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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Início do mês da Bíblia

22º Domingo do Tempo Comum

Queridos amigos e amigas, todos que nos acompanham através da TV Franciscanos. Paz e Bem! Ontem iniciamos mais um mês, já é o nono deste ano e devagar o fim do ano vai se aproximando. 

Setembro é o mês da pátria, da exaltação da Santa Cruz, do inicio da primavera, e particularmente para nós católicos, é o mês da Bíblia. Um Deus que ama tanto seu povo, se faz história com ele. Nosso Deus é aquele que caminha conosco, conhece nossas dificuldades e limitações, mas é sobretudo um Deus amor, que se revela nos pequenos, nos simples, que chama pessoas do povo para o seguir, para guiar uma nação. A Bíblia revela justamente o rosto desse Deus bondade, presença, cuidado. 

Desde o antigo até o Novo Testamento é clara a certeza de um Deus que caminha junto de seu povo. Aproveite este mês de setembro para participar dos grupos de reflexão bíblica, círculos bíblicos, enfim, se familiarize com a Palavra. No evangelho deste fim de semana nos deparamos com a questão das leis e normas, levadas tão a risca pelos fariseus e doutores da Lei. É certo que as leis, as normas, tradições nos ajudam a levar a vida. Jesus porém, ensina que, mais importante do que qualquer lei e costume é a nossa relação de amor com Deus e com os irmãos e irmãs. 

Um coração sintonizado com Deus, vai procurar automaticamente escolher e praticar as melhores ações. As palavras, os símbolos, os ritos tem sentido na medida que exprimem aquilo que está dentro de nós. Quantas leis secundarias se tornam princípios absolutos. 

Quantos atentados aos irmãos para defender a lei, a tradição, a instituição, quanta limpeza por fora, escondendo montes de lixo por dentro. Aproveite este fim de semana para refletir naquilo que você esta sendo por dentro...o que vale para Deus é o coração do ser humano. Um grande abraço a todos. Paz e Bem!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Despertar Franciscano


Neste domingo 26/08, aconteceu o Despertar Franciscano realizado pelos jovens da Juventude Franciscana das Chagas de São Paulo localizado no Largo São Francisco, região centro da cidade. Tendo a participação de mais de 60 jovens de várias regiões e cidades vizinhas da capital, entre elas, Santos, Guarujá, Hortolândia, Sorocaba, Pindamonhangaba, Jacareí, Cotia, Guarulhos, Carapicuíba, Santo André, São Bernardo e Mauá. Além, de irmãos(ãs) religiosos(as) de congregrações Franciscanas, da TOR, OFM e OFS.
Um dia especial dedicado à convivência e partilha a partir do exemplo do santo de Assis. Com o tema “Francisco, o mundo tem saudades de ti”, o objetivo do encontro foi apresentar a vida desse santo através de apresentações, filme, dinâmica e reflexões, onde os jovens puderam perceber que existe um modo diferente de vida. Sim, temos essa opção, pois como há mais de 800 anos o então jovem de Assis, também escolheu por transformar sua vida, seguindo o Evangelho de Jesus Cristo. E Para nós qual a realidade de mundo, de jovem, de sociedade que podemos transformar?
Essa escolha é fundada na palavra de Deus, mas quem disse que seria fácil segui-lá. Jesus já dizia aos apóstolos “Quem quiser me seguir, tome a sua cruz”. Muitos desistem e permanecem perdidos, no entanto “A quem iriamos nós Senhor, só tu tens palavras de vida eterna”. Os jovens principalmente não querem estar perdidos, ao contrário buscam, tentam, caem e levantam-se. Com Francisco, não foi diferente, ele conseguiu deixar o testemunho de vida que até hoje conquista tantos e tantos jovens, adultos, homens e mulheres – “Amor aos irmãos e a todas as criaturas”, Louvai e bendizei ao Senhor.

Ao término do encontro Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM (assistente espiritual) realizou a Celebração Eucarística, bem franciscana com todos ao redor do altar. Após, foi apresentado a fraternidade JUFRA das Chagas que é composta por jovens que se comprometem a viver o carisma Franciscano nos dias e na sociedade
de hoje, na família, escola, faculdade, trabalho, no lazer… onde estiverem, esse jovens buscam levar o compromisso de uma vida simples, alegre, de doação pelo irmão e o próximo.
Quem disse que é fácil viver o Evangelho? No entanto, é mais suave, mas alegre, quando temos irmãos, companheiros de caminhada, pois juntos vamos mais longe no caminho que termina no céu!

“CERTOS MOMENTOS QUANDO BEM VIVENCIADOS E SENTIDOS SÃO ETERNOS, SÃO INESQUECÍVEIS, SERÃO GUARDADOS PARA SEMPRE NO CORAÇÃO E NA MEMÓRIA.
Pois é…. EU VIVI.” Cris Afonso (ajudante na cozinha)
O Despertar foi uma verdadeira bênção! Família linda a JUFRA. Espero que Deus prepare mais e constantes encontros entre vocês e nós. Pedro Henrique (participante de Cotia)

Boa noite!!!! Uma linda tarde no Despertar Franciscano… momento de descontração e de fraternidade. Isso sim, não tem preço…
PS: Ser franciscana é bom demaisss!!! Larissa Nascimento (Irmã da Congregação Missionárias de Assis)
Parabéns, vocês conseguiram resumir, Francisco naquele encontro e me convenceram do quanto é bom ser Jufrista!! Preciso ser Jufrista não tem mais jeito, a paixão por Francisco me arrebatou. Bruna Oliver (participante de Sorocaba)

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Por que a ti, Francisco?


Ninguém duvida da atualidade e da força de atração da mensagem evangélica encarnada por São Francisco há oito séculos. De fato, o testemunho do Poverello de Assis ultrapassa os confins de sua época, de sua cultura. É impossível confiná-lo dentro de uma confissão religiosa e, muito menos, considerá-lo como uma "propriedade privada" de seus seguidores. Trata-se de uma experiência espiritual com uma dinâmica particular, com um fascínio, que não pode ser circunscrito a um momento histórico ou a um determinado grupo. Sempre que se tenta encerrar sua mensagem em definições, sempre que se pensa haver encontrado a fórmula de sua mensagem e tê-la assimilado, sua riqueza explode em conteúdos e modalidades surpreendentemente novas. O aparecimento, ao longo dos séculos, de sucessivas famílias religiosas e grupos que se alimentam de seu carisma, como também as várias tentativas de "reforma" das ordens franciscanas, são um sinal evidente dessa inquieta riqueza.

Trata-se de uma mensagem, de uma espiritualidade, que reivindica sua liberdade, sua alegria de existir. Parece encontrar a própria casa só quando não tem casa.

Desde que, na praça de Assis, diante do Bispo e dos concidadãos estupefatos, Francisco se despojou, restituindo tudo ao pai, com as palavras: "Daqui pra frente poderei dizer com liberdade: Pai nosso que estais nos céus... e não mais meu pai Pedro Bernardone, ele e sua mensagem não suportam mais nenhuma escravidão. Nenhum hábito será mais de seu tamanho.

"Francisco, por que todo o mundo corre atrás de ti, e parece que todos querem ver-te, ouvir-te e obedecer-te? Francisco, por que todos correm a ti?" (Fioretti, 10). A pergunta de Frei Masseu receberia hoje as respostas mais diversas: por causa do espírito poético, por causa de seu amor pela natureza e pelas criaturas, por causa de sua total partilha com os mais pobres, por causa de sua capacidade de reconciliar e pacificar... A lista poderia continuar, ou melhor, cada século tem sua lista com as próprias respostas. Cada família, cada instituto franciscano, entre as centenas que nasceram no curso da história, pode reivindicar e definir seu símbolo, seu "hábito", sua estrutura, seu compromisso social; mas infeliz de quem vê nessas obras, ou em outras formas externas, a realização definitiva da espiritualidade franciscana! Francisco repete a cada um: "Não quero que me falem de nenhuma regra, nem de São Bento nem de Santo Agostinho nem de São Bernardo, nem de outro ideal ou maneira de viver diversa daquela que o Senhor, em sua misericórdia, se dignou revelar-me e ensinar. O Senhor manifestou o desejo de que eu seja um novo insensato nesse mundo..." (Esp. 68, cfr. 1Cor 4,10).

O "milagre evangélico" de nome Francisco nasceu quando ele substituiu a eficiência de uma vida baseada sobre o comércio e a acumulação, o ideal cavalheiresco que todos sabiam que tinha, pela imagem do Cristo pobre, pela imagem de um Deus que se revela na pobreza, na fragilidade, na expropriação, no mais radical dom de si: "O Filho do homem não tem onde pousar a cabeça". Nessa "insegurança" vivida pelo Filho de Deus na terra, o santo de Assis encontrou sua segurança, o ponto de referência, o horizonte claro, tão fascinante, tão nítido que tudo em torno dele mudou de rosto e de significado. Nascem relações novas, profundas, livres e libertadoras. Tudo é potencializado: suas intuições sempre novas, sua afetividade sem limites, sua fantasia simbólica que, ano após ano, se torna cada vez mais audaz e confiante. Tudo é vivido em simplicidade e unidade, olhando para o horizonte determinante: "Agora posso dizer com liberdade: Pai nosso que estais nos céus". Sua pobreza é fazer nele espaço ao Espírito, que multiplica a capacidade criativa que vem de Deus e só de Deus.
Por que Francisco encanta ainda e não deixa a gente "dormir" em paz?

Porque aponta diretamente para a Boa Nova, convida e incita a cada um de nós a um encontro frontal com a mensagem do Evangelho. "Agora toca a ti, ao teu corpo, ao teu coração dar carne ao Evangelho, com coragem e sem hesitações. Estás nos braços de Deus Pai, não tenhas medo!" Francisco encanta, porque revela e expressa todas as possibilidades existentes em nós, mas que tantas vezes não conseguimos liberar, porque estamos muito voltados para nós mesmos e isso nos sufoca e angustia. O abandono em Deus despertou em Francisco a confiança em si mesmo como objeto dos inexauríveis dons de Deus e das infinitas possibilidades que a pessoa tem de expressar-se; revelou-lhe a alegria da expropriação radical e da liberdade para o Reino; abriu-o à fecundidade inesgotável do relacionamento com as pessoas e com o mundo criado, transformando-o no homem de diálogo, da comunhão e da paz. Esse abandono total, parecido ao da criança que tudo espera de seus pais, vai sendo conquistado dia a dia, na ausculta da Palavra, quase diria, defendendo Deus de nós mesmos, percorrendo com audácia os vários caminhos da espoliação.

"Francisco, diz o primeiro biógrafo, parecia um homem do outro mundo" (1Cel 36): de um mundo mais humano, fraterno, respeitoso, solidário; o mundo que todos desejamos e com o qual sonhamos. Poderia ser o mundo do terceiro milênio, se não suportarmos passivamente as imposições das infindáveis formas idolátricas e egocêntricas que nos são impostas, mas acolhermos, com um coração renovado, o projeto originário de Deus em nós. É essencial reapropriar-nos, com entusiasmo, da novidade da mensagem do Evangelho transmitida pelo original fascínio de Francisco, dando-lhe novas formas mais transparentes, mais eloqüentes, mais significativas, encontrando "odres novos para o vinho novo", de tal maneira que a nossa vida seja um anúncio coerente Daquele em quem pusemos nossa esperança. A cada um de nós, homem ou mulher, é dirigido o recado que o Poverello deixou na hora da morte: "Eu fiz a minha parte, Cristo vos ensine a fazer a vossa" (2Cel 214).

Francisco nos deixou um conteúdo "nu" como nu estava ele na praça de Assis. Deixou-nos uma mensagem clara para ser encarnada e testemunhada.

"Por que a ti, Francisco?" Quando Francisco passava pelas estradas, todos corriam atrás dele, porque percebiam que nele havia bem mais que ele mesmo. Cabe a nós dar novo vigor, concretude e atualidade a esta mensagem. Não podemos frustrar as esperanças do mundo em que vivemos.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Seja bem vinda irmã morte!


Ano de 1226. Francisco se acha muito debilitado. Seu estômago não aceita mais alimento algum. Chega a vomitar sangue. Admiram-se todos como um corpo tão enfraquecido, já tão morto, ainda não tenha desfalecido. Transportado de Sena para Assis, Francisco ainda encontra forças para exortar os que acorrem a ele. E aos irmãos diz: "Meus irmãos, comecemos a servir ao Senhor, porque até agora bem pouco fizemos". Ao chegar a Assis, um médico se apresenta e constata que nada mais resta a fazer. Ao que Francisco exclama: "Bem-vinda sejas, irmã minha, a morte!" E convida aos irmãos Ângelo e Leão para cantarem o Cântico do Irmão Sol, ao qual Francisco Acrescenta a última estrofe em louvor a Deus pela morte corporal.

Aproximando-se a hora derradeira, Francisco deseja ser levado para a capelinha de Nossa Senhora dos Anjos, na Porciúncula, onde tudo havia começado. Lá, num gesto de despojamento, de identificação com o Cristo crucificado e de integração com o Pai, pede que o deixem, nu, sobre a terra e diz aos frades: "Fiz o que tinha que fazer. Que Cristo vos ensine o que cabe a vós". Despede-se de todos os irmãos; abençoa-os; lembra-lhes que "o Santo Evangelho é mais importante que todas as demais instituições". Anima o seu médico, dizendo-lhe: "Irmão médico, dize com coragem que a minha morte está próxima. Para mim, ela é a porta para a vida!" E, então, canta o Salmo 142. Francisco parte cantando, cortês, hospitaleiro e reconciliado com a morte. 

O canto de Francisco está baseado em uma percepção realista da morte: "Nenhum homem pode escapar da morte". Mas como pode ser irmã aquela que engole a vida, que decepa aquela pulsão arraigada em cada um de nós, fundada em um "desejo" que busca triunfar sobre a morte e viver eternamente? Francisco acolhe fraternalmente a morte. Nele realiza-se, de forma maravilhosa, o encontro entre a vida e a morte, em um processo de integração da morte. 

Francisco acolhe a vida assim como ela é, ou seja, em sua exigência de eternidade e em sua mortalidade. Tanto a vida como a morte são um processo que perdura ao longo de toda a vida. A morte faz parte da vida. Como é despertar e o adormecer, assim é a morte para o ser humano. Ela não rouba a vida; dá a esse tipo de vida a possibilidade de outro tipo de vida, eterna e imortal, em Deus. 

A morte não é então negação total da vida, não é nossa inimiga, mas é passagem para o modo de vida em Deus, novo e definitivo, imortal e pleno. Francisco capta esta realidade e abriga a morte dentro da vida. Acolhe toda limitação e mostra-se tolerante com a pequenez humana, a sua e a dos outros. 

A grandeza espiritual e religiosa de Francisco no saudar e cantar a morte significa que já está para além da própria morte; ela, digna hóspede não lhe é problema; ao contrário, ela é a condição de viver eternamente, de triunfar de modo absoluto, de vencer todo embotamento do pecado que a transforma em tragédia. Francisco soube mergulhar na fonte de toda a vida. "Enquanto Deus é Deus, enquanto Ele é o vivente e a Fonte de toda a vida, eu não morrerei, ainda que corporalmente morra!" (L. Boff). 

Frei Nilo Agostini, OFM 

Assunção de Nossa Senhora & Vocação religiosa

Queridos irmãos e irmãs
Paz e Bem!

Desejo que todos nós nos sintamos bem diante da Palavra e da Eucaristia que nos une e nos faz família.
Fim de semana que nos recarda as vocações religiosas: irmãs de diversas congregações, irmãos religiosos de diversas ordens, monges, monjas, frades, enfim, uma diversidade enorme de carismas que o próprio Espírito suscitou e suscita na Igreja ao longo da história.
Certa vez, perguntou-se em uma pesquisa de opinião se ainda havia sentido a vida religiosa no mundo de hoje, ao que muitos responderam que não, questionando a consagração e utilidade dos religiosos no contexto atual. Como se a vocação à vida consagrada pudesse ser colocada numa logica de mercado onde o que não dá lucro, não tem utilidade e consequentemente não tem sentido. Parece-me que ser religioso na atualidade consiste em justamente, mostrar a todos que existe uma outra forma de ser e estar no mundo.
Nada melhor do que a pessoa de Maria, mãe dos consagrados, para nos mostrar concretamente no evangelho deste domingo, que vocação religiosa é serviço simples, despojado e gratuito. É sair, andar quilômetros à pé, simplesmente por saber que o outro precisa da gente, precisa do apoio, do ombro, do conforte. A assunção de Maria, celebrada neste domingo, não fato isolado, mas contexto de uma vida toda. Deus não nos lançou neste mundo para terminarmos no nada da morte, mas para nos lançar na sua própria vida, Ele mesmo quis sejamos como Ele é, afinal, sede santos como você Pai é santo.
Não podemos porem nos esquecer, de que a Maria da Glória, que celebramos hoje, é a mesma Maria da história, com a qual devemos nos identificar no dia-a-dia de nossa vida.
Que a mãe abençoe cada um de nós e a cada religioso e religiosa que a Deus se consagra sob o cuidado materno dela. 

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

"Não perca de vista seu ponto de partida!"


Na festa de Santa Clara de Assis, recomendo aos amigos e leitores do blog a leitura atenta desta belíssima carta, escrita por Clara a nobre filha de Praga: a jovem Inês. Notem o conteúdo, a clareza, a leveza com que a Dama Pobre de Assis, exorta sua irmã, angustiada por tentativas muitas de a tirarem de seu ideal. 
Esta carta, bem como as outras, refletem a força de Clara diante do ideal do seguimento de Cristo, abraçado com total amor e fidelidade. 
Boa leitura e reflexão...
Boas festas de Santa Clara.



2ª Carta de Clara à Inês de Praga!

Clara, serva inútil e indigna das pobres damas, saúda dona Inês, filha do Rei dos reis, serva do Senhor dos senhores, esposa digníssima de Jesus Cristo e por isso rainha nobilíssima, augurando que viva sempre na mais alta pobreza.
Agradeço ao Doador da graça, do qual cremos que procedem toda dádiva boa e todo dom perfeito, pois adornou-a com tantos títulos de virtude e a fez brilhar em sinais de tanta perfeição, para que, feita imitadora atenta do Pai perfeito, mereça ser tão perfeita que seus olhos não vejam em você nada de imperfeito.
É essa perfeição que vai uni-la ao próprio Rei no tálamo celeste, onde se assenta glorioso sobre um trono estrelado.
Desprezando o fausto de um reino da terra, dando pouco valor à proposta de um casamento imperial, você se fez seguidora da santíssima pobreza em espírito de grande humildade e do mais ardente amor, juntando-se aos passos daquele com quem mereceu unir-se em matrimônio.
Mas eu sei que você é rica de virtudes e vou ser breve para não a sobrecarregar de palavras supérfluas, mesmo que não lhe pareça demasiado nada que lhe possa dar alguma consolação.
Mas, como uma só coisa é necessária, é só isso que eu confirmo, exortando-a por amor daquele a quem você se entregou como oferenda santa e agradável.
Lembre-se da sua decisão como uma segunda Raquel: não perca de vista seu ponto de partida, conserve o que você tem, faça o que está fazendo e não o deixe, mas, em rápida corrida, com passo ligeiro e pé seguro, de modo que seus passos nem recolham a poeira, confiante e alegre, avance com cuidado pelo caminho da bem-aventurança.
Não confie em ninguém, não consinta com nada que queira afastá-la desse propósito, que seja tropeço no caminho, para não cumprir seus votos ao Altíssimo na perfeição em que o Espírito do Senhor a chamou.
Nisso, para ir com mais segurança pelo caminho dos mandamentos do Senhor, siga o conselho de nosso venerável pai, o nosso Frei Elias, ministro geral.
Prefira-o aos conselhos dos outros e tenha-o como o mais precioso dom.
Se alguém lhe disser outra coisa, ou sugerir algo diferente, que impeça a sua perfeição ou parecer contrário ao chamado de Deus, mesmo que mereça sua veneração, não siga o seu conselho.
Abrace o Cristo pobre como uma virgem pobre.
Veja como por você ele se fez desprezível e o siga, sendo desprezível por ele neste mundo.
Com o desejo de imitá-lo, mui nobre rainha, olhe, considere, contemple o seu esposo, o mais belo entre os filhos dos homens feito por sua salvação o mais vil de todos, desprezado, ferido e tão flagelado em todo o corpo, morrendo no meio das angústias próprias da cruz.
Se você sofrer com ele, com ele vai reinar; se chorar com ele, com ele vai se alegrar; se morrer com ele na cruz da tribulação vai ter com ele mansão celeste nos esplendores dos santos.
E seu nome, glorioso entre os homens, será inscrito no livro da vida.
Assim, em vez dos bens terrenos e transitórios, você vai ter parte na glória do reino celeste eternamente, para sempre, vai ter bens eternos em vez dos perecedores, e viverá pelos séculos dos séculos.
Adeus, irmã querida, senhora minha pelo Senhor que é seu esposo.
Em suas piedosas preces, procure lembrar ao Senhor de mim e de minhas Irmãs, que nos alegramos com os bens que o Senhor realiza em você por sua graça.
Recomende-nos também, e muito, às suas Irmãs.


2º Domingo de agosto: Vocação à Família


Dia dos pais


            Meus caros amigos, amigas, benfeitores e colaboradores do Pró-Vocações:
Paz e Bem!
            Final de semana gostoso este que se aproxima. Muitos de nós nos reuniremos em família, alguns pegarão as estradas para viajar, alguns comprarão um “presentinho” de ultima hora, afinal de contas, no domingo lembramo-nos da vocação à família, e de forma toda particular, comemoramos o dia dos pais.
Para alguns eles são totalmente presentes, carinhosos, atenciosos, para outros ausentes, distantes, carrancudos, contudo, ninguém pode negar que a figura paterna é extremante importante no seio de uma família, afinal de contas, além de genitores, todos os pais são chamados propagadores de valores e princípios dentro de uma família.
Como franciscanos e franciscanas, também não poderia nos escapar a grande seguidora de Francisco de Assis, ou mesmo, a grande mulher corajosa que celebramos neste 11 de agosto: Clara de Assis. Protagonista de uma história pessoal de fé, seguimento e testemunho. Clara, abraça com fidelidade um proposito de vida encantador, que o Cristo havia suscitado no coração de Francisco. Há 800 anos, exatamente comemorados na festa deste fim de semana - afinal era 1212 quando ela resolve fugir de casa e abraçar definitivamente este propósito – as irmãs Clarissas buscam testemunhar na vida contemplativa a mesma coragem e audácia, diante de um mundo cada vez mais individualista e competitivo. Buscam ser fraternidade e pobreza num contexto sempre mais exclusivista e materialista. Salve Clara de Assis!
Enfim, o evangelho reflete o que muitos santos testemunharam com a vida: a necessidade de uma fé sempre viva e eficaz. Por que será que os apóstolos não conseguiam realizar os mesmos gestos de Jesus? A resposta o mestre dá: a fé é pouca, é pequena, menor mesmo que um grão de mostarda. Que tal nos perguntarmos a respeito da medida e da intensidade de nossa fé em Cristo e em sua proposta. Perguntemos para Clara, para Francisco, e tantos outros, se foi fácil para eles...e respondamos nós mesmos com nossas vidas.
Que o Senhor nos abençoe.

   




Não conseguimos esperar!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A força de Clara! A Dama Pobre de Assis!



A graça divina que recai sobre nossa seráfica mãe Clara, inicia-se com a escolha de seu santo nome. Segundo alguns biógrafos, Clara assim será chamada, pois certa vez estando a rezar na Igreja de São Rufino, em Assis, a justíssima senhora Ortolana, sua genitora, já na iminência do parto, ouviu uma voz sobre-humana sussurrar-lhe: “Senhora, não tenhas medo, porque darás à luz a uma criança sã e salva, uma luz que resplandecerá com maior claridade do que o pleno dia”. De fato, Clara é um das mulheres mais espiritualmente iluminadas da Idade Média. Em seus poucos escritos, exprime e amplia, a seu modo, aquilo que chama de mística nupcial, ou seja, a união esponsal com Cristo, apoiada e sustentada na santa pobreza. Para Clara, a vida com Cristo é uma conquista pela qual despreza tudo o que poderia tornar-se um obstáculo.

Assim, escreve a doce irmã Inês de Praga “Vós escolheste a santa pobreza, tomando um esposo da mais alta estirpe (mais que um imperador!), o Senhor Jesus Cristo”, e continua: “Virgem pobre, une-te a ao Cristo Pobre! Só então tu poderás amar totalmente Aquele que por amor a ti entregou-se inteiramente...”  Vemos, então, que para aquela que é considerada “a primeira plantinha do pai Francisco”, a pobreza evangélica é elemento indispensável para celebrar suas núpcias celestiais com Jesus Cristo, amado esposo, fim supremo de sua vida.

No verdadeiro sentido da palavra, Clara foi para Francisco “Irmã Clara”. Não somente com seus conselhos e oração, mas sobretudo pela transparência do seu ser e da sua vida. Quando ao redor de Francisco tudo parecia vacilar, Clara continuava a personificar a fidelidade ao ideal primitivo da Ordem, à pura simplicidade do Evangelho. Algumas hagiografias chegam a dizer que para frei Francisco, Clara foi a encarnação daquela que, descida da cruz de Cristo, tornou-se a esposa do penitente homem de Assis: a dama pobreza.

Para que tenhamos uma ideia da importância de Clara para a Igreja e para Ordem Franciscana, lembraremos dos acontecimentos que  constam das fontes históricas. Em 1221, por exemplo,  o pobrezinho de Assis estava decepcionado com o fato de a  Fraternidade se afastar, pouco a pouco,  do espírito original de simplicidade. Querendo voltar ao convívio com os pobres e leprosos, e a estes pregar o Santo Evangelho; Francisco confia a direção da OFM a Frei Elias. No entanto, o frade Elias distancia a Ordem mais ainda do Cristo pobre, suavizando as regras e aceitando benefícios papais; construindo, inclusive, a suntuosa Basílica de São Francisco de Assis. Eis que contra ele insurge-se a mais devota  e rigorosa componente da Ordem, a líder das Damas da Pobreza, a intransponível e humilde serva Clara de Assis; firme como uma rocha na defesa de sua fé no Jesus Ressuscitado.

Muito amada e respeitada pelos contemporâneos  de Francisco, que falecera em 1226, a plantinha do menor dos menores  teve vital influência na deposição de Frei Elias, ocorrida no ano de 1239; colaborando, assim, para que a Ordem continuasse a ajudar à Igreja e suas ovelhas a seguirem o Caminho da simplicidade, na fidelidade à Santa Pobreza evangélica. 

Cabe também dizer, que Clara foi a primeira mulher a elaborar uma Regra que depois veio a ter a aprovação Pontifícia. E, solicitando que  fosse concedido às Clarissas o  Privilégio da Pobreza, onde estabelecia que ela e suas irmãs jamais possuiriam bem algum, deu esta resposta ao Santo Papa Gregório, que preocupado com as condições daquelas mulheres penitentes, gostaria que elas  aceitassem algumas propriedades e moderassem nas duras práticas de penitência: '' Santo Padre, por nenhum trato e jamais, eternamente , desejo ser dispensada da sequela de seguir Cristo”.

Sabemos que Clara e suas filhas espirituais viveram na mais absoluta clausura, na adoração do “Santíssimo menino envolto em pobres paninhos.....” .No entanto, houve uma ocasião em que nossa eterna Abadessa quis deixar a igrejinha de  São Damião: quando soube do martírio dos cinco primeiros frades que foram pregar no Marrocos, Clara quis enveredar pela via do sacrifício extremo, pois acreditava que morrer por Ele era a maior prova de amor ao Redentor.

Estes e os outros acontecimentos aqui narrados, nos demonstram como Clara, no seguimento de Maria, Nossa Mãe Santíssima, estava sempre pronta a dizer  'SIM' ao Senhor Deus. E por ser tão importante no projeto salvífico, luz que iluminou a estrada de um povo a caminho do Reino dos Céus, Santa Clara de Assis merece ser exemplo para todos os cristãos, principalmente para as mulheres que, à semelhança da menina Clara, se enamoraram pelo Cristo.

            Atualmente, os teólogos têm se utilizado de um neologismo para ser referir ao carisma que nós,  cristãos menores,  buscamos viver: é o chamado carisma francisco-clariano. Justíssima homenagem a nossa irmã lua, pois se Francisco não tivesse a retaguarda espiritual que Clara lhe dava,  talvez não estivéssemos hoje por todo o mundo, com o sagrado Tau sobre nossos corações. Nestes 800 anos, façamos ecoar por toda a Igreja as proféticas palavras da pobrezinha de São Damião:  “Considero-te auxiliar do próprio Deus e reanimadores dos membros caídos e vacilantes de Seu corpo inefável”.

Thiago Damato é da Juventude Franciscana de Niterói.

domingo, 5 de agosto de 2012

1º Domingo de agosto! Vocação aos ministérios ordenados!


 Ser Padre é ser Pai

 cobrindo com o manto divino
 a indigência da humanidade
 e livrando dos perigos o rebanho-povo
 que edifica a sociedade.


Ser Padre é ser sacerdote,
intercedendo de joelhos e com humildade
para que nunca se rompam
os laços que unem a humanidade
 a seu Senhor.

Ser Padre é ser mediador,
 religando as rupturas entre céu e terra
 para construir uma única realidade,
 que é o mundo da fraternidade.


Ser Padre é ser candeeiro,
trazendo para as escuridões da história humana
 as luzes que clareiam e aquecem
 os caminhos dos peregrinos
 de um novo tempo.

Ser Padre é ser servidor,
buscando, com força e coragem
 lutar as batalhas das corrupções sociais e políticas
 com as bandeiras da profecia e da solidarieadade.


Ser Padre é ser mãe,
trazendo ao mundo a ternura
 e a misericórdia de Deus

Feliz dia do Padre


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Eu sou o Pão da Vida

18º Domingo do Tempo Comum
São Joao Maria Vianney – padroeiro dos sacerdotes
Vocação aos ministérios ordenados: bispos, sacerdotes e diáconos

A todos os que nos acompanham com carinho aqui pela Tv Franciscanos, desejamos de coração: Paz e Bem!
Começo de mais um mês, o oitavo deste ano e dentro do calendário civil e religioso, um mês todo especial. É o mês dos pais, é o mês das vocações, da família, dos religiosos, dos leigos, enfim, um mês para nos unirmos e lembrarmos mais com atenção daqueles que e daquelas que abraçam sua vocação com amor e fidelidade.
            Antes de falar do evangelho deste fim de semana, gostaria apenas de citar o santo que celebramos nestes dias: João Maria Vianney, ou mais conhecido como Cura d´Ars. Relembro este homem, porque ele marcou uma cidade, marcou a vida de muitas pessoas, simplesmente pelo fato de testemunhar com a vida aquilo que ele acreditava. Simples, quase iletrado, ordenado sacerdote por misericórdia, se tornou o modelo de como devem ser os sacerdotes: amantes da Eucaristia, do Evangelho e do senhor Jesus Cristo. É justamente por isso, que lembramos neste domingo da vocação sacerdotal. Reze por seu pároco, pelo seu bispo, seja você leigo, uma força e apoio na sua comunidade.
            E nada melhor, do que neste domingo, nos depararmos com o evangelho em que o próprio Cristo se declara pão da vida. O contexto é o da multiplicação dos pães, em que muitos haviam saciado sua fome física e agora o buscavam sempre mais, como o homem que sacia a fome. Jesus não perde tempo, e declara ser ele mesmo o Pão maior, o pão que dá vida e que sacia a fome de sentido, de respostas, à fome que o homem sempre teve de Deus. E mais, segundo a sua mesma afirmação, quem come deste pão viverá eternamente, pois afinal, é este o pão que dá vida ao mundo.
            Num contexto sempre maior de desumanização, de dessacralização, nós cristãos, somos chamados a testemunhar, a falar e reafirmar que este pão continua sendo dado para a vida do mundo, continua sendo anunciado e testemunhado nos quatro cantos da terra, e que, existe a possibilidade de sermos com Ele, fazermos este mundo ser melhor.
            Tenho certeza que o cura d´Ars entendeu muito bem estas palavras de Jesus. Peçamos que ele nos ensine sempre mais a testemunhar com nossos gestos e nossa vida aquilo que cremos.
            Que o Senhor nos abençoe sempre mais!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O perdão de Assis!


COMO SÃO FRANCISCO PEDIU E OBTEVE A INDULGÊNCIA DO PERDÃO

Uma noite do ano do Senhor de 1216, Francisco estava mergulhado em oração e contemplação na Capela da Porciúncula, em Assis. De repente, a Capela foi invadida de grande luz e Francisco viu sobre o altar o Cristo revestido de luz e, à sua direita, sua Santíssima Mãe cercada de uma multidão de Anjos. Prostrado por terra, Francisco adorou em silêncio seu Senhor.

Jesus e Maria lhe perguntaram então o que ele desejaria para a salvação das almas. A resposta de Francisco foi imediata: “Santíssimo Pai, embora seja eu um miserável pecador, eu te peço, para todos que, arrependidos e confessados, vierem visitar esta igreja, lhes concedas amplo e generoso perdão, por uma remissão total de todas as suas faltas.”

“O que tu pedes, ó Irmão Francisco, é grande – diz-lhe o Senhor – mas de maiores coisas tu és digno e maiores ainda as terás.
EU ACEITO, POIS, TUA PRECE, porém com a condição de que, de minha parte, peças esta indulgência a meu Vigário na terra.”

E Francisco apresentou-se depressa ao Papa Honório III, que, naqueles dias, encontrava-se em Perúgia; com simplicidade, contou-lhe sobre a aparição. O Papa escutou-o atentamente e, após algumas dificuldades, deu sua aprovação.

Em seguida, perguntou a Francisco: “Por quantos anos queres uma tal indulgência?” Francisco, de pronto, respondeu: “Santo Padre, eu não peço anos, mas almas.” E todo alegre se foi para a porta. O Papa, porém, chamou- o de volta: “Mas como assim, não queres algum documento?” E Francisco: “Santo Padre, para mim vossa palavra me basta! Se esta indulgência é obra de Deus, Ele mesmo cuidará de manifestar sua obra; eu, por mim, não tenho necessidade de qualquer documento; esse atestado deve ser a Santíssima Virgem Maria; Jesus Cristo, o tabelião; os Anjos, as testemunhas.”

E alguns dias mais tarde, com os Bispos da Úmbria, ao povo reunido na Porciúncula, em lágrimas disse Francisco: “Meus Irmãos, eu quero mandá-los todos para o Paraíso!”

Condições para a aquisição da Indulgência Plenária do Perdão de Assis
(para si mesmo ou para os falecidos).

- Confissão sacramental (para estar na graça de Deus);

- Participação da Santa Missa e Comunhão Eucarística;

- Visita à Porciúncula (a uma igreja franciscana ou paroquial), onde se renova a profissão de fé pela recitação do “Credo”, para reafirmar sua identidade cristã;

- A recitação do Pai-Nosso, para reafirmar sua própria dignidade de Filho/a de Deus, recebida no Batismo;

- Uma oração na intenção do Papa, para reafirmar sua pertença à Igreja, cujo fundamento e centro visível de unidade é o Santo Padre.

Frei Agostinho Picollo, OFM.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Agasalhos doados pelo Benfeitores do Pró-Vocações

Funcionário do Serviço Social Franciscano,
levando os agasalhos doados pelo Benfeitores do
Pró-Vocações Franciscanos: http://www.pvf.com.br/
Nosso muito obrigado a todos os benfeitores
que de bom coração, que continuam fazendo doações calorosas de agasalhos
para a Campanha do Agasalho PVF 2012.
"Quanto + gente + quente!"
.Inverno, com ele, chegam as noites mais longas, as chuvas, o frio.
Inverno é também oportunidade que temos de aquecermos os nossos corações, de olharmos para o outro, de pensarmos que se o frio nos acomete a todos, imagine para aqueles que nada tem.
.É por isso, que estamos convidando você a participar conosco desta “Campanha do agasalho”, um gesto muito simples, mas que faz uma significativa diferença para quem recebe.
Veja como ajudar: http://goo.gl/ZqdzK
"O exemplo é a escola da humanidade e só nela os homens poderão aprender." Edmund Burke