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quinta-feira, 19 de julho de 2012

O chamado vocacional


Frei Gabriel Vargas Dias Alves, OFM.
“De manhã em manhã ele me desperta, sim, desperta o meu ouvido para que eu ouça como os discípulos.O Senhor Iahweh abriu-me os ouvidos e eu não fui rebelde, não recuei.”. (Is 50,4.5)
Como qualquer jovem vivendo nesse turbilhão de avanços tecnológicos incessante, me espanto com os passos que damos e preocupo-me com os rumos que tomamos. Somos seres sociáveis, necessitamos de partilhar a vida com aqueles que amamos, mas sufocamos o que nos é mais próprio através de uma partilha virtual, uma pseudo-partilha.
     Exaltamos a diferença, no entanto uma diferença que não absorve o rotulado como fora de moda, ultrapassado ou simplesmente discordante da massa. Agimos de determinada maneira porque outros assim o fazem. Reproduzimos gestos e comportamentos sem sincera reflexão sobre eles. Perdemos a dimensão do sentido de existir, e aos poucos deixamos de viver, passando a sermos vividos, tomados por uma onda de modismos que nos impulsionam ao ermo. Os cotidianos gestos reclamam significado passo a passo. Quando fugitivo de si mesmo o ser humano só encontra o vazio.
     Em meio ao uma miríade de luzes e sons cada qual sente um toque ritmado dentro de si.   Um anseio de ver além do que os monitores podem mostrar. Uma vontade de estar verdadeiramente presente em cada momento. De reter a presença do Sumo Bem junto a si, da qual se aprende a tomar consciência. Nesse toque que de uma forma ou de outra, todos sentimos, alguns de nós somos chamados a viver de um modo diferente. Somos vocacionados e vocacionadas a vida consagrada. Ao contrário do que alguns poderiam pensar, mais do que nunca a vida consagrada se apresenta como um caminho não só possível, mas abraçado como entrega amorosa que resplandece em felicidade e realização.   Partindo da própria vida e irradiando por onde passa, o consagrado é chamado a conferir novo sabor à vida, hoje tão banalizada; a "re-significar" os acenos mais simples do cotidiano.
     Como religioso franciscano ouço os ecos eloquentes da pessoa de Francisco de Assis, atual como nunca. Pois é disso que o mundo precisa, outros franciscos e franciscas, pessoas-instrumentos da paz e do bem, portadores do dom do Evangelho, dispostos e disponíveis a levarem a fé e a esperança. Gente que olha as pessoas e vê rostos de irmãos. Não se iludem pensando encontrar pessoas prontas, perfeitas, e sim capazes de acreditar e de empenhar-se na construção de uma sociedade baseada na fraternidade.
     Para isso é necessário parada. Urge apurar os ouvidos para as melodias que vem “da outra margem do silêncio” e redescobrir-se; dar sua resposta a esta moção do espírito a cada novo desafio que a caminhada da vida nos impõe. Pois o sim é ininterrupto e sempre novo, assim como o chamado ressoando nos rostos dos pobres e excluídos como os que interpelaram Francisco.
Frei Gabriel Vargas Dias Alves, OFM.