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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Dia de São Jeronimo – Dia da Bíblia

Queridos amigos, benfeitores, colaboradores
Paz e Bem!

Final de semana, final de mês, setembro vai se despedindo da gente. Outubro se aproximo, as festas de São Francisco por todo o Brasil, Nossa Senhora Aparecida, São Judas, Santa Teresa, Terezinha e tantos outros...
No próximo domingo, é também o dia de São Jeronimo, aquele que traduziu a Bíblia pela primeira vez para a língua latina e assim fez com que a Palavra de Deus pudesse atingir muito mais pessoas. São Jeronimo é lembrado como o tradutor da Bíblia e sua imagem é representada por um velho homem que escreve, traduz, guiado pela luz do Alto.
E a liturgia dominical é uma convite ao diálogo, a abertura ao outro, à compreensão, celebrando portanto a ação universal de Deus, que quer salvar a todos. Ele está presente em todos os povos, culturas, religiões. Ele age na igreja e além da Igreja. Deus vai espalhando e deixando os sinais de sua presença e as marcas de sua ação em todos os seres humanos, em todos os povos.
Não podemos nos fechar em nossa Igreja e não querer enxergar o que existe de bom fora dela. A liturgia deste fim de semana é um convite para o ecumenismo, o dialogo, a colaboração com todos os que procuram o bem, a justiça, a paz, um mundo mais humano. 
O mesmo Jesus que, em outra passagem do Evangelho diz: “Quem não está contra mim, diz aqui: “Quem não é contra nós, é a nosso favor”. No primeiro caso, trata-se da adesão do discípulo, que deve ser consciente, convicta, total. No outro, da abertura, da valorização do outro, do dialogo, da colaboração.
Que Jesus nos ensine a sermos mais compreensivos com os outros, com as outras religiões, com aqueles que buscam neste mundo a realização plena e verdadeira do Reino de Deus.
Que o Senhor nos abençoe.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

2° Encontro de Benfeitores Franciscanos em Ituporanga – SC


Na manhã do dia 23 de setembro, fui ao Seminário São Francisco de Assis em Ituporanga - SC, para o 2º Encontro dos Benfeitores Franciscanos realizado pelo Pró–Vocações.
A chegada dos Benfeitores foi se dando aos poucos, uns de longe, outros de perto e outros ainda de bem perto, mas todos foram acolhidos com o mesmo entusiasmo e alegria pelos seminaristas que ali se fazem presente e que já haviam preparado o ambiente e um café delicioso com muito carinho para que todos se sentissem em casa. 
    Em seguida fomos à capela para o segundo momento do encontro: a santa Missa, presidida por Frei Gilberto Silva e concelebrada por Frei Anselmo Julio München. Missa em Ação de Graças, que teve momentos intensos de reflexão.
       Frei Gilberto nos fez pensar sobre que mesmo as pequenas coisas que fizermos juntando todas as ações podem transformar-se em algo belo e grandioso. Cada um de nós é especial e tem o dom de ajudar, basta querer que o pouco pode transformar-se em muito. 
      Terminando a Missa houve um momento em que Frei Gilberto e Frei Alexandre Rohling nos presentearam com uma faixa escrita PAZ, onde sabemos e entendemos que realmente o mundo necessita dessa Paz, paz de espírito, dessa paz que acalma a alma, dessa paz que faça com que olhamos para o nosso irmão com carinho e respeito. E numa simples caminhada, mas com a alma e o coração aberto nos dirigimos para o salão para mais uma etapa do encontro.
  A vida é feita de momentos, e foi assim que pude perceber o quão gratificante é ser um benfeitor franciscano. Os vídeos que Frei Juliano e Frei Gabriel passaram além de mostrar as atividades que são realizadas ao longo da caminhada nos mostraram a simplicidade da vida, o ser feliz, e fazer as pessoas felizes, momentos de emoção e recordações. A cada segundo os vídeos nos transmitiam a espiritualidade e o carisma franciscano. 
  Ficou claro que o encontro tem como objetivo o engajamento de outros benfeitores, para que cada vez mais, as casas de formação sejam mantidas e para que se possa difundir o carisma de Francisco de Assis, que vai além-mar, é sabido, no trabalho realizado em Angola.
  Escutar a história da vocação de Frei Juliano e Frei Gabriel me fez pensar e acreditar ainda mais que nunca devemos desistir de nossos sonhos, cada um de nós tem uma vocação e só nos resta descobrir e lutar por ela.
    Com o coração cheio de alegria e esperança digo que este encontro além de unir as pessoas pelos laços da Fé, da solidariedade e da partilha, faz com que saíssemos de lá com um pouquinho do carisma e da espiritualidade de São Francisco de Assis.
    O momento com Maria foi maravilhoso, as palavras soam aos nossos ouvidos e nos acalenta a alma. Participar desse encontro foi maravilhoso, saber que um pouquinho que ajudamos para eles se torna muito, ver no sorriso e o brilho nos olhos das pessoas que ali se encontravam simplesmente não tem como descrever. É único e mágico. Me senti realizada e plenamente cheia de esperança e fé embebida em poder compartilhar tudo o que presenciei neste encontro e sair pelo mundo e partilhar o carisma franciscano enchendo o mundo de PAZ E BEM.
       Para finalizar esse encontro, um saboroso almoço nos foi oferecido.
Daniela Carvalho – Benfeitora de Atalanta - SC

Depoimentos...

Escrevo só para dizer que, minha esposa e eu, gostamos muito de conhecer os freis que promoveram o Encontro de Benfeitores em Ituporanga, no dia 23 de setembro de 2012. Gostamos da animação e palavras de carinho do Frei Alexandre, da simplicidade e das palavras sábias do Frei Gilberto, que  celebrou a Missa e também  do encontro no teatro, com a apresentação da vida franciscana e dos futuros frades, pelos Freis Juliano e Gabriel. Enfim, nossa colaboração ao Pró- Vocações e Missões Franciscanas nos enchem de orgulho e felicidades. Um abração a todos.

Jurandir e Margarete. 
Balneário Camboriú – SC

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Nosso Francisco de Assis!



Desde muito cedo, me senti atraído pela vida e pelo exemplo de um homem que há mais de 800 anos encanta jovens, homens e mulheres, de todo o mundo. Um homem que foi exemplo de santidade, de simplicidade, de pobreza, de desapego, enfim, um homem testemunho a ser seguido por todos aqueles que sonham um mundo mais justo e fraterno. Estou falando de Francisco de Assis, santo que entendeu muito bem a proposta de Jesus Cristo e o seguimento do Evangelho.
         Falar deste santo, é falar da fraternidade universal, é celebrar o entrelaçamento existente entre todos os seres e a natureza, é degustar a harmonia e a comunhão que emanam da criação, é ver tudo e todos como irmãos e irmãs. Não é a toa que o dia 4 de outubro é celebrado mundialmente como o dia da ecologia. Entender o mundo, como uma grande fraternidade, onde cada ser depende do outro, é entender que somos uma grande família de irmãos e irmãs. Todos, vivendo juntos e dependendo da mesma casa, o nosso mundo.
O "milagre evangélico" de nome Francisco nasceu quando ele substituiu a eficiência de uma vida baseada sobre o comércio e a acumulação, o ideal de ser nobre e cavaleiro que todos sabiam que tinha, pela imagem do Cristo pobre, pela imagem de um Deus que se revela na pobreza, na fragilidade, no desapegar-se de tudo, no mais radical dom de si: "O Filho do homem não tem onde pousar a cabeça".
Nessa "insegurança" vivida pelo Filho de Deus na terra, o santo de Assis encontrou sua segurança, o ponto de referência, o horizonte claro, tão fascinante, tão nítido que tudo em torno dele mudou de rosto e de significado. Nascem relações novas, profundas, livres e libertadoras. Tudo é potencializado: suas intuições sempre novas, sua afetividade sem limites, sua fantasia simbólica que, ano após ano, se torna cada vez mais audaz e confiante. Tudo é vivido em simplicidade e unidade, olhando para o horizonte determinante: "Agora posso dizer com liberdade: Pai nosso que estais nos céus". Sua pobreza é fazer nele espaço ao Espírito, que multiplica a capacidade criativa que vem de Deus e só de Deus.
"Francisco, diz o primeiro biógrafo, parecia um homem do outro mundo" (1Cel 36): de um mundo mais humano, fraterno, respeitoso, solidário; o mundo que todos desejamos e com o qual sonhamos. Poderia ser o mundo do terceiro milênio, se não suportássemos passivamente as imposições de uma economia egocêntrica e acumulativa que nos são impostas, mas se entendêssemos, com um coração renovado, o projeto originário de Deus em nós. É essencial reapropriar-nos, com entusiasmo, da novidade da mensagem do Evangelho transmitida pelo original fascínio de Francisco, dando-lhe novas formas mais transparentes, mais significativas, encontrando "odres novos para o vinho novo", de tal maneira que a nossa vida seja um anúncio coerente Daquele em quem pusemos nossa esperança.
A cada um de nós, homem ou mulher, é dirigido o recado que o Pobrezinho de Assis, deixou na hora da morte: "Eu fiz a minha parte, Cristo vos ensine a fazer a vossa" (2Cel 214).
Terminando este pequeno texto, cito duas frases, ditas por grandes homens, contemporâneos a nós, e, que traduzem muito bem tudo o que tentou-se dizer acima:

·         “Deus estava contente ao criar Francisco de Assis.” Dom Resende – 2º Bispo de Belo Horizonte;
·         “Francisco, o mundo tem saudades de ti.” João Paulo II;

Teria muito ainda a falar de São Francisco, contudo, sua vida não se esgotaria nestas poucas linhas. Deixo aqui meu abraço mais sincero e os desejos de que Francisco nos ajude cada dia a fazermos nossa parte, no ajude sempre a entendermos o mundo em que vivemos como uma fraternidade e que consigamos olhar para o nosso lado, e ver que além de nós mesmos, existem sempre aqueles e aquelas que precisam de nós, do nosso gesto de carinho e da nossa mão estendida.

Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM




sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Evangelho Dominical



Meus queridos irmãos e irmãs
Paz e Bem!

Acolho a todos com carinho aqui na nossa TV Franciscanos. Que bom saber que você nos escuta todos os fins de semana, que você tem vontade de fazer da Palavra de Deus parte integrante de sua vida. E que bom que você nos deixa entrar na sua casa. Pouco a pouco vamos fazendo deste espaço um lugar de evangelização e de partilha. Se quiser nos conhecer melhor, acesse nosso site: pvf.com.br que foi todo reformulado e está cheio de novidades.
A liturgia de hoje, denuncia o desejo de poder dos discípulos e celebra a pequenez, a pobreza, o humilde serviço de Jesus. Todo mundo é tentado pelo poder, pela riqueza, pelo prestigio, pela fama. Os discípulos também. Na comunidade de Jesus, ninguém deve procurar o primeiro lugar, mas o ultimo; minguem deve buscar honrarias, mas generosidade, doação, humildade.
Os discípulos tem dificuldade em compreender que o caminho da salvação passa pela negação de si, pelo serviço, pela entrega de vida, pela morte. A imagem que eles tem do Messias está misturada com ideias de poder, gloria, prestigio. Já estão dividindo entre si os ministérios. A lógica de Jesus é bem outra. Sendo assim o melhor lugar é mesmo o ultimo, o de Jesus, que se fez servo de todos, que tirou o manto e amarrou um avental na cintura, que lavou os pés.
Difícil entender isso né? Ou melhor, difícil aceitar e colocar em prática um ensinamento que nos pede para sermos pequenos como crianças. Que no final de nossas vidas, quando eles nos perguntar: O que discutíeis pelo caminho? Que a nossa reação seja um pouco melhor do que a reação dos discípulos. 
Que o Senhor nos abençoe.

Santo do Dia: São Mateus






Mateus Evangelista (מתי/מתתיהו, "Dom de Javé" ou "Presente de Deus", hebraico padrão e vocalização de Tibérias: Mattay ou Mattiyahu; grego da Septuaginta Ματθαιος, Matthaios; grego moderno: Ματθαίος, Matthaíos) é, pelo relato dos Padres da Igreja, o autor do Evangelho de Mateus e um dos Doze Apóstolos.

Entre os primeiros seguidores e apóstolos de Jesus, Mateus é mencionado em Mateus 9:9 e Mateus 10:3 como tendo sido um coletor de impostos de Cafarnaum que foi convidado para o círculo dos Doze por Jesus. Ele também é mencionado como um dos doze apóstolos, embora sem a menção de sua profissão anterior, em Marcos 3:18, Lucas 6:15 e Atos 1:13. Ele é geralmente identificado como sendo o Levi, filho de Alfeu, também coletor de impostos e que é citado em Marcos 2:14 e Lucas 5:27.


Durante a ocupação romana, que iniciou em 63 a.C. com a conquista de Pompeu, Mateus coletava impostos do povo hebreu para Herodes Antipas, o tetrarca da Galileia. Sua coletoria estava localizada em Cafarnaum. Judeus que enriqueciam desta maneira era desprezados e considerados párias. Porém, como um coletor de impostos, ele deve ter alfabetizado em aramaico (ainda que provavelmente não em grego e nem em latim).

Foi neste cenário, perto de onde hoje está Almagor, que Jesus convidou Mateus para ser um dos Doze Apóstolos. Após o chamado, Mateus convidou Jesus para um banquete em sua casa. Ao ver isto, os escribas e os fariseus criticaram Jesus por cear com coletores de impostos e pecadores. A provocação fez Jesus responder, «Não vim chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento.» (Lucas 5:29) 

O ministério de Mateus no Novo Testamento é bastante complexo de atestar. Quando ele é mencionado, é geralmente junto com Tomé. Como discípulo, ele seguiu Cristo e foi uma das testemunhas da Ressurreição e da Ascensão. Depois, Mateus, Maria, Tiago e outros seguidores próximos a Jesus se recolheram ao cenáculo em Jerusalém. Na mesma época, Tiago[a] sucedeu a Jesus como líder da igreja de Jerusalém. 

Eles permaneceram nas redondezas de Jerusalém e proclamaram que Jesus, filho de José, era o Messias prometido nas profecias. Acredita-se que estes primeiros cristãos judeus eram chamados de nazarenos. É quase certo que Mateus era um deles, uma vez que tanto o Novo Testamento quanto o Talmud assim atestam. 

Mateus pregou por quinze anos o Evangelho em hebraico para a comunidade judaica na Judeia. Mais tarde, ele viajaria pelas nações gentias (presumivelmente seguindo o ordenamento de Jesus em Mateus 28:16-20) e espalhou os ensinamentos de Jesus entre os etíopes, macedonianos, persas e partos. Acredita-se também que ele tenha morrido uma morte natural, na Etiópia ou na Macedônia[quem?]. Porém, tanto a Igreja Católica quanto a Ortodoxa sustentam a crença tradicional de que ele tenha morrido mártir. 

O Evangelho de Mateus 
Ícone de São Mateus. 

Os cristãos do tempo de Mateus ainda se consideravam judeus e, como tais, eles adoravam no Templo:pp. 957 & 722 e reverenciavam e Lei dada por Deus a Moisés. Eles também reverenciavam uma tradição oral chamada Torah Shebeal Peh, que interpretava a lei escrita. Foi neste contexto cultural (chamado de Sitz im Leben) que a tradição oral cristã nasceu, conforme Jesus e rabinos cristãos desenvolveram a "mensagem" (evangelios) oral interpretando a lei escrita. 

Quando o Segundo Templo em Jerusalém foi destruído em 70 d.C., esta tradição oral não era mais possível e se tornou necessário escrevê-la, o que ocorreu na Mishnah (parte do que seria posteriormente o Talmude). Acredita-se que Mateus traduziu a "tradição oral cristã" (ou Logia) na forma escrita antes de partir para Roma. 

Orígenes afirma que o primeiro evangelho foi escrito por Mateus. Este evangelho foi escrito em hebraico em Jerusalém para ser utilizado por cristãos-judeus e traduzido para o grego, embora esta não tenha sobrevivido. Uma cópia do original hebraico era mantido na Biblioteca Teológica de Cesareia Marítima. A comunidade nazarena transcreveu uma cópia para Jerónimo, que a utilizou em sua obra De Viris Illustribus. O Evangelho de Mateus era então chamado de "Evangelho dos Hebreus" ou, às vezes, "Evangelho dos Apóstolos" e acredita-se que ele foi o original "Mateus grego" encontrado na Bíblia. Porém, esta interpretação foi contestada por estudiosos modernos como Bart Ehrman e James Edwards. 

Os padres da Igreja Epifânio de Salamina e Jerônimo de Strídon mencionam um evangelho primordial, o hoje perdido Evangelho dos Hebreus, que foi parcialmente preservado nos escritos deles, e que teria sido escrito por Mateus. Epifânio porém não afirma por si que o autor seria Mateus, ele apenas afirma que esta era a crença dos heréticos Ebionitas. Muitos estudiosos hoje em dia, notavelmente Raymond E. Brown, acreditam que "o evangelho canônico de Mateus foi escrito em grego por alguém que não foi testemunha ocular e cujo nome é desconhecido para nós e que dependia de fontes como o Evangelho de Marcos e a fonte Q", uma teoria conhecida como Prioridade de Marcos. Há opiniões divergentes, como a de Craig Blomberg.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Hoje comemora-se a Impressão das Chagas de São Francisco!


No dia 17 de setembro a Família Franciscana celebra, em todo o mundo, a festa da impressão das Chagas, também chamada de Estigmas de São Francisco de Assis. A introdução litúrgica da Missa e Liturgia das Horas diz o seguinte:

“O Seráfico Pai Francisco, desde o início de sua conversão, dedicou-se de uma maneira toda especial à devoção e veneração do Cristo crucificado, devoção que até a morte ele inculcava a todos por palavras e exemplo. Quando, em 1224, Francisco se abismava em profunda contemplação no Monte Alverne (foto abaixo), por um admirável e estupendo prodígio, o Senhor Jesus imprimiu-lhe no corpo as chagas de sua paixão. O Papa Bento XI concedeu à Ordem dos Frades Menores que todos os anos, neste dia, celebrasse, no grau de festa, a memória de tão memorável prodígio, comprovado pelos mais fidedignos testemunhos.”

A vida de Francisco no Alverne é oração e ininterrupta penitência. Sente-se pobre e pecador. Quer despojar-se de tudo. Renuncia até mesmo a um manto que tinha sido salvo do fogo, a única coisa que tinha para cobrir-se durante o breve repouso da noite. Francisco voltará muitas vezes ao Alverne para encontrar a paz em Deus que a situação da Ordem e o fato de estar no meio dos homens não lhe davam e entregar-se de corpo e alma à oração.

No verão de 1224, última vez que esteve no Alverne, Francisco procura um lugar ainda mais “solitário e secreto” no qual possa mais reservadamente fazer a quaresma de São Miguel Arcanjo. Na manhã de 14 de setembro de 1224 os céus se abrem e Cristo crucificado desce ao Monte Alverne na forma de uma serafim.

O sentido e o significado das Chagas
Frei Régis G. Ribeiro Daher

Mais do que desvendar o caráter histórico das Chagas de São Francisco, importa refletir sobre a experiência de vida que se esconde sobre este fato. O que significa a expressão de Celano “levava a cruz enraizada em seu coração”? O que isso significou para o próprio Francisco? Há um significado para nós hoje, naquilo que com ele ocorreu?

Um erro comum é o de ver São Francisco como uma figura acabada, pronta, sem olhar para a caminhada que ele fez até chegar à semelhança perfeita (configuração) com o Cristo. O que ocorreu no Monte Alverne é o cume de toda uma vida, de uma busca incessante de Francisco em “seguir as pegadas de Jesus Cristo”. Francisco lançou-se numa aventura, sem tréguas, na qual deu tudo de si: a vontade, a inteligência e o amor. As chagas significam que Deus é Senhor de sua vida. Deus encontrou nele a plena abertura e a máxima liberdade para sua presença.

O segundo significado das chagas é o de que Deus não é alienação para o ser humano, ao contrário, é sua plena realização e salvação. Colocando-se como centro da própria vida é que o homem se aliena e se destrói; torna-se absurdo para si mesmo no fechamento do seu ‘ego’. O homem só encontra sua verdadeira identidade, sua própria consistência e o sentido de sua existência em Deus. E Francisco fez esta descoberta: Jesus Cristo foi crucificado em razão de seu amor pela humanidade – “amou-os até o fim” – , e ele percorre este mesmo caminho.

O terceiro significado: as chagas expressam que a vivência concreta do amor deixa marcas. A exemplo de Cristo, Francisco quis suportar/carregar e amar os irmãos para além do bem e do mal (amor incondicional). Essa atitude o levou a respeitar e acolher o ‘negativo’ dos outros mantendo a fraternidade apesar das divisões. Esse acolher e integrar o negativo da vida é a única forma de vencer o ‘diabólico’, rompendo com o farisaísmo e a autosuficiência, aniquilando o mal na própria carne. Só assim, o homem é de fato livre, porque não apenas suporta, mas ama e abraça o negativo que está em si e nos outros.

O quarto significado: seguir o Cristo implica em morrer um pouco a cada dia: “Quem quiser ser meu discípulo, tome a sua cruz a cada dia e me siga” (Lc 9,23). Não vivemos num mundo que queremos, mas naquele que nos é imposto. Não fazemos tudo o que desejamos, mas aquilo que é possível e permitido. Somos chamados a viver alegremente mesmo com aquilo que nos incomoda, vencendo-se a si mesmo e integrando o ‘negativo’, de modo que ele seja superado. Nós seremos nós mesmos na mesma medida em que formos capazes de assumir nossa cruz. As chagas de São Francisco são as chagas de Cristo, e elas nos desafiam: ninguém pode conservar-se neutro, sem resposta diante da vida.

São Francisco não contentou-se em unicamente seguir o Cristo. No seu encantamento com a pessoa do Filho de Deus, assemelhou-se e configurou-se com Ele. Este seu modo de viver está expresso na “perfeita alegria”, tema central da espiritualidade franciscana: “Acima de todos os dons e graças do Espírito Santo, está o de vencer-se a si mesmo, porque dos todos outros dons não podemos nos gloriar, mas na cruz da tribulação de cada sofrimento nós podemos nos gloriar porque isso é nosso”.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Reflexão Dominical


24º Domingo do Tempo Comum
Sexta – Exaltação da Santa Cruz
Sábado – Nossa Senhora das Dores

Caríssimos irmãos e irmãs
Paz e Bem!
Mais um final de semana chegando, e nós aqui nos encontramos para partilhar a Palavra, aprender um pouco mais com ela, transformá-la em prática de nossas vidas. No fundo, o que queremos é fazer com que a Sagrada Escritura possa neste mês da Bíblia e sempre, se tornar para nós uma fonte de onde aprendemos a ser melhores e a viver aquilo que o Senhor nos ensina.
Neste fim de semana, de forma particular, celebramos algumas festas significativas da Igreja. A começar pela sexta feira onde recordamos a Exaltação da Santa Cruz, uma festa que nos remete àquela Sexta Feira Santa, onde o Cristo, na cruz pendente nos remiu e dela nos trouxe a Salvação. Elevado da terra, como havia, atrairá todos a ele. A cruz agora é sinal de vitória, de ressurreição, de vida.
No dia seguinte, e profundamente ligada a o dia anterios, recordamos o dia de Maria, sob o titulo de Nossa Senhora das Dores. Uma mãe que vive com seu filho os momentos mais difíceis. Saber que ele foi preso, ve-lo condenado injustamente à morte, acompanha-lo no caminho do Calvário, recebe-lo frio em seus braços trêmulos, deposita-lo no sepulcro. São as dores de Maria. Atirada nos abismos da dor com Ele, ressurgirá com alegria incontida na manhã do primeiro dia da semana. É por tudo isso, que ela consegue entender nossas dores e é invocada nos momentos que mais precisamos. A mãe das Dores, se torna hoje a mãe de nossas dores.
Enfim, o evangelho nos remete àquele bonita conversa entre os discípulos e Jesus. Uma conversa que vai terminar numa afirmação categórica e decidida de Pedro: “Tu és o Messias”. Contudo, no mesmo evangelho, o lado humano de Pedro também fala e recebe do Senhor uma grande lição. Entender o Messias como alguém que deveria sofrer, ser condenado, não aceito, é algo muito difícil para os discípulos, o que exigiu muito deles, afinal, como todos em Israel, eles esperam Senhor glorioso, todo poderoso.
O cristianismo antes de ser uma religião, uma doutrina, uma moral, é acima de tudo a resposta que damos a pergunta de Jesus: quem sou eu pra você? Não basta saber quem é Jesus, é preciso saber o que ele é para nós.
Quem é Jesus para você? O que Ele significa pra você? Que peso tem Ele na sua vida? Que lugar Ele ocupa?
Que Ele nos ajude a darmos a Ele a melhor resposta.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Reze conosco!



ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES FRANCISCANAS

Senhor da messe, que despertas os corações para o serviço e a solidariedade, faz surgir entre os jovens, vocações para manter a vida e a missão franciscana, espalhada pelo mundo inteiro.
Que o clamor do teu povo e a busca dos frades de viver o Evangelho na forma vivida e proposta por São Francisco de Assis, façam surgir, com a tua graça, novos “Irmãos Menores”, para o serviço da igreja de teu filho.
Amém.

domingo, 9 de setembro de 2012

Celebrar a criação!



O início de setembro é consagrado por algumas Igrejas ortodoxas para celebrar a natureza como criação divina. As Igrejas antigas celebram a história das manifestações divinas no mundo durante o ciclo anual chamado “ano litúrgico”. As memórias dos acontecimentos da fé se centram na vida de Jesus, desde o seu nascimento (o Natal) até sua ressurreição (Páscoa) e a vinda do Espírito dado à humanidade (Pentecostes).
Há algumas décadas, por uma proposta do patriarca de Constantinopla, várias Igrejas orientais consagram o primeiro dia desse mês ou o primeiro domingo de setembro como “dia da criação”. Não se trata de uma memória do que teria sido o começo do universo ou do planeta terra. Os livros bíblicos que falam da criação não têm a finalidade de descrever a história. Relatam mitos e poemas comuns a vários povos antigos para revelar que Deus tem um projeto para esse mundo e confia esse plano ao ser humano como seu guardião e zelador. Por isso, o início de setembro, celebrado a cada ano pelos ortodoxos, não visa lembrar a origem do mundo, nem menos ainda contrapor a visão bíblica com teorias científicas atuais. Nem é questão de optar pelo criacionismo contra a teoria hoje comprovada do evolucionismo.
Cada vez mais compreendemos que não compete à fé ou a livros sagrados substituir a investigação científica. Seria como quem acredita em milagre condenar a medicina. O objetivo de celebrar a criação é convidar toda a humanidade a olhar a natureza como expressão do amor divino e lugar onde sempre podemos encontrar o Espírito e servi-lo no cuidado uns com os outros e com todos os outros seres do universo.
“A Cosmologia é a ciência cujo objetivo é descrever e tornar compreensível, de acordo com as leis da física, as propriedades típicas do Universo, considerado como um todo”, diz Mário Novello, cosmólogo brasileiro. Ele explica que o Universo se identifica com a totalidade do espaço, do tempo, da matéria e da energia. Hoje, essa ciência nos mostra que o universo continua em expansão e cada vez mais rápida. A Criação está incompleta. É um processo e este processo está se acelerando. Esta aceleração do universo é associada a uma substância estranha que se convencionou chamar de “energia escura”, por enquanto, indetectável.
Ninguém sabe bem o que é exatamente essa energia escura, de que é feita e quais suas leis. Se há cem anos, a ciência se julgava dona de todos os enigmas e com resposta para tudo, hoje, deve ser humilde e reconhecer essa parte de desconhecido que alguns cosmólogos não hesitam em chamar de “mistério”, linguagem que, na história, se tornou um termo teológico e comum ao universo religioso. Aí é a ciência que também tem de se reconhecer incompleta e aberta para aprender. Dizer que o universo contém mistérios, não quer dizer que tais elementos são de natureza incompreensível, nem que a ciência abra mão de penetrá-los. Apenas que, atualmente, não os domina.
Para a fé judaico-cristã, Deus se manifesta à medida que revela o seu projeto de vida e amor para o mundo. Ao propor sua aliança ou como mais tarde os evangelhos chamarão “o seu reino” é que passamos a conhecer alguma coisa sobre Deus. “Eu sou quem serei”. Dá-se a conhecer presente e atuante no meio das ambiguidades da história e dos fenômenos da natureza.
Nem tudo o que acontece é vontade de Deus e nem se pode dizer que todos os fenômenos da natureza vêm de Deus. Muitos são provocados pela intervenção humana. Mas, é possível sim escutarmos como uma profecia a própria voz do universo e dos novos processos da ciência e da cultura. O salmo bíblico já dizia isso em um poema que podemos retraduzir assim: “Os céus cantam a presença misteriosa divina (a glória de Deus) e o universo inteiro revela sua permanente e amorosa ação criadora” (Sl 19, 1). Somos chamados/as a testemunhar isso pelo nosso cuidado com a natureza e pela nossa comunhão com todo ser vivo. 

Marcelo Barros é monge católico da Ordem de São Bento.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Escolhida a logomarca


Franciscanos na JMJ Rio 2013




EXPLICAÇÃO DA LOGOMARCA
O traçado na cor marrom representa o Pão de Açúcar, ponto turístico conhecido mundialmente, e faz alusão à cidade do Rio de Janeiro, sede da JMJ. Junto à forma do Pão de Açúcar, um traçado oval, também na cor marrom, forma a silhueta de São Francisco, o inspirador do movimento franciscano. A imagem de São Francisco se completa com o sol representado logo acima de sua cabeça, simbolizando a sincera santidade e a afinidade de Francisco com as criaturas de Deus. A cruz, em amarelo, remete à JMJ. A pomba, na cor azul, como se estivesse saindo da mão de Francisco, simboliza a missão de todos os que anunciam o Evangelho, como anunciadores da “Paz e do Bem”.

FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA E FRANCISCANA
O envio apostólico “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28, 19), que inspira a Jornada Mundial da Juventude, só é se concretiza a partir de uma real experiência de Deus. Desejoso em seguir o Mestre, o discípulo deve “embriagar-se de amor divino para depois levar ao mundo esse grande vinho da alegria”. E não há dúvida de que, entre tantos santos e santas, Francisco de Assis aponta um caminho inspirador para a experiência concreta do encontro com o Senhor. Francisco sente-se enviado e também envia seus irmãos como mensageiros da paz.
No seu Testamento, chega a dizer: “Como saudação, revelou-me o Senhor que disséssemos: ‘O Senhor te dê a paz’” (Test 23). É saudação missão. “Enviou dois a dois com a incumbência de anunciarem a paz: ‘Ide, queridos irmãos, ide dois a dois ao mundo e anunciai ao homem a paz’” (1Cel 29). Essa saudação, mais adiante, foi condensada na forma “Paz e Bem”, tão difundida até os dias de hoje. O ideal franciscano não é patrimônio exclusivo dos seguidores diretos do Santo de Assis, mas diz respeito a todos que reconhecem em São Francisco uma inspiração para vida do discípulo de Cristo. O discípulo missionário que toma para si como inspiração o carisma franciscano compromete-se existencialmente a encarnar, a tornar viva e eficaz a Paz de Cristo anunciada e vivida por Francisco.

VENCEDOR DO CONCURSO
Frei Leandro Costa, de 22 anos, estudante de Filosofia venceu o Concurso Cultural para a criação da logomarca que vai acompanhar os franciscanos e franciscanas do Brasil na Jornada Mundial da Juventude, no próximo ano, no Rio de Janeiro. Você pode conhecer o vencedor e todas as informações no novo site dos Franciscanos na JMJ!

USO DA LOGOMARCA
A logomarca Franciscanos na JMJ é de uso livre e irrestrito. Pode ser reproduzida em quaisquer meios de comunicação e divulgada em todas as mídias. Podem ser ainda produzidos materiais promocionais e de divulgação, como camisas, bonés, chaveiros etc. A única exigência é que seja respeitado o projeto original.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Consagração de Frei Galvão à Virgem Imaculada


Trecho da cédula de consagração...


“Saibam todos quantos esta carta e cédula virem, como eu, Frei Antônio de Sant´Anna Galvão, me entrego por filho e perpétuo escravo da Virgem Santíssima, minha Senhora, com doação livre, pura e perfeita de minha pessoa, para que de mim disponha conforme sua vontade, gosto e beneplácito, como verdadeira mãe e Senhora minha...
            Nas vossas piedosíssimas mãos entrego meu corpo, alma e coração, entendimento, vontade e todos os demais sentidos, porque de hoje em diante corro por vossa conta e todo sou vosso...
            E não haveis de consentir, pela vossa piedade, antes me tireis a vida, que ofender o vosso bendito Filho meu Senhor...e para que certamente alcance o que por mim indigno desmereço, vos peço pela paixão, morte e chagas de vosso Filho santíssimo, pela vossa pureza e Conceição Imaculada.
            Rogo a todos os santos, que orem por vós e por mim e me sirvam de testemunhas irrefragáveis desta minha filial entrega e escravidão. E para que conste que esta minha determinação foi feita em meu perfeito juízo, faço esta cédula de minha própria letra, e assinada com o sangue do meu peito. Hoje, dia do patrocínio de minha Senhora e Mãe de Deus, 9 de novembro de 1766. De minha Senhora Maria Santíssima indigno servo:

Frei Antônio de Sant´Anna Galvão”