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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Essa gente jogada na rua

Há vidas e vidas.  Gosto de observar  as pessoas no metrô, na fila dos bancos, no hall de uma sala de espetáculos e  na rua…
Aquele  homem perambulava por ruas sujas e imundas, com paredes rabiscadas e fétido odor… Ele era jovem, bonito, cabelos negros, sujo, descalço, descuidado, com calças dobradas até o meio da canela.  Tinha, no entanto, no jeito de caminhar e no brilho de seus olhos lampejos de nobreza.  Andava a esmo, carregando uma vasilha de plástico e arrastando um cobertor…
Lavava o rosto numa bica que havia ali, perto do viaduto… e à noite se enrolava naquela coberta que carregava de um lado para o outro e dormia… nem mesmo sei se conseguia dormir… ali mesmo num canto… meio escondido, antes de deitar, urinava… sujo… sem nada, sem ontem, sem antes de ontem e sem amanhã… antes de dormir rezava uma ave-maria e fazia o nome do Pai…  Andou se metendo no mundo das drogas, estragou a vida e os seus o deixaram.  Ninguém sabe nada a respeito desse homem bonito e transformado num caco humano e num resto de gente.

Alguém, no entanto, tem que saber alguma coisa a respeito desse homem. Um dia um homem e uma mulher se uniram carnalmente e esse homem foi gerado… com casamento… sem casamento… não sei. Não aconteceu assim do nada. Mas teve um pai e uma mãe.
Quem sabe, talvez, ele teve um berço, sapatinhos de lã, chocalho, brinquedos do Papai Noel, tio, avós, primos, padrinho, madrinha, bilu-bilu…  Deve ter mamado de peito ou de mamadeira.  Deve ter sido beijado e a  muitos beijado.  Teve um quarto  com colchão, travesseiro, edredom, mosqueteiro,  livros, terço, escrivaninha para estudar com lâmpada de mesa.  Sim, livros,  atlas, gramática portuguesa, livros de inglês.  Quando voltava à casa depois das aulas tomava uma xícara de chocolate quente nos dias de inverno.
Será que não?  Será que o que escrevo é pura fantasia? Será que esse homem nunca usou faca e garfo?
Que será desse resto humano de um pouco mais de  30 anos. Quem se interessará por ele?  Será que basta alguém passar e deixar uma sacola com biscoitos, leite e frutas?  Será que basta que ele receba roupas que as pessoas não querem mais? Como fazer de sorte que este homem  possa dormir numa cama decente, abrir a janela para o dia que chega, tomar banho, pentear o cabelo, encontrar um amor, descobrir que  Jesus , belo e magnifico,  deu a vida por ele numa tarde de amor?
Que tristes histórias perambulam pelas ruas….

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