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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Jesus e o cego Bartimeu!


Amigos e amigas
Paz e Bem!

Ultimo fim de semana do mês de outubro. Aproxima-se novembro, penúltimo mês do ano. As lojas e as ruas já começam a dar os tons de que o fim do ano está próximo.
Estes dias mesmo, andando pelo centro de São Paulo, vi, em uma dessas lojas de departamento, uma pilha de panetones à venda...sinal de que o comércio adiantado que é, já resolveu antecipar as compras de Natal. É, em uma velocidade frenética as coisas nos são impostas e a vida passa. Muito cuidado para não cair neste ritmo acelerado e doido, querendo antecipar as coisas e adiantar o tempo. Viver o momento presente é viver o momento de Deus.
Nos deparamos na liturgia deste fim de semana com a figura do cego Bartimeu. Que muito bem pode se chamar José, João, Maria...eu, você, todos nós. O caminho do discípulo vai da cegueira total à visão de Jesus. Ver Jesus com os olhos da fé, com os olhos de Deus, revoluciona a nossa vida. Só a faz porém quem sabe que não pode ficar como está e grita pedindo o socorro de Deus.
A cura do cego de nascença é a culminância do encontro salvador entre Jesus e o homem não homem. O cego grita por Jesus. Jesus pergunta o que ele quer: “Senhor que eu veja” é a resposta. Seus olhos se abrem e ele vê face a face o Senhor. A fé, portanto, é encontro e visão, anúncio de boa noticia e seguimento. O discípulo chega finalmente à fé e à entrega total a Jesus. Jesus lhe estende a mão para que ele possa dar este final e decisivo passo.
Que o Senhor estenda sua mão, abra nossos olhos para que possamos enxergar os sinais de Deus em nossa vida e no meio da humanidade.
Que o Senhor nos abençoe.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

URGENTE: Todo apoio aos Guarani Kaiowá!!!


ASSINE A PETIÇÃO!
Os índios da etnia Guarani-Kaiowá estão correndo sério risco de GENOCÍDIO, com total omissão da mídia local e nacional e permissão do governo. Se você tem consciência de que este sangue não pode ser derramado, assine esta petição. Exija conosco cobertura da mídia sobre o caso e ação urgente do governo DILMA e do governador ANDRÉ PUCCINELLI, para que impeçam tais matanças e junto com elas a extinção desse povo.

ASSINE E DIVULGUE:
www.avaaz.org/po/petition/Salvemos_os_indios_GuaraniKaiowa_URGENTE

Leia a Carta desesperada divulgada pela Comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay-Iguatemi-MS para o Governo e Justiça do Brasil: http://dhjupic.blogspot.com.br/2012/10/atencao-carta-da-comunidade-guarani.html

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

II Encontro de Jovens das frentes de Evangelização da Província


Seja bem vindo olelê, seja bem vindo olalá, paz e bem pra você, que veio participar... Repetidas vezes ouviu-se este refrão de alegria e de acolhida no Seminário Santo Antonio de Agudos. Ora ao som de pandeiro e casaca, ora da palma e do gogó. Era para receber ônibus, van e carro, gente de longe e de perto. Nesta mistura jovem de fraternidade, quem estava sendo acolhido já passava acolher. Foi de verdade uma explosão de alegria!
Entre os dias 12 e 14 de outubro, Agudos se transformou em lugar místico que recebeu 127 jovens e 14 frades das frentes de evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil. A juventude esteve reunida aos pés de Clara de Assis ouvindo dela “não perca de vista seu ponto de partida”.
A manhã do primeiro dia de encontro foi marcada pela chegada e acolhida dos jovens que, em grande parte, viajaram à noite para se fazerem presentes. Na celebração inicial, destaque para a acolhida da Palavra de Deus, pronunciada na Bíblia e na vida de Maria, Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil, celebrada no dia.
Frei Toni foi quem abriu o encontro fazendo memória do I Encontro de Jovens da Província ocorrido em abril de 2011. Lembrou que naquela ocasião os frades quiseram ouvir os jovens, seus desafios, medos, protestos e esperanças. Neste, os frades também querem partilhar. Frente aos desafios, medos e alegrias experimentados pela juventude, o que os frades têm a dizer?

Os desafios da evangelização e a centralidade da Palavra de Deus.
À tarde do dia 12, frei Toni conversou com os jovens sobre os desafios da Evangelização. Ele abordou a questão a partir da compreensão do que é Palavra de Deus. “Eu gostaria de abordar os desafios da evangelização a partir do que se compreende por Palavra de Deus”. Frei Toni deixou claro que Deus nos fala constantemente, e que sua primeira palavra na história foi a CRIAÇÃO, depois a VIDA de cada um de nós e, por fim, a grande Palavra de Deus pronunciada na história da humanidade foi CRISTO. Ficou claro que a Palavra de Deus é muito maior que a Bíblia, mas que a Bíblia é um instrumento importantíssimo para a interpretação da vida. Parece que o grande desafio da Evangelização, e também seu apelo, é voltar à Palavra de Deus e, especialmente, aproximá-la da vida da juventude.
A partilha continuou nos grupos que se formaram logo em seguida e ainda na plenária, onde não faltou assunto, nem lucidez. Aliás, as contribuições dos jovens durante todo o encontro foram de grande seriedade e maturidade, típicas de quem quer abraçar uma proposta séria e adulta. É notável que realmente os jovens percebem na herança de Clara e Francisco um caminho capaz de contribuir muito neste sentido.

Não perca de vista seu ponto de partida...
“Olhar para Clara é redescobrir a mãe, é reencontrar a mãe”. Assim Frei Vitório trouxe para o meio dos jovens a grande referência do encontro, Clara de Assis. A jovem Clara lançou os jovens para o que é o ponto de partida da vida cristã, o Evangelho. “Não perca de vista seu ponto de partida”. “Só sabe o ponto de chegada quem, na verdade, não perde de vista seu ponto de partida”, endossou Frei Vitório.
Clara foi apresentada como a mulher apaixonada, decidida, lúcida, que frustra as expectativas sociais de seu tempo e arrisca sua vida por alguém grandioso, o Cristo pobre, que a desposou e a quem ela não teve medo de amar.

Ecos da caminhada
As horas foram curtas para um momento de apresentação dos trabalhos e iniciativas que foram desencadeados após o I Encontro de Jovens em 2011. De fato o encontro parece ter sido o despertar de um tempo novo do trabalho da Província junto à juventude. Grandes desafios ainda existem, mas muita coisa já vem sendo feita.
Fazendo ecos da caminhada os jovens puderam apresentar o que têm feito depois do “despertar” gerado por Agudos. Foi bonito de ver o entusiasmo da juventude, a sede e o esforço por temperar a Evangelização com o carisma franciscano.

JMJ 2013
Um assunto obrigatório foi a Jornada Mundial da Juventude que acontecerá no próximo ano no Rio de Janeiro. O grupo da PJF (Pastoral da Juventude Franciscana) do Santuário Senhor Bom Jesus dos Perdões de Curitiba deu dinamismo clareza ao assunto. Insistiram muito que a JMJ é maior do que o que acontecerá no Rio de Janeiro entre os dias 23 a 28 de julho. “O Rio e o encontro com o Papa serão apenas a celebração da JMJ. É preciso muita atenção para a pré-jornada (Semana missionária) e a pós jornada para que ela não seja um momento vazio”.
Além do aprendizado e da sintonia com a JMJ, os jovens do encontro tiveram a oportunidade de fazer uma construção conjunta de propostas para a Semana Missionária. O que é possível e interessante fazer em cada realidade, paróquia ou diocese junto aos jovens do lugar e dos peregrinos estrangeiros. A construção foi rica e comporá um banco de dados posto a disposição de todos para fomentar os trabalhos nas bases.
A JMJ também terá no seu rosto um traço franciscano. “Queremos marcar a Jornada com o jeito e o traço franciscano”, disse Frei Diego apresentado as iniciativas da Família Franciscana para a JMJ. Deixou claro que não queremos competir, mas somar e oferecer para os jovens um espaço franciscano que será o Convento Santo Antonio no Largo da Carioca.

Cultura...
A noite do sábado foi cultural. Impressionou a facilidade com que juventude rima com poesia, canto, teatro, comédia, dança, improviso, alegria, hip hop, animação, performance, música ... e o fôlego foi até às 23h. Houve apresentações preparadas em casa, improvisadas, pouco ensaiadas, apresentações emocionantes dos donos da casa, os aspirantes e Frei Walter.
No palco, os artistas foram assistidos com expectativa pelos demais jovens e frades da casa, mas, desta vez, o palco também assistiu uma juventude que gosta de partilhar o que tem, gosta de tornar comum o que traz de casa, gosta de fazer rir e de fazer pensar, gosta de cultura.
Enfim, a cultura virou festa e a noite cultural foi encerrada com samba no pé, mesmo de quem é habituado ao vanerão. Aula de samba rápida, cada um mostrando o que já sabia e pronto! Em minutos estava formada a escola de samba Unidos de Agudos, como os jovens chamaram.

Fé e celebração
O encontro foi marcado fortemente com momentos intensos e bonitos de oração e celebração, preparados com primor e devoção. Destaque para quatro momentos fortes: A celebração inicial de acolhida da Palavra de Deus e consagração à Mãe Aparecida; a oração da noite de sexta ao redor de Santa Clara com dança circular, velas e mantras; a celebração da Palavra no sábado pela manhã em pequenos grupos e a Celebração eucarística de encerramento presidida pelo ministro provincial Frei Fidêncio, que esteve acompanhando o encontro como irmão entre os jovens. Ele destacou que a Celebração de encerramento tinha duas faces: “esta Missa é ação de graças por estes dias e por nossa caminhada e também de envio, pois encerra o encontro e nos devolve para nossa vida e nossa realidade, para onde voltaremos ainda mais entusiasmados.”
Na celebração de encerramento, além de agradecer e partilhar com os jovens palavras cheias de entusiasmo e ternura, Frei Fidêncio entregou para cada participante um boton com o logotipo da presença franciscana da JMJ.

Desafios
Sem dúvida o avivamento promovido pelo encontro trazs consigo também desafios aos jovens e frades na realidade da sua frente de evangelização, mas o encontro apontou especialmente dois que precisarão ser amadurecidos pela “nossa Província” como os jovens gostam de identificar, em parceria com a “nossa Juventude” como os frades a identificam:
- Esta iniciativa de trabalho com a juventude pode ter desencadeado um “efeito dominó”. Um desafio, apontado também pelos próprios jovens, é o de que a Província não busque construir um traço franciscano apenas no trabalho com eles, mas também junto a outras frentes de evangelização e outros agentes com a finalidade de imprimir a marca franciscana.
- As avaliações apontaram para o anseio e necessidade de um grupo misto de articulação deste trabalho junto com a juventude, formada por frades e jovens leigos. Tem-se a impressão de que este grupo qualificaria ainda mais as iniciativas já existentes e fortaleceria as bases.

O Almoço do dia 14 foi a despedida. Nos abraços ouviu-se muito a saudação “até o próximo!” Parecia confirmação de que o encontro foi bom e também desejo que um outro aconteça logo. E foi assim, sem perder de vista o ponto de partida, que jovens e frades voltaram para o chão de sua ação evangelizadora, sabendo ainda melhor aonde querem chegar.
Aos jovens e frades que trabalharam na organização do encontro, a gratidão e admiração dos participantes. Aos 127 jovens que deixaram tudo no feriadão da padroeira do Brasil os votos de que recebam 100 vezes mais. 
Paz e bem!
Frei Renato.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Como viver o Ano da Fé?




O Ano da Fé em perguntas e respostas!


Hoje, 11 de outubro começa o Ano da Fé, convocado por Bento XVI. Mas de que se trata? O que deseja o Santo Padre? O que se pode fazer? 

1. O que é o Ano da Fé?
O Ano da Fé "é um convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo" (Porta Fidei, 6).

2. Quando se inicia e quando termina?
Inicia-se a 11 de outubro de 2012 e terminará a 24 de novembro de 2013.

3. Por que nessas datas?
Em 11 de outubro coincidem dois aniversários: o 50º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II e o 20º aniversário da promulgação do Catecismo da Igreja Católica. O encerramento, em 24 de novembro, será a solenidade de Cristo Rei.

4. Por que é que o Papa convocou este ano?"
Enquanto que no passado era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes setores da sociedade, devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas". Por isso, o Papa convida para uma "autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo". O objetivo principal deste ano é que cada cristão "possa redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo".

5. Quais meios assinalou o Santo Padre?
Como expos no Motu Proprio "Porta Fidei": Intensificar a celebração da fé na liturgia, especialmente na Eucaristia; dar testemunho da própria fé; e redescobrir os conteúdos da própria fé, expostos principalmente no Catecismo.

6. Onde acontecerá?
Como disse Bento XVI, o alcance será universal. "Teremos oportunidade de confessar a fé no Senhor Ressuscitado nas nossas catedrais e nas igrejas do mundo inteiro, nas nossas casas e no meio das nossas famílias, para que cada um sinta fortemente a exigência de conhecer melhor e de transmitir às gerações futuras a fé de sempre. Neste Ano, tanto as comunidades religiosas como as comunidades paroquiais e todas as realidades eclesiais, antigas e novas, encontrarão forma de fazer publicamente profissão do Credo".

7. Onde encontrar indicações mais precisas?
Aí se propõe, por exemplo:
- Encorajar as peregrinações dos fiéis à Sede de Pedro;
- Organizar peregrinações, celebrações e reuniões nos principais Santuários.
- Realizar simpósios, congressos e reuniões que favoreçam o conhecimento dos conteúdos da doutrina da Igreja Católica e mantenham aberto o diálogo entre fé e razão.
- Ler ou reler os principais documentos do Concílio Vaticano II.
- Acolher com maior atenção as homilias, catequeses, discursos e outras intervenções do Santo Padre.
- Promover transmissões televisivas ou radiofônicas, filmes e publicações, inclusive a nível popular, acessíveis a um público amplo, sobre o tema da fé.
- Dar a conhecer os santos de cada território, autênticos testemunhos de fé.
- Fomentar o apreço pelo patrimônio artístico religioso.
- Preparar e divulgar material de caráter apologético para ajudar os fiéis a resolver as suas dúvidas.
- Eventos catequéticos para jovens que transmitam a beleza da fé.
- Aproximar-se com maior fé e frequência do sacramento da Penitência.
- Usar nas escolas ou colégios o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica.
- Organizar grupos de leitura do Catecismo e promover a sua difusão e venda.

8. Que documentos posso ler por agora?

9. Onde posso obter mais informação?
Visite o site: www.annusfidei.va
Da agência Zenit

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Oração a São Francisco, em forma de desabafo!



Oração a São Francisco, em forma de desabafo!
Dom Pedro Casaldáliga

Compadre Francisco como vais de glória?
E a comadre Clara, e a irmandade toda?

Nós, aqui na Terra, vamos mal vivendo, que a cobiça é grande e o amor pequeno.
O Amor divino é muito pouco amado e é flor de uma noite o amor humano. Metade do mundo definha de fome e a outra metade de medo da morte.

A sábia loucura do santo Evangelho tem poucos alunos que a levem a sério. Senhora Pobreza, perfeita alegria, andam mais nos livros que nas nossas vidas.

Há muitos caminhos que levam a Roma; Belém e o Calvário saíram da rota. Nossa Madre Igreja melhorou de modo, mas tem muita cúria e carisma pouco. Frades e conventos criaram vergonha, mas é mais no jeito que por via nova.

Muitos tecnocratas e poucos poetas. Muitos doutrinários e menos profetas.
Armas e aparelhos trustes e escritórios, planejam a história, manejam os povos.

A mãe natureza chora poluída, no ar e nas águas, nos céus e nas minas. Pássaros e flores morrem de amargura, e os lobos do espanto ganharam as ruas.

Murchou o estandarte da antiga arrogância. São de ódio e lucro as nossas cruzadas. Sucedem-se as guerras e os tratados sobram; sangue por petróleo os impérios trocam.

O mundo é tão velho que, para ser novo, compadre Francisco, só fazendo outro...

Quando Jesus Cristo e Nossa Senhora venham dar um jeito nesta terra nossa, compadre Francisco, tu faz uma força, e a comadre Clara
e a irmandade toda. 

Um ano todo de fé!

anodafé


Por dom Milton Kenan Júnior
 Na próxima semana, precisamente no dia 11 de outubro, o papa Bento XVI fará a abertura do “Ano da Fé”, em Roma, para comemorar com toda a Igreja os cinquenta anos da abertura do XXI Concílio Ecumênico Vaticano II e, os 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica. Dois acontecimentos importantes na metade do século XX, que continuam a repercutir no início do Novo Milênio e, cujos frutos ainda não foram plenamente ceifados.
Há aqueles a quem a convocação de um Ano da Fé pelo Papa Bento XVI cause estranheza. Qual a razão de ser desta iniciativa? Que sentido tem celebrar a fé, numa comemoração tão sugestiva como a celebração da abertura do Concílio Vaticano II e da publicação do Catecismo da Igreja Católica?
As razões que levaram o Papa a tomar esta iniciativa nós a encontramos na Carta Apostólica Porta Fidei, que o Bento XVI publicou há precisamente um ano, ou seja, aos 11 de outubro de 2011.
Já no início, o Papa diz que hoje há a “necessidade de redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo” (n.2).  Mais adiante, ele afirma que “o Ano da Fé é convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo” (n.6).
Falando da necessidade de confessar a fé no Senhor Ressuscitado, Bento XVI diz que é necessário “que cada um sinta fortemente a exigência de conhecer melhor e de transmitir às gerações futuras a fé de sempre” (n.8). Ele espera que“este Ano suscite, em cada crente, o anseio de confessar a fé plenamente e com renovada convicção, com confiança e esperança” (n.9).
Assim, “descobrir novamente os conteúdos da fé professada, celebrada, vivida e rezada, e refletir sobre o próprio ato com que se crê, é um compromisso que cada crente deve assumir, sobretudo neste Ano” (n.9).
Ao final, ele afirma que a fé “solícita em identificar os sinais dos tempos no hoje da história, a fé obriga cada um de nós a tornar-se sinal vivo da presença do Ressuscitado no mundo.” Pois, “aquilo de que o mundo tem hoje particular necessidade é o testemunho credível de quantos, iluminados na mente e no coração pela Palavra do Senhor, são capazes de abrir o coração e a mente de muitos outros ao desejo de Deus e da vida verdadeira, aquela que não tem fim” (n.15).
As palavras do Papa Bento XVI na carta Porta Fidei levam a Igreja a manter-se coerente com os caminhos apontados pelo Concílio Vaticano II e compendiados no Catecismo da Igreja Católica, ou seja, a convencer-se sempre mais que só iluminada e sustentada pela fé no Senhor Ressuscitado é que ela, a Igreja, pode manter-se fiel ao Evangelho.
Lendo a Carta Porta Fidei, somos levados a considerar a afirmação do Apóstolo São Paulo na sua Carta aos Romanos: “Mas como poderiam invocar aquele em quem não creram? E como poderiam crer naquele que não ouviram? E como poderiam ouvir sem pregador? E como podem pregar se não forem enviados? Conforme está escrito: Quão maravilhosos os pés dos que anunciam boas notícias” (Rm 10,14-15).
Lançar-se hoje na tarefa evangelizadora sem avaliar a própria fé seria, de certo, temeridade. A ação evangelizadora, pastoral e missionária da Igreja só alcança o seu objetivo se for alimentada por uma vida de fé profunda, por uma fé que informa a vida.
 O Papa está justamente chamando a Igreja, em primeiro lugar, a um exame de consciência e a uma retomada de posição diante do mundo, sustentada pela fé. O próprio São Paulo escrevendo aos coríntios dizia: “tendo o mesmo espírito de fé a respeito do qual está escrito: Acreditei, por isso falei, cremos também nós, e por isto falamos” (2Cor 4,13). É a fé que gera a pregação! Se nos falta a fé, nos falta o entusiasmo e facilmente deixamo-nos envolver pelas malhas do cansaço e do desânimo.
Torna-se urgente para a Igreja hoje, no dizer do Papa Bento XVI, redescobrir a fé; pois é a fé que gera e capacita as testemunhas de que o mundo hoje tem imensa necessidade!
O Papa diz que não podemos dar a fé como pressuposto (n.2), como algo que já existe e deve ser apenas incrementado. Não! Hoje, o mundo vive uma crise de fé, que leva as pessoas não só a negar a fé, mas também despreza-la. É necessário redescobri-la e, isso é tarefa de cada um! É tarefa que implica decisão, escolha, e testemunho. Uma decisão e escolha que ninguém poderá tomar em nosso lugar e, testemunho que cabe a cada um assumir e realizar.
A fé, ainda, implica conhecimento, ou seja, é um caminho que deve levar-nos a aprofundar sempre mais as verdades reveladas, contidas na Palavra de Deus, na Tradição da Igreja e explicitadas pelo Magistério. Ilude-se quem acredita que a fé resume-se a um sentimento pessoal de confiança e proteção. A fé vai além, ela exige conhecimento, aprofundamento, compreensão sempre maior e consequentemente testemunho de vida sempre mais coerente! (n.10).
Bento XVI diz que a fé não pode ficar reduzida à esfera do privado, ao âmbito das decisões pessoais, mas deve, ao contrário, manifestar-se publicamente, nas decisões que interfiram nos relacionamentos pessoais e comunitários e nas decisões políticas, onde a vida e o bem comum estão em jogo.
Acolher o convite do Papa Bento XVI, a “procurar a fé” (cf. 2Tm 2,22), nas comemorações dos cinquenta anos da abertura do Concílio Vaticano II e nos vinte anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, creio que é uma atitude profundamente coerente com o momento que vivemos e, ao mesmo tempo, com a herança que recebemos seja do Concílio como do Magistério recente da Igreja.
Se num primeiro momento pode causar estranheza, podemos dizer que ao final, abrir-se e aprofundar-se na fé torna-se uma experiência de profunda alegria e renovação, capaz de nos levar a ser mais autenticamente testemunhas de Jesus Cristo ressuscitado no mundo e no tempo que vivemos!
Dom Milton Kenan Júnior
Bispo Auxiliar de São Paulo
 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Missão Franciscana em Angola!

“Ide por todo o mundo, proclamai a Boa Nova a toda a criatura.” (Mc. 16,15)

Minha experiência missionária em Angola começou em Janeiro de 2011, hoje 20 meses depois, muitas coisas eu vi, vivi e senti. E é isso que posso em poucas palavras partilhar.

Diante das novidades e descobertas do início, pude ver as reais dificuldades que o povo enfrenta no seu dia - a – dia, desafios e dificuldades que o missionário também encontra, e que devem ser encaradas com coragem e disposição para que o desânimo e o pessimismo não ofusquem o olhar do missionário. Vi e senti desde o início o jeito simples, festivo e alegre do povo angolano, que não desespera diante dos desafios da vida, apesar das marcas negativas que a guerra deixou na alma do povo.
A manifestação da fé nas celebrações eucarísticas com suas danças, cantos em língua nacional, e o jeito próprio de louvar a Deus me cativaram e fizeram entender a centralidade e universalidade da fé em Jesus Cristo nosso Mestre e Senhor.

Ao longo do tempo de vivência na missão percebi que muitas vezes temos que despir o olhar e a mente daquilo que trazemos conosco de nossa cultura, costumes e modelos de pensamento, não como negação do que se é, mas como forma de abertura para o novo, o diferente, afim de que se possa entender o povo e seu jeito, sem preconceitos e com respeito. 

Nesse curto tempo como missionário na Fundação Imaculada Mãe de Deus de Angola aprendi dos angolanos valores significativos para minha formação de frade menor, tais como: família, vida, partilha, hospitalidade, respeito pelo outro, identidade cultural de um povo, etc. Hoje posso dizer com clareza que aprendi mais do que ensinei, ganhei mais do que dei, sorri mais do que chorei e em muitas outras coisas sempre recebi com abundância, comprovando a verdade do evangelho. “E todo aquele que deixar casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou campos por amor de meu nome receberá cem vezes mais e possuirá a vida eterna” (Mt,19,29).

Assim cabe agradecer a Deus Altíssimo e bom Senhor que acompanha e protege em todos os momentos da vida, aos confrades de longe e de perto que nos ajudam com suas orações, apoio e atenção. Que as palavras de nosso Pai Francisco “O nosso convento é o mundo” nos anime e encoraje no anuncio do evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo em nossa  Missão em Angola.

Frei Fábio José Gomes, OFM

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Especial São Francisco de Assis

Mensagem do Ministro Provincial: Frei Fidêncio Vanboemmel, OFM
Especial São Francisco de Assis, 4 de outubro

Grão puro no celeiro do sumo Rei

. Os companheiros de São Francisco, sejam os da primeira como os da segunda hora, aprenderam a admirá-lo como mestre-irmão e pai-companheiro de uma fraternidade cujo claustro tem a dimensão do mundo, desse mundo-universo que brotou da gratuidade do Altíssimo, Onipotente e Bom Senhor. Assim, cada um dos irmãos, especialmente os biógrafos do Santo de Assis, a partir do que viram e ouviram, formularam um conceito vital e fundamental acerca desse Homem de Deus.

Neste ano, em preparação à Solenidade de São Francisco, reli uma das biografias que encontramos nas Fontes Franciscanas. Trata-se da Vida de São Francisco, escrita pelo frade músico, cantor e poeta, Frei Juliano de Espira. De Frei Juliano de Espira aprendi a VER o Pai Seráfico com a sensibilidade da alma, própria de uma pessoa próxima aos companheiros da primeira hora e, ao que tudo indica, ele participou do translado dos restos mortais e da canonização do Poverello de Assis. Frei Juliano de Espira me fez VER Francisco desde a sua vida abastada “de bens passageiros”, e de como “a misericórdia divina” o colocou num crescendo espiritual, até o dia em que seu corpo, qual grão “livre da palha, entrou como grão puro no celeiro do sumo Rei” (n.70). 

Nesta trajetória, Francisco tornou-se o “mercador evangélico que vai à procura de boas pérolas, até encontrar uma preciosa”. E, ao encontrar esta “pérola no campo do Senhor, foi vender todos os seus bens para comprar o tesouro, junto com o campo”. Por ser este “mercador evangélico”, Francisco de Assis é aos olhos desse frade companheiro: o humilde desprezador de si mesmo, o servo de Deus, o pai companheiro, o santo homem, o homem de Deus, o fidelíssimo observante da pobreza, o homem católico e todo apostólico, o homem glorioso, o santo confessor de Cristo, o semeador da palavra divina, o homem impregnado de simplicidade columbina, o glorioso pai, o valente soldado de Cristo, o apóstolo de Cristo, enfim, o glorioso santo… Que nesta Solenidade, “este homem católico e todo apostólico” nos anime na nossa vocação evangélica e missão evangelizadora! 

Que este “grão puro no celeiro do sumo Rei”, morto para a vida mortal e “unido ao Pão Vivo, possa nos saciar no celeiro da pobreza”, para que nunca desfaleçamos no caminho da nossa itinerância evangélica e, assim, façamos bem feito a nossa parte!
Que o Senhor o abençoe e o guarde!
Viva São Francisco!!!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Ele foi o que não somos e o que no fundo, gostaríamos de ser!



A beleza de uma vida!

Houve um homem que se enchia de inefável gozo ao se sentir abraçado pelo Sol e vigiado pela Lua, aos quais chamava de irmão e irmã. Seus olhos reluziam perante a vastidão silenciosa das estrelas e seu coração transbordava ao aspirar a fragância das flores. Ao encontrar plantas e frutos, ajoelhava-se, reverente, como se curva junto a uma criança. Falava com a relva, conversava com as árvores, segredava às pedras, deixava-se acariciar pelo vento e parecia aplacar o vigor das chamas quando evocava seu parentesco cósmico com o fogo.
Esse homem nunca estudou astrofísica e jamais soube que nas águas dos rios lateja o mesmo oxigênio, expirado pelas estrelas, que flui em nossa corrente sanguínea, bombeando-nos vida. Porém, havia nele uma conatural empatia com toda a Criação. Apaixonado por Deus, sabia-se em comunhão com o Cosmo. Andarilho, o sabor do mel era, para o seu paladar, um dom tão precioso quanto a escuridão da noite para seus olhos e o lamento famélico dos lobos para seus ouvidos. Tudo evocava a maravilha do Criador: o canto das cigarras, a sinuosidade rastejante dos répteis, o rugir dos trovões, o pó das estradas.
Ele nasceu num povoado italiano, há cerca de 800 anos. Sonhou ser rico como o pai, cavaleiro como os jovens de sua geração, monge como os que renunciavam ao mundo. Embebido do Evangelho de Jesus, evitou as três possibilidades. Despiu-se da roupa tecida na manufatura de seu pai, pioneiro do capitalismo, e abraçou a vida despojada das primeiras vítimas coletivas do novo modo de produção: os pobres.
Como ele mesmo disse, Deus o destinara a ser "louco no mundo". Loucura que o levava a comer do mesmo prato dos doentes, a preterir armas e cavalos em favor da ternura e da pregação itinerante. Seu mosteiro eram os caminhos e as vilas, os bosques e as montanhas. Companheiro de Clara, tudo nele era fé e festa, expressão indelével do Eros, ágape místico. Cantava a dor e o riso e referia-se à morte como irmã.
Seu pai batizou-o como Francisco, aquele que vem da França, em homenagem à metrópole européia da época. Mas ele preferiu trocar os privilégios pelas efusões do espírito, que sopra onde quer e como quer. Em 4 de outubro os cristãos comemoram a sua festa, recordando que, em 45 anos de vida, São Francisco de Assis nos deixou um testemunho de liberdade que ainda ressoa como paradigma de futuro.
Ele foi o que não somos e o que no fundo, gostaríamos de ser.

Frei Betto é religioso dominicano e assessor de movimentos sociais.