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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Nosso Francisco de Assis!



Desde muito cedo, me senti atraído pela vida e pelo exemplo de um homem que há mais de 800 anos encanta jovens, homens e mulheres, de todo o mundo. Um homem que foi exemplo de santidade, de simplicidade, de pobreza, de desapego, enfim, um homem testemunho a ser seguido por todos aqueles que sonham um mundo mais justo e fraterno. Estou falando de Francisco de Assis, santo que entendeu muito bem a proposta de Jesus Cristo e o seguimento do Evangelho.
         Falar deste santo, é falar da fraternidade universal, é celebrar o entrelaçamento existente entre todos os seres e a natureza, é degustar a harmonia e a comunhão que emanam da criação, é ver tudo e todos como irmãos e irmãs. Não é a toa que o dia 4 de outubro é celebrado mundialmente como o dia da ecologia. Entender o mundo, como uma grande fraternidade, onde cada ser depende do outro, é entender que somos uma grande família de irmãos e irmãs. Todos, vivendo juntos e dependendo da mesma casa, o nosso mundo.
O "milagre evangélico" de nome Francisco nasceu quando ele substituiu a eficiência de uma vida baseada sobre o comércio e a acumulação, o ideal de ser nobre e cavaleiro que todos sabiam que tinha, pela imagem do Cristo pobre, pela imagem de um Deus que se revela na pobreza, na fragilidade, no desapegar-se de tudo, no mais radical dom de si: "O Filho do homem não tem onde pousar a cabeça".
Nessa "insegurança" vivida pelo Filho de Deus na terra, o santo de Assis encontrou sua segurança, o ponto de referência, o horizonte claro, tão fascinante, tão nítido que tudo em torno dele mudou de rosto e de significado. Nascem relações novas, profundas, livres e libertadoras. Tudo é potencializado: suas intuições sempre novas, sua afetividade sem limites, sua fantasia simbólica que, ano após ano, se torna cada vez mais audaz e confiante. Tudo é vivido em simplicidade e unidade, olhando para o horizonte determinante: "Agora posso dizer com liberdade: Pai nosso que estais nos céus". Sua pobreza é fazer nele espaço ao Espírito, que multiplica a capacidade criativa que vem de Deus e só de Deus.
"Francisco, diz o primeiro biógrafo, parecia um homem do outro mundo" (1Cel 36): de um mundo mais humano, fraterno, respeitoso, solidário; o mundo que todos desejamos e com o qual sonhamos. Poderia ser o mundo do terceiro milênio, se não suportássemos passivamente as imposições de uma economia egocêntrica e acumulativa que nos são impostas, mas se entendêssemos, com um coração renovado, o projeto originário de Deus em nós. É essencial reapropriar-nos, com entusiasmo, da novidade da mensagem do Evangelho transmitida pelo original fascínio de Francisco, dando-lhe novas formas mais transparentes, mais significativas, encontrando "odres novos para o vinho novo", de tal maneira que a nossa vida seja um anúncio coerente Daquele em quem pusemos nossa esperança.
A cada um de nós, homem ou mulher, é dirigido o recado que o Pobrezinho de Assis, deixou na hora da morte: "Eu fiz a minha parte, Cristo vos ensine a fazer a vossa" (2Cel 214).
Terminando este pequeno texto, cito duas frases, ditas por grandes homens, contemporâneos a nós, e, que traduzem muito bem tudo o que tentou-se dizer acima:

·         “Deus estava contente ao criar Francisco de Assis.” Dom Resende – 2º Bispo de Belo Horizonte;
·         “Francisco, o mundo tem saudades de ti.” João Paulo II;

Teria muito ainda a falar de São Francisco, contudo, sua vida não se esgotaria nestas poucas linhas. Deixo aqui meu abraço mais sincero e os desejos de que Francisco nos ajude cada dia a fazermos nossa parte, no ajude sempre a entendermos o mundo em que vivemos como uma fraternidade e que consigamos olhar para o nosso lado, e ver que além de nós mesmos, existem sempre aqueles e aquelas que precisam de nós, do nosso gesto de carinho e da nossa mão estendida.

Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM