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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Ser Santo

“Sede vós santos em todo o vosso agir” (1Pe 1,15)
Frei Medella, primeiro, mostrou o que é não ser santo e depois levou o povo a refletir sobre o que é ser santo. Acompanhe na íntegra a sua reflexão:
SER SANTO NÃO É:



1) Ser sem defeitos!
O limite é condição de nossa existência. Nosso corpo é um limite, uma fronteira que nos torna particulares e nos permite existir. Podemos até superar limites, em diversas situações, mas os limites superados ficam para trás e surgem outros (Exemplo do horizonte). Somos limitados no espaço e no tempo! Ah, mas no Evangelho Jesus nos convida a sermos perfeitos… De fato, convida, porque sabe que não somos! E perfeição não é a ausência de defeitos, mas a superação dos limites… É um crescimento constante, sempre renascer de novo! (Olha aí o tema de ontem: “Regenerados para uma esperança viva”!)
Temos nossas dificuldades, nem sempre somos como gostaríamos de ser. E isso também aconteceu com os Santos: “São Paulo nos diz: Não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero” (Rm 7,19). São Pedro nega Cristo três vezes, fica com raiva do guarda e lhe corta a orelha… LIMITE… Portanto, ser santo não é ser sem defeito.
2) Buscar ser melhor do que os outros
A busca pela santidade não é uma disputa, uma corrida onde só um é premiado. O prêmio é para todos que o buscam de coração. Não devemos ficar nos comparando, achando-nos melhores, mais perfeitos, mais santos do que ninguém. Este olhar nos distancia de Deus e das pessoas, nos tornam isolados e solitários. Ninguém gosta de estar perto de uma pessoa que se acha o suprassumo da bondade, da generosidade, da justiça… Julgando-se sem pecado, sem defeito, melhor do que os outros, mas digna do Reino dos Céus, quem age assim, sem perceber, incorre no pecado do orgulho e, caso insista e se aprofunde nessa prática, não demora muito a se achar igual ou até mesmo superior ao próprio Deus! PURO DELÍRIO!
3) Isolar- se da realidade
Quanta gente às vezes não fala: “O mundo está perdido! Só tem gente interesseira, gananciosa, ardilosa, falsa. Meu trabalho é um ninho de serpentes… Até quem eu achava que era meu amigo me puxou o tapete… Já sei! Vou largar tudo e ir morar no meio do mato… Sozinho, eu e Deus! Quero viver rezando, sem contato com ninguém, buscando a santidade… Aí vou conseguir ser santo… Porque se depender de quem está à minha volta, Deus me livre… Um pior do que o outro…”
SER SANTO É:
1) Reconhecer-se pecador e limitado e trabalhar firme para melhorar
Quem busca a santidade olha para a própria vida e sabe bem onde o calo aperta… Reconhece os próprios defeitos, os pontos de fraqueza… Não fica apavorado diante disso e muito menos tenta esconder as próprias falhas. Ao contrário: Sabe que é pecador, mas se sente profundamente amado por Deus, e por isso busca com toda força aproximar-se cada vez mais do Senhor, combatendo os próprios vícios para crescer na Graça de Deus.
O Salmo 31 nos conta a felicidade e o alívio do ser humano que se reconhece pecador: “Feliz o homem que foi perdoado/ e cuja falta já foi encoberta!/ Feliz o homem a quem o Senhor/ não olha mais como sendo culpado,/ e em cuja alma não há falsidade! Eu confessei, afinal, meu pecado,/ e minha falta vos fiz conhecer./ Disse: ‘Eu irei confessar meu pecado!’/  E perdoastes, Senhor, minha falta. Alegrai-vos, ó justos, em Deus,/ e no Senhor exultai de alegria!/ Corações retos, cantai jubilosos!”
2) Procurar vencer a si mesmo
No caminho da santidade, o maior limite, o maior obstáculo a ser vencido está no próprio coração. Humildemente, a pessoa reconhece o próprio orgulho, as próprias dificuldades e se coloca com seriedade no caminho da superação, sempre confiante no auxílio de Deus. Quem busca a santidade sabe que pode sempre vencer-se um pouco mais… Tornar-se mais próximo de Deus pela oração, mais próximo de seus irmãos e irmãs pela caridade, sempre num caminho de vencer os próprios obstáculos interiores da vaidade, da preguiça, da falta de fé, do egoísmo…
3) Transformar a realidade
Aí está a instrução de Jesus, que nos pede para sermos sal da terra e luz do mundo. Não temos que nos isolar das pessoas, dos ambientes, mas ao contrário… Lá onde o pecado parece imperar é que devemos estar… Não sozinhos, mas com Deus e os irmãos, fermentando a massa, unindo as pessoas, levando amor, carinho, alimento, compreensão, um abraço, um sorriso, um minuto de atenção a quem se sente abandonado, sozinho, triste, faminto. É nestes lugares de desafio que devemos estar para buscar a santidade. Não há dúvida de que é uma tarefa gigantesca, e, por mais que fizermos, sempre ainda haverá muito por fazer… Mas é assim mesmo, com paciência, insistência que conseguiremos construir um mundo melhor…
Então, para concluir:
• SER SANTO NÃO É SER SEM DEFEITOS, MAS RECONHECER-SE PECADOR E LIMITADO E TRABALHAR FIRME PARA MELHORAR.
• SER SANTO NÃO É BUSCAR SER MELHOR DO QUE OS OUTROS, MAS PROCURAR VENCER A SI MESMO.
• SER SANTO NÃO É ISOLAR- SE DA REALIDADE, MAS TRANSFORMAR A REALIDADE.
Resumindo: SER SANTO É SER POR CRISTO, COM CRISTO E EM CRISTO!
É tornar-se outro Cristo para o mundo e para as pessoas. Não para ser como Deus, mas para se colocar a serviço de todos, em especial dos mais pobres e fracos, como Jesus Cristo se colocou até as últimas consequências…
LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO!