem ser rotuladas.
Primeiro porque cada pessoa é um mundo complexo de experiências, sentimentos, valores, características físicas, um verdadeiro universo que está sempre em transformação. E por isso não se pode elaborar um rótulo fixo para um ser humano.
Rotular uma pessoa é reduzi-la, é encará-la de modo muito superficial, ainda mais quando estes rótulos são baseados em características negativas. Olha só, lá vai o bêbado! Ih, esse gordo deve comer um boi por dia! Fique quieto que já está chegando a fofoqueira.
É lamentável que tantos seres humanos sejam reduzidos a uma ou a poucas de suas características, geralmente negativa.
Vamos tentar olhar um pouco mais além e não reduzir as pessoas a rótulos tão simplórios e depreciativos.
Frei Gustavo Medella, OFM