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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A força de Clara! A Dama Pobre de Assis!



A graça divina que recai sobre nossa seráfica mãe Clara, inicia-se com a escolha de seu santo nome. Segundo alguns biógrafos, Clara assim será chamada, pois certa vez estando a rezar na Igreja de São Rufino, em Assis, a justíssima senhora Ortolana, sua genitora, já na iminência do parto, ouviu uma voz sobre-humana sussurrar-lhe: “Senhora, não tenhas medo, porque darás à luz a uma criança sã e salva, uma luz que resplandecerá com maior claridade do que o pleno dia”. De fato, Clara é um das mulheres mais espiritualmente iluminadas da Idade Média. Em seus poucos escritos, exprime e amplia, a seu modo, aquilo que chama de mística nupcial, ou seja, a união esponsal com Cristo, apoiada e sustentada na santa pobreza. Para Clara, a vida com Cristo é uma conquista pela qual despreza tudo o que poderia tornar-se um obstáculo.

Assim, escreve a doce irmã Inês de Praga “Vós escolheste a santa pobreza, tomando um esposo da mais alta estirpe (mais que um imperador!), o Senhor Jesus Cristo”, e continua: “Virgem pobre, une-te a ao Cristo Pobre! Só então tu poderás amar totalmente Aquele que por amor a ti entregou-se inteiramente...”  Vemos, então, que para aquela que é considerada “a primeira plantinha do pai Francisco”, a pobreza evangélica é elemento indispensável para celebrar suas núpcias celestiais com Jesus Cristo, amado esposo, fim supremo de sua vida.

No verdadeiro sentido da palavra, Clara foi para Francisco “Irmã Clara”. Não somente com seus conselhos e oração, mas sobretudo pela transparência do seu ser e da sua vida. Quando ao redor de Francisco tudo parecia vacilar, Clara continuava a personificar a fidelidade ao ideal primitivo da Ordem, à pura simplicidade do Evangelho. Algumas hagiografias chegam a dizer que para frei Francisco, Clara foi a encarnação daquela que, descida da cruz de Cristo, tornou-se a esposa do penitente homem de Assis: a dama pobreza.

Para que tenhamos uma ideia da importância de Clara para a Igreja e para Ordem Franciscana, lembraremos dos acontecimentos que  constam das fontes históricas. Em 1221, por exemplo,  o pobrezinho de Assis estava decepcionado com o fato de a  Fraternidade se afastar, pouco a pouco,  do espírito original de simplicidade. Querendo voltar ao convívio com os pobres e leprosos, e a estes pregar o Santo Evangelho; Francisco confia a direção da OFM a Frei Elias. No entanto, o frade Elias distancia a Ordem mais ainda do Cristo pobre, suavizando as regras e aceitando benefícios papais; construindo, inclusive, a suntuosa Basílica de São Francisco de Assis. Eis que contra ele insurge-se a mais devota  e rigorosa componente da Ordem, a líder das Damas da Pobreza, a intransponível e humilde serva Clara de Assis; firme como uma rocha na defesa de sua fé no Jesus Ressuscitado.

Muito amada e respeitada pelos contemporâneos  de Francisco, que falecera em 1226, a plantinha do menor dos menores  teve vital influência na deposição de Frei Elias, ocorrida no ano de 1239; colaborando, assim, para que a Ordem continuasse a ajudar à Igreja e suas ovelhas a seguirem o Caminho da simplicidade, na fidelidade à Santa Pobreza evangélica. 

Cabe também dizer, que Clara foi a primeira mulher a elaborar uma Regra que depois veio a ter a aprovação Pontifícia. E, solicitando que  fosse concedido às Clarissas o  Privilégio da Pobreza, onde estabelecia que ela e suas irmãs jamais possuiriam bem algum, deu esta resposta ao Santo Papa Gregório, que preocupado com as condições daquelas mulheres penitentes, gostaria que elas  aceitassem algumas propriedades e moderassem nas duras práticas de penitência: '' Santo Padre, por nenhum trato e jamais, eternamente , desejo ser dispensada da sequela de seguir Cristo”.

Sabemos que Clara e suas filhas espirituais viveram na mais absoluta clausura, na adoração do “Santíssimo menino envolto em pobres paninhos.....” .No entanto, houve uma ocasião em que nossa eterna Abadessa quis deixar a igrejinha de  São Damião: quando soube do martírio dos cinco primeiros frades que foram pregar no Marrocos, Clara quis enveredar pela via do sacrifício extremo, pois acreditava que morrer por Ele era a maior prova de amor ao Redentor.

Estes e os outros acontecimentos aqui narrados, nos demonstram como Clara, no seguimento de Maria, Nossa Mãe Santíssima, estava sempre pronta a dizer  'SIM' ao Senhor Deus. E por ser tão importante no projeto salvífico, luz que iluminou a estrada de um povo a caminho do Reino dos Céus, Santa Clara de Assis merece ser exemplo para todos os cristãos, principalmente para as mulheres que, à semelhança da menina Clara, se enamoraram pelo Cristo.

            Atualmente, os teólogos têm se utilizado de um neologismo para ser referir ao carisma que nós,  cristãos menores,  buscamos viver: é o chamado carisma francisco-clariano. Justíssima homenagem a nossa irmã lua, pois se Francisco não tivesse a retaguarda espiritual que Clara lhe dava,  talvez não estivéssemos hoje por todo o mundo, com o sagrado Tau sobre nossos corações. Nestes 800 anos, façamos ecoar por toda a Igreja as proféticas palavras da pobrezinha de São Damião:  “Considero-te auxiliar do próprio Deus e reanimadores dos membros caídos e vacilantes de Seu corpo inefável”.

Thiago Damato é da Juventude Franciscana de Niterói.