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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Menos católicos: o que os números nos querem dizer?

Por Frei Gustavo Medella
Apresentador do programa "Sala Franciscana"!
- O resultado do último Censo do IBGE (2010) aponta que o percentual de 64,6% da população brasileira se declarou católica. Em números absolutos, este total seria de 123.280.172 pessoas. No Censo 2000, a percentagem era de 73,6%. A população Evangélica aumentou de 15,4% em 2000 para 22,2% em 2010, contemplando o universo dos evangélicos de origem pentecostal, evangélicos de missão e evangélicos não determinados, categorias que abrigam muitas denominações diferentes. Houve crescimento também do número dos que se declararam sem religião, saltando de 7,3% para 8,0% da população.

O Censo é um estudo minucioso, que leva em conta uma infinidade de dados, faz cruzamentos entre eles e busca interpretá-los à luz da estatística. Cada informação levantada dá margem a inúmeros desdobramentos que ajudam a Diante deste mundo de dados e informações, vou partilhar como você, amigo leitor, alguns sentimentos e ideias que vieram à minha mente na qualidade de membro desta grande família dos filhos e filhas de Deus que é a Igreja Católica.

• A razão de existir da Igreja é a missão confiada a ela por Jesus Cristo: “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura!” (Cf. Mc 16,15). E o envio do Mestre continua atual para todos os batizados e batizadas que abraçaram esta missão em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

• Diante da responsabilidade da tarefa, o mais importante é que a Igreja (comunidade de todos os batizados e batizadas) esteja em constante escuta e discernimento dos apelos que Deus continua a dirigi-la na história. A preocupação com a fidelidade na busca da construção deste mundo impregnado de Evangelho (Boa notícia de justiça, paz, liberdade, vida plena) se sobrepõe à excessiva inquietação diante da queda nos números. O desrespeito à vida humana, a submissão de muitos filhos e filhas de Deus às leis de um mercado opressor e excludente, o uso indiscriminado dos bens e recursos da natureza na lógica da exploração em vez da comunhão são anti-testemunhos do Reino que devem tirar o sono e o sossego dos batizados e batizadas, muito mais do que a angústia da possibilidade de, em algumas décadas, os católicos não serem mais maioria entre a população brasileira.

• Neste sentido, o modo de Jesus ser e agir aponta o caminho a ser trilhado: Nunca se preocupou em mostrar poder, mas sempre esteve ocupado em servir (Cf. Mt 20,25-28); Manifestou preocupação constante com o resgate da dignidade e a libertação de quem vinha a seu encontro, no corpo a corpo, no face a face (Cf. Mt 10,46-52 – Cura do cego Bartimeu; Jo 8,3-11 – Perdão à mulher adúltera e muitas outras); Insistia na modéstia, na discrição e no empenho pela instalação do Reino (grão de mostarda, pouquinho de fermento na massa etc.).

Diante da queda do número e das três considerações levantadas, parece mais prudente e produtivo que se busque uma postura de equilíbrio que predomine sobre um fechamento excessivo em si mesma (Não tem problema que o número diminua, o importante é que os que ficamos somos os verdadeiros fiéis) e a tentativa desesperada de atrair novos membros (missa-show, grandes concentrações de fiéis, espetáculos estéticos distantes da realidade etc.).

O que peço a Deus, na qualidade de membro desta grande família, é que eu e meus 123.280.171 irmãos e irmãs em Cristo na Igreja Católica tenhamos a graça de buscar a fidelidade à missão confiada pelo Senhor. Caso consigamos ser fiéis às recomendações de Cristo, não tenho dúvidas de que construiremos um Brasil melhor, muito melhor!

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