PESQUISAR TEMAS E ARQUIVOS DO BLOG

terça-feira, 31 de julho de 2012

Homenagem a Frei Antônio Andrietta, OFM



Falece Frei Antônio Andrietta em São Paulo


Na tarde desta segunda-feira (30.07), Frei Antônio Andrietta foi encontrado sem vida em quarto de hóspedes do Convento São Francisco em São Paulo. Frei Salésio, guardião, informou que ele chegara na sexta-feira e havia dito que visitaria sua irmã, como costumava fazer. Preocupado por não encontrar o Frei Antônio hoje, dia em que ele voltaria a Bragança Paulista, onde residia, Frei Salésio, abrindo o quarto, o encontrou falecido, provavelmente há mais de um dia. Por esse motivo, não é possível obter de imediato o atestado de óbito. Será preciso fazer ocorrência, e então o corpo de Frei Antônio será encaminhado ao Instituto Médico Legal. Não podemos informar ainda, portanto, o dia e hora em que acontecerá seu sepultamento.
Dados pessoais, formação e atividades
•  Nascimento: 25.01.1925 (87 anos de idade), em Salto, SP;
•  Admissão ao Noviciado: 19.12/1948, em Rodeio, SC;
•  Primeira Profissão: 20.12/1949 (62 anos de Vida Franciscana);
•  Profissão Solene: 20.12/1952;
•  Ordenação Presbiteral: 30.06.1955 (57 anos de Sacerdócio);
•  1950 – 1956 – Estudos de Filosofia e Teologia, em Curitiba e Petrópolis;
•  30.11.1956 – Agudos – SP – Reitor e professor do seminário;
•  19.01/1962 – Rodeio – reitor e professor do Seminário N. Sra. de Fátima, discreto e procurador vocacional;
•  15.01.1965 – Temuco – Chile – 1º superior da missão no Chile, promotor vocacional e assistente da OFS;
•  01.10.1968 – São João de Meriti, RJ;
•  21.12.1968 – Cabo Frio, RJ – vigário coadjutor;
• 15.01/1971 – Temuco – Chile – coadjutor, promotor vocacional e assistente da OFS;
•  17.07.1982 – Roma – a serviço da Cúria Geral (em 1985, guardião);
• 21.01.1989 – São Paulo – São Francisco – a serviço do Pró-Vocações, assistente regional da OFS;
• 29.11.1997 – Sorocaba – vigário da casa e vigário paroquial;
• 01.11.1999 – Assis – Itália – atendimento conventual em São Damião;
• 22.11.2000 – Sorocaba – vigário da casa;
• 07.11.2003 – São Paulo – Pari – vigário da casa, a serviço do Comissário da Terra Santa, PUMI, vigário paroquial;
• 12.05.2004 – São Paulo – São Francisco – atendente conventual e capelão do Hospital Santa Catarina;
• 20.12.2006 – Sorocaba – vigário paroquial na paróquia Bom Jesus;
• 11.10.2007 – São Paulo – São Francisco – atendente conventual e assistente da Pequena Família Franciscana;
• 10.11.2011 – Bragança Paulista – tratamento
Frei Antônio tem palavras bonitas sobre sua vocação. “Amo minha vocação e se tivesse que começar outra vez, daria os mesmos passos que dei. Acho maravilhoso na minha vida a providência de Deus. Tudo se encaixa perfeitamente. Apesar de eu descobrir depois, tudo está preparado com muito carinho pelo Pai do Céu. Continuamente rendo graças a Deus. Sinto-me feliz!”.
Frei Antônio define o melhor tempo de sua vida nesses termos: “No tempo que estive na formação, aprendi a amar a vocação religiosa. O melhor tempo foi como missionário no Chile, onde me encontrei como homem, como religioso franciscano, como pastor de almas, como orientador de jovens e velhos, moços e moças. Tempo formidável!”.
Com o bom humor, que lhe era característico, em 2011 Frei Antônio pede para ser transferido para Bragança Paulista: “Como os elefantes velhos (sicut dicunt), pressentindo o fim de suas atividades elefânticas, voltam ao lugar onde nasceram ou ao cemitério de seus antepassados, assim, pressentindo o fim do tempo de minha atuação terrestre, rogo ser transferido para o lugar de nosso tranquilo repouso da Província, em Bragança, para continuar a preparação para o encontro definitivo com o Senhor Jesus, nosso misericordioso Redentor”.
Que deste encontro preparado e almejado com o Senhor, Frei Antônio possa interceder pelos irmãos que continuam sua peregrinação neste mundo!
R.I.P.
Frei Walter de Carvalho Júnior

domingo, 29 de julho de 2012

Partilha gera vida para todos!

              17º Domingo do Tempo Comum
                Caríssimos irmãos e irmãs
Paz e Bem!

                Mais uma semana que termina, mais um mês que termina. Julho vai se despedindo de nós com seu friozinho, suas noites longas e dias curtos. Nossas lutas e buscas vão acontecendo no passar dos dias, na caminhada constante e na busca de sermos cristãos melhores e verdadeiro filhos e filhas de Deus.
                No evangelho deste domingo, o Senhor Jesus vê uma grande multidão. O seu olhar é uma radiografia da situação e seu coração busca uma solução. Onde vamos encontrar pão para tanta gente?
                Os discípulos, avaliando os recursos disponíveis, não vêem muita saída. Mas Jesus, com seu sadio realismo, parte do que se tem a disposição. Cinco pães e dois peixes parecem nada, mas, para Jesus, é tudo o que é necessário. Manda o povo se sentar. Confusão gera confusão, mas disciplina e solidariedade geram energia, força e vida. É a condição para o Espírito venha com seu poder criador. É a força de que aquele punhado de escravos hebreus precisava para enfrentar faraó e seus guardas, Mar Vermelho e suas ciladas, deserto e suas privações.
                Aquele que do nada criou tudo sempre é capaz de criar tudo, quando o nada é tudo o que se tem. A ação de Deus, e semelhantemente, a ação humana, só é impedida, quando o nada se pretende mais do que é. Com a pobreza dos bens e a humildade das pessoas é possível encontrar saídas. Já com a riqueza dos bens e o egoísmo das pessoas não dá para construir nada. Pode-se até tentar, mas desmorona e divide, como na Torre de Babel.
                Que este evangelho que inspira partilha, doação e solidariedade, nos ensine a partilhar a vida cristã e os dons que herdamos do Pai. Jesus, da miséria do povo, retira a grandeza da solidariedade. Que este gesto simbólico nos inspire sempre em nossos atos.
                Que o Senhor nos abençoe hoje e sempre.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Dona Anna no programa do Jô!

Dona Anna Variani, dirige, aos 98 anos, um Fusca 74!

Sempre ouvi de um sábio e bondoso amigo que aqueles que quiserem viver muito, devem se dedicar à caridade.
Sempre achei que Deus escolhe os seres mais frágeis para colocar os espíritos de maior grandeza (Gandi, Madre Tereza, nosso amado Chico) como prova de que corpo e alma são coisas muuuuito distintas.
Dona Anna Variani, dirige aos 98 anos um Fusca 74 e trabalha voluntariamente em dois lugares: Sociedade Beneficiente Santo Antônio e, no Lar do Ancião, ajuda idosos mais novos no asilo, em torno de 75 anos de idade (cerca de duas décadas mais novos que ela).
Dona Anna Variani é uma senhora encantadora, adorável e que se dedica a ajudar os outros. São 45 anos de assistência social.
Destaque para dois momentos neste vídeo: 06:05- Jô Soares pergunta a que horas ela vai dormir;
06:49- Jô Soares faz uma declaração inusitada;
Ela usa o carro para ir quase todo dia para o Lar do Ancião de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. Mas a Dona Anna não mora no local, ela trabalha como voluntária, é a vice-presidente do lar, onde hoje vivem 60 idosos e 59 são mais novos do que Dona Anna.
Anna Variani reside na cidade serrana de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul (RS). Em 15 de Novembro de 1910 nasceu em Solagna, fronteira com Bassano del Grappa, um comuna italiana da região do
Vêneto. Da Itália, ela imigrou para o Brasil com a família durante a Primeira Guerra Mundial.
Os quase 100 anos de vida reduziram alguns centímetros de dona Anna, hoje com menos de 1m50 de altura, apenas 35 quilos e ainda com grande disposição. Na hora do almoço, ela dá de comer às velhinhas do asilo que têm mais dificuldade.
Inacreditável tanta dedicação, disposição e lucidez! Emocionante!!!
Dedique 10 minutos do seu tempo p/se deliciar c/esta história de aquecer e coração e provocar muita reflexão.

Promessa da Eucaristia



O primeiro passo de Jesus foi preparar as pessoas para compreenderem melhor a grande doutrina da Eucaristia. Opera um grandioso milagre, multiplicando cinco pães em tanta quantidade que deu para saciar 5 mil pessoas, sem contar as mulheres e crianças, sobrando 12 cestos de pedaços. Com este milagre Jesus quis demonstrar ao povo seu poder divino (Jo 6,1-15). Imediatamente, passou a falar de outro pão:
“Eu sou o Pão da Vida. Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este pão é o que desce do céu para que não pereça quem dele comer. Eu sou o Pão Vivo descido do céu. Quem comer deste Pão viverá eternamente. O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo”. (Jo 6,48-51).
Jesus não falava simbolicamente, mas literalmente, realmente. De fato, os judeus começaram a discutir entre si: “Como este homem pode nos dar a sua carne para comer?” (Jo 6,52). Mas Jesus não os corrige e afirma com mis força ainda:
“Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia. Pois minha carne é verdadeiramente comida e meu sangue verdadeiramente bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (jo 6,53-56).
Apesar da clareza das palavras de Jesus, apesar de sua autoridade divina, muitos dos seus discípulos não aceitaram a doutrina do Mestre e começaram a deixá-lo sozinho. Mas Jesus não modificou sua doutrina. Aliás, dirigindo-se aos doze, lhes disse:
“Não quereis também partir? Simão Pedro respondeu: Senhor, a quem iremos? Só tu tens palavras de vida eterna e nós cremos e reconhecemos que és o Santo de Deus” (Jo 6,67-69)
Jesus preferia que até os seus apóstolos o deixassem, do que modificar sua doutrina. Eles não entenderam nada, mas confiaram na sua Palavra:
“Tu tens palavras de vida eterna”.

Alma e Espírito

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Pró-Vocações realiza encontro de Benfeitores Franciscanos em Vila Velha


Frei Juliano Fachini Fernandes, OFM
     Entre os dias 6 a 15 de julho foi realizada mais uma campanha do Pró-Vocações e Missões Franciscanas, desta vez em Vila Velha, Espírito Santo. Parte da campanha realizada nesta cidade deu-se no Santuário Divino Espírito Santo. Já a segunda, aconteceu no Convento Nossa Senhora da Penha. Em ambos os lugares religiosos, os Frades estão presentes.
     Este trabalho tem por objetivo contar com a ajuda de pessoas que se sentem “provocadas” pelo espírito de partilha, e de compromisso com o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, através do auxílio na formação dos seminaristas e frades estudantes. Com a graça de Deus e de Nossa Senhora da Penha, sua Mãe, nesta região podemos perceber esta calorosa ajuda.
     No último dia de nossa presença em terras capixabas, 15 de julho, no período da manhã, várias pessoas deixaram seus lares para sentirem e viverem conosco o espírito do poverello de Assis, pois, realizamos um encontro de benfeitores franciscanos. Iniciamos às nove horas da manhã com um pequeno lanche e em seguida fizemos uma oração.
     Nós frades, com os benfeitores presentes no encontro, refletimos sobre a Vocação Franciscana; passamos um vídeo produzido por nós, mostrando as etapas da formação. Ouve também uma pequena palestra, com objetivo de expressar a gratuidade da nossa parte e de toda a Província da Imaculada pela ajuda dada por eles, explicando para onde é conduzido o dinheiro e mostrando que há uma espiritualidade por traz desta mão-amiga.
     Foi neste clima franciscano, vendo o sorriso estampado no rosto de cada um dos benfeitores presente que nós frades, sendo, Frei Alvaci, Frei Alexandre, Frei Gabriel e eu, Frei Juliano, juntos rezamos, refletimos e nos confraternizamos com este querido povo do Estado do Espírito Santo.
     Que toda ajuda dada por essas pessoas e seus familiares, seja retornado em muita paz, amor, saúde e união familiar. Assim como Jesus nos diz no Evangelho de Mateus 10, 42:
”E todo o que der a beber a um daqueles pequeninos um copo de água fria só pela razão de ser meu discípulo, na verdade vos digo que não perderá a sua recompensa.”
     Estamos rezando por todos os nossos queridos benfeitores franciscanos. E deixamos aqui o nosso muito obrigado por nos ajudarem. Amém!
Frei Juliano Fachini Fernandes, OFM

O chamado vocacional


Frei Gabriel Vargas Dias Alves, OFM.
“De manhã em manhã ele me desperta, sim, desperta o meu ouvido para que eu ouça como os discípulos.O Senhor Iahweh abriu-me os ouvidos e eu não fui rebelde, não recuei.”. (Is 50,4.5)
Como qualquer jovem vivendo nesse turbilhão de avanços tecnológicos incessante, me espanto com os passos que damos e preocupo-me com os rumos que tomamos. Somos seres sociáveis, necessitamos de partilhar a vida com aqueles que amamos, mas sufocamos o que nos é mais próprio através de uma partilha virtual, uma pseudo-partilha.
     Exaltamos a diferença, no entanto uma diferença que não absorve o rotulado como fora de moda, ultrapassado ou simplesmente discordante da massa. Agimos de determinada maneira porque outros assim o fazem. Reproduzimos gestos e comportamentos sem sincera reflexão sobre eles. Perdemos a dimensão do sentido de existir, e aos poucos deixamos de viver, passando a sermos vividos, tomados por uma onda de modismos que nos impulsionam ao ermo. Os cotidianos gestos reclamam significado passo a passo. Quando fugitivo de si mesmo o ser humano só encontra o vazio.
     Em meio ao uma miríade de luzes e sons cada qual sente um toque ritmado dentro de si.   Um anseio de ver além do que os monitores podem mostrar. Uma vontade de estar verdadeiramente presente em cada momento. De reter a presença do Sumo Bem junto a si, da qual se aprende a tomar consciência. Nesse toque que de uma forma ou de outra, todos sentimos, alguns de nós somos chamados a viver de um modo diferente. Somos vocacionados e vocacionadas a vida consagrada. Ao contrário do que alguns poderiam pensar, mais do que nunca a vida consagrada se apresenta como um caminho não só possível, mas abraçado como entrega amorosa que resplandece em felicidade e realização.   Partindo da própria vida e irradiando por onde passa, o consagrado é chamado a conferir novo sabor à vida, hoje tão banalizada; a "re-significar" os acenos mais simples do cotidiano.
     Como religioso franciscano ouço os ecos eloquentes da pessoa de Francisco de Assis, atual como nunca. Pois é disso que o mundo precisa, outros franciscos e franciscas, pessoas-instrumentos da paz e do bem, portadores do dom do Evangelho, dispostos e disponíveis a levarem a fé e a esperança. Gente que olha as pessoas e vê rostos de irmãos. Não se iludem pensando encontrar pessoas prontas, perfeitas, e sim capazes de acreditar e de empenhar-se na construção de uma sociedade baseada na fraternidade.
     Para isso é necessário parada. Urge apurar os ouvidos para as melodias que vem “da outra margem do silêncio” e redescobrir-se; dar sua resposta a esta moção do espírito a cada novo desafio que a caminhada da vida nos impõe. Pois o sim é ininterrupto e sempre novo, assim como o chamado ressoando nos rostos dos pobres e excluídos como os que interpelaram Francisco.
Frei Gabriel Vargas Dias Alves, OFM.

São Boaventura


No calendário litúrgico, esta semana de julho faz memória a São Boaventura de Bagnoregio, franciscano, doutor da Igreja, sucessor de São Francisco de Assis na condução da Ordem dos Frades Menores.

Ele escreveu a primeira biografia oficial do Poverello, e no final da vida foi Bispo desta Diocese de Albano. Numa carta, Boaventura escreve: “Confesso diante de Deus que a razão que mais me fez amar a vida do beato Francisco é que ela se assemelha ao início e ao crescimento da Igreja” (Epistula de tribus quaestionibus, na Obra de São Boaventura, Introdução Geral, Roma 1990, p.29).

Estas palavras nos remetem diretamente ao Evangelho deste domingo, que apresenta o primeiro envio em missão dos Doze Apóstolos por parte de Jesus “Chamou a si os doze, e começou a enviá-los a dois e dois, e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos;

E ordenou-lhes que nada tomassem para o caminho, senão somente um bordão; nem alforje, nem pão, nem dinheiro no cinto; Mas que calçassem alparcas, e que não vestissem duas túnicas. (Mc 6, 7-9).

Francisco de Assis, depois de sua conversão, praticou ao ‘pé da letra’ este Evangelho, tornando-se uma fidelíssima testemunha de Jesus ; e associado de maneira singular ao mistério da Cruz, foi transformado num ‘outro Cristo’, como o próprio São Boaventura o apresente.”.

Toda a vida de São Boaventura, assim como sua teologia têm como centro inspirador Jesus Cristo. Esta centralidade de Cristo reencontramos na segunda Leitura da Missa de hoje (Ef 1, 3-14), o célebre hino da Carta de São Paulo aos Efésios, que inicia assim: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo”.O apóstolo mostra então como se realizou este designo em quatro passagens que começam com a mesma expressão ‘Nele’, referindo à Jesus Cristo. ‘Nele’ o Pai nos escolheu antes da fundação do mundo; ‘Nele’ fomos redimidos mediante o seu sangue; ‘Nele’ nos tornamo herdeiros, predestinados a ser ‘louvor de sua glória’; ‘Nele’aqueles que crêem no Evangelho recebem o sigilo do Espírito Santo.

Este hino paulino contém a visão da história que São Boaventura contribuiu para difundir na Igreja: toda a história tem como centro Cristo, o qual assegura também novidade e renovação a todo tempo. Em Jesus, Deus disse e deu tudo, mas como Ele é um tesouro inexorável, o Espírito Santo jamais deixa de revelar e de atualizar o seu mistério. Por isso a obra de Cristo e da Igreja jamais regride, mas sempre progride.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Jesus envia discípulos missionários



Sob o signo de Bento!

     A semana que termina foi bem servida de datas simbólicas. No início da semana, dia 09, os paulistas recordaram os 80 anos da Revolução Constitucionalista de 1932.

  Este episódio contribui para fortalecer a identidade deste Estado, tão diverso na procedência de sua população.
   A mesma data, 09 de julho, abriga a celebração de Santa Paulina, a "Madre Paulina”, primeira santa canonizada que viveu no Brasil Acabou ficando bem esta coincidência de celebrações, até porque a Santa honra o Estado com seu nome e com o testemunho de vida que aqui ela deixou.
     No final da semana, o dia 14 de julho continua evocando os tempos da revolução francesa, episódio maior das grandes transformações políticas ocorridas na Europa nos últimos séculos.

     E no meio da semana, dia 11 de julho, a memória de São Bento, padroeiro da Europa, como o Papa Paulo VI fez questão de estabelecer.
Pois bem, a soma destas circunstâncias nos convida a pensar na Europa, e a nos perguntar o que está acontecendo com o "velho continente”. Ele passa, sem dúvida, por um momento de crise. Os sintomas são diversos. Mas aquele que logo levanta inquietações, por suas implicações práticas, é a crise econômica, que se manifesta com mais força em alguns países, mas que se tornou preocupação de todos eles.
Na verdade, a crise da Europa é mais profunda. Suas raízes são de ordem cultural. Depois de tantas transformações sofridas nos últimos séculos, a Europa tem agora dificuldade de se entender a si mesma. Está em busca de uma nova identidade, que não é fácil de emergir, em cima de tantos destroços do passado a absorver, e tantos valores novos a assimilar.
     A "União Europeia” é a tentativa mais abrangente de construção de uma nova Europa, que corresponda às aspirações de suas diferentes nações, e à expectativa do mundo, que se habituou a ter na Europa uma referência indispensável para a orquestração da ordem global.         A dificuldade em assumir uma nova identidade, que corresponda a tantas e tão diversas aspirações, se manifesta na obstinação em não admitir as "raízes cristãs” da cultura europeia.   Na elaboração da "constituição” destinada a servir de base para a consolidação da União Europeia, não se quis admitir estas "raízes cristãs” da Europa.
     Quem vive este drama, de buscar uma nova identidade europeia, integradora dos grandes valores que precisariam ser reelaborados, é o atual Papa Bento XVI. Ele poderia ser eleito o europeu número um, dentre todos os habitantes do continente. Nasceu no coração da Europa.    Se fôssemos medir o continente com um compasso, sua ponta iria cair na cidade onde nasceu Joseph Ratzinger. E ainda por cima, eleito papa, ele escolheu o nome de Bento, o mesmo nome do Padroeiro da Europa. Não existe ninguém mais "europeu” do que o Papa Bento XVI.
     Pois bem, Bento XVI e São Bento são os dois personagens que melhor nos ajudam a compreender a Europa. No tempo de São Bento, nas proximidades do ano 500 de nossa era, a Europa estava se esfacelando, com o declínio do império romano. Foi então que apareceu São Bento, fundador dos monges no ocidente. Ele lançou os fundamentos da nova Europa. Soube impregnar de valores cristãos a vida cotidiana das populações, com seu lema prático e eficaz: "ora et labora”, síntese integradora de valores da fé e do trabalho humano, roteiro de vida que iria possibilitar a consolidação da cultura que plasmou a Europa ao longo de séculos.
     Agora esta cultura está em crise profunda. Como nos tempos de São Bento, é preciso refundar a Europa. É o anseio que Bento XVI vem enfatizando com insistência crescente.

    No tempo de São Bento, o esfacelamento do império romano facilitou sua obra de reconstrução da Europa. Para refazer esta façanha, a Europa precisa agora admitir a falência de muitos equívocos que levaram ao impasse atual. E reconhecer que os valores da fé não contradizem, nem prescindem, dos valores de ordem política e social. É uma nova síntese que precisa ser elaborada. Sem preconceitos e sem ilusões.
Dom Demétrio Valentini, Bispo de Jales 

Essa gente jogada na rua

Há vidas e vidas.  Gosto de observar  as pessoas no metrô, na fila dos bancos, no hall de uma sala de espetáculos e  na rua…
Aquele  homem perambulava por ruas sujas e imundas, com paredes rabiscadas e fétido odor… Ele era jovem, bonito, cabelos negros, sujo, descalço, descuidado, com calças dobradas até o meio da canela.  Tinha, no entanto, no jeito de caminhar e no brilho de seus olhos lampejos de nobreza.  Andava a esmo, carregando uma vasilha de plástico e arrastando um cobertor…
Lavava o rosto numa bica que havia ali, perto do viaduto… e à noite se enrolava naquela coberta que carregava de um lado para o outro e dormia… nem mesmo sei se conseguia dormir… ali mesmo num canto… meio escondido, antes de deitar, urinava… sujo… sem nada, sem ontem, sem antes de ontem e sem amanhã… antes de dormir rezava uma ave-maria e fazia o nome do Pai…  Andou se metendo no mundo das drogas, estragou a vida e os seus o deixaram.  Ninguém sabe nada a respeito desse homem bonito e transformado num caco humano e num resto de gente.

Alguém, no entanto, tem que saber alguma coisa a respeito desse homem. Um dia um homem e uma mulher se uniram carnalmente e esse homem foi gerado… com casamento… sem casamento… não sei. Não aconteceu assim do nada. Mas teve um pai e uma mãe.
Quem sabe, talvez, ele teve um berço, sapatinhos de lã, chocalho, brinquedos do Papai Noel, tio, avós, primos, padrinho, madrinha, bilu-bilu…  Deve ter mamado de peito ou de mamadeira.  Deve ter sido beijado e a  muitos beijado.  Teve um quarto  com colchão, travesseiro, edredom, mosqueteiro,  livros, terço, escrivaninha para estudar com lâmpada de mesa.  Sim, livros,  atlas, gramática portuguesa, livros de inglês.  Quando voltava à casa depois das aulas tomava uma xícara de chocolate quente nos dias de inverno.
Será que não?  Será que o que escrevo é pura fantasia? Será que esse homem nunca usou faca e garfo?
Que será desse resto humano de um pouco mais de  30 anos. Quem se interessará por ele?  Será que basta alguém passar e deixar uma sacola com biscoitos, leite e frutas?  Será que basta que ele receba roupas que as pessoas não querem mais? Como fazer de sorte que este homem  possa dormir numa cama decente, abrir a janela para o dia que chega, tomar banho, pentear o cabelo, encontrar um amor, descobrir que  Jesus , belo e magnifico,  deu a vida por ele numa tarde de amor?
Que tristes histórias perambulam pelas ruas….

Clique e veja como ajudar: Campanha do Agasalho PVF 2012 

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Seja um frade franciscano!

Você já pensou em ser franciscano?
Ser um arauto da Paz e do Bem no mundo...
Seguir Cristo assim como o seguiu Francisco de Assis?
Entre em contato conosco:


Pro-Vocações e Missões Franciscanas
pvf@franciscanos.org.br

sexta-feira, 6 de julho de 2012

14º Domingo do Tempo Comum/Ano B - Reflexão Dominical


Menos católicos: o que os números nos querem dizer?

Por Frei Gustavo Medella
Apresentador do programa "Sala Franciscana"!
- O resultado do último Censo do IBGE (2010) aponta que o percentual de 64,6% da população brasileira se declarou católica. Em números absolutos, este total seria de 123.280.172 pessoas. No Censo 2000, a percentagem era de 73,6%. A população Evangélica aumentou de 15,4% em 2000 para 22,2% em 2010, contemplando o universo dos evangélicos de origem pentecostal, evangélicos de missão e evangélicos não determinados, categorias que abrigam muitas denominações diferentes. Houve crescimento também do número dos que se declararam sem religião, saltando de 7,3% para 8,0% da população.

O Censo é um estudo minucioso, que leva em conta uma infinidade de dados, faz cruzamentos entre eles e busca interpretá-los à luz da estatística. Cada informação levantada dá margem a inúmeros desdobramentos que ajudam a Diante deste mundo de dados e informações, vou partilhar como você, amigo leitor, alguns sentimentos e ideias que vieram à minha mente na qualidade de membro desta grande família dos filhos e filhas de Deus que é a Igreja Católica.

• A razão de existir da Igreja é a missão confiada a ela por Jesus Cristo: “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura!” (Cf. Mc 16,15). E o envio do Mestre continua atual para todos os batizados e batizadas que abraçaram esta missão em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

• Diante da responsabilidade da tarefa, o mais importante é que a Igreja (comunidade de todos os batizados e batizadas) esteja em constante escuta e discernimento dos apelos que Deus continua a dirigi-la na história. A preocupação com a fidelidade na busca da construção deste mundo impregnado de Evangelho (Boa notícia de justiça, paz, liberdade, vida plena) se sobrepõe à excessiva inquietação diante da queda nos números. O desrespeito à vida humana, a submissão de muitos filhos e filhas de Deus às leis de um mercado opressor e excludente, o uso indiscriminado dos bens e recursos da natureza na lógica da exploração em vez da comunhão são anti-testemunhos do Reino que devem tirar o sono e o sossego dos batizados e batizadas, muito mais do que a angústia da possibilidade de, em algumas décadas, os católicos não serem mais maioria entre a população brasileira.

• Neste sentido, o modo de Jesus ser e agir aponta o caminho a ser trilhado: Nunca se preocupou em mostrar poder, mas sempre esteve ocupado em servir (Cf. Mt 20,25-28); Manifestou preocupação constante com o resgate da dignidade e a libertação de quem vinha a seu encontro, no corpo a corpo, no face a face (Cf. Mt 10,46-52 – Cura do cego Bartimeu; Jo 8,3-11 – Perdão à mulher adúltera e muitas outras); Insistia na modéstia, na discrição e no empenho pela instalação do Reino (grão de mostarda, pouquinho de fermento na massa etc.).

Diante da queda do número e das três considerações levantadas, parece mais prudente e produtivo que se busque uma postura de equilíbrio que predomine sobre um fechamento excessivo em si mesma (Não tem problema que o número diminua, o importante é que os que ficamos somos os verdadeiros fiéis) e a tentativa desesperada de atrair novos membros (missa-show, grandes concentrações de fiéis, espetáculos estéticos distantes da realidade etc.).

O que peço a Deus, na qualidade de membro desta grande família, é que eu e meus 123.280.171 irmãos e irmãs em Cristo na Igreja Católica tenhamos a graça de buscar a fidelidade à missão confiada pelo Senhor. Caso consigamos ser fiéis às recomendações de Cristo, não tenho dúvidas de que construiremos um Brasil melhor, muito melhor!

http://www.pvf.com.br/

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Boletim Informativo PVF nº 136

A graça de trabalhar na forma de vida de Santa Clara

VII CENTENÁRIO DA FUNDAÇÃO DAS IRMÃS POBRES DE SANTA CLARA
Por Frei João Mannes
A Forma de Vida de Santa Clara discorre-se sobre o modo de trabalhar: “As Irmãs a quem o Senhor deu a graça de trabalhar trabalhem com fidelidade e devoção” (RSC VII,1), “com as próprias mãos” (RSC VII,4) e num trabalho conveniente “ao bem comum” (RSC VII,1).

Primeiramente Clara refere-se ao trabalho como graça divina. Graça é algo recebido gratuitamente, é dom, é presente. Graça é expressão de benevolência, liberdade e gratuidade. A fonte inesgotável de todas as graças é o próprio Deus que, absolutamente desprendido de si, por pura liberdade e amor, não cessa de criar e de se doar como dom em cada uma de suas criaturas. Porém, Deus mesmo, por pura gratuidade, se doa, por excelência, em Jesus Cristo, à criatura humana. Assim, ter recebido a “graça de trabalhar” significa ter arraigado no seu coração o dom de amar e servir a exemplo de Jesus Cristo que veio para servir e dar a sua vida (cf. Mt 20,28). De modo que, quanto mais o homem se dispõe a servir, tanto mais está na graça de trabalhar.

O termo trabalho vem do substantivo latino labor. Labor ou laborar (trabalhar) indicam uma tarefa árdua, demorada, cheia de exigências por causa de sua importância e preciosidade. E o trabalho mais importante consiste em cada um ter que livre e necessariamente esculpir a forma de sua identidade à semelhança de Deus. De fato, a existência humana, dádiva divina, está em contínua construção. Ninguém nasce pronto. Existir é continuamente ter de se fazer de acordo com as suas escolhas. Nada nos obriga a escolher um caminho ou outro na vida, porém, é graça mui preciosa que se possa construir a própria identidade à semelhança de Deus que não se vangloriou de sua condição divina, mas se fez menor, pequeno, humilde e pobre, estabelecendo conosco um pacto de amor. Esse modo de trabalhar a própria existência repercute em todos os afazeres e dimensões da vida porque todos têm a sua motivação originária no espírito do Senhor e Servo Jesus Cristo.

Nos escritos de Clara e Francisco ocorre algumas vezes a expressão “trabalhar com as próprias mãos”. Essa frase, antes de significar o trabalho manual propriamente dito, indica uma disposição fundamental de vida de ter-se a si mesmo nas “próprias mãos”. Isto é, cada um deve se empenhar para ter o domínio sobre si mesmo e, na posse de si, auto-determinar-se no seu ser e fazer. Se, por exemplo, alguém quer ser virtuoso, deve ele mesmo, voluntariamente, exercitar-se nas virtudes. O “trabalhar com as próprias mãos” indica, portanto,  a intransferível responsabilidade de cada indivíduo construir o seu próprio ser e de engajar-se, com fidelidade, unção e devoção (cf. RSC VII,1-2), em todos os trabalhos, sejam manuais ou espirituais.

Por outro lado, a necessidade de “trabalhar com as próprias mãos” refere-se ao trabalho artesanal propriamente dito. O trabalho manual faz parte da opção fundamental de vida de Santa Clara. Mesmo doente, ela não deixou de trabalhar, conforme atesta a seguinte passagem do Processo de Canonização de Santa Clara: “depois que (ela) ficou doente de não poder levantar-se da cama, fazia com que a erguessem para ficar sentada e sustentada com alguns panos por trás das costas e fiava” (PC 1,11). E enquanto fiava, outras Irmãs transformavam os fios em tecido, outras ainda costuravam o tecido e com ele confeccionavam corporais para o sacrifício do altar nas Igrejas das planícies e dos montes de Assis (cf. PC 1,11). Trata-se de um bom exemplo de trabalho realizado em equipe.

No entanto, as Irmãs dedicam-se ao trabalho doméstico, ao trabalho de tecelagem e ao cultivo do campo não só porque o trabalho é um dever inerente à Forma de Vida de Santa Clara, mas também para o sustento da comunidade, ou para a “utilidade comum” (RSC VII, 5). Nesse sentido, prescreve a Regra que a “abadessa ou sua vigária devem indicar em capítulo, diante de todas, o que cada uma deve fazer com as próprias mãos” (RSC VII, 3). Porém, é importante ter sempre presente que na compreensão das Pobres de Assis o sustento da comunidade não decorria da instrumentalização do trabalho, mas da consciência de que o seguimento de Cristo pobre passa pela humilde fadiga do trabalho manual.

Portanto, Clara chama a atenção para a necessidade de trabalhar para “afugentar o ócio, inimigo da alma” (RSC VII,1), e em vista do “bem comum” (RSC VII,1). Isto significa que os trabalhos são fundamentalmente serviços à comunidade e, nessa perspectiva, qualquer retribuição recebida pelo trabalho prestado (pro labore) também devia ser entregue à abadessa ou à sua vigária, que, com o conselho das discretas, a distribuía conforme a necessidade de cada uma (cf. RSC VII, 4-5).

Por fim, ressalta-se a atitude de Francisco em relação ao trabalho. Para ele, ser servo à semelhança de Jesus Cristo, é o trabalho dos trabalhos. E acerca dos trabalhos em geral, Francisco quer firmemente que todos os irmãos trabalhem num ofício honesto e útil à Fraternidade (cf. Test 20). Por isso, exortava: “cuidem todos os irmãos para não vagarem pelo mundo por interesse de algum lucro ignóbil” (RnB VIII, 12).

Ademais, Francisco repugnava os “irmãos moscas”, ou seja, aqueles que ficam saltando de galho em galho, não se engajando para valer em nenhum trabalho, ou trabalhando alheios à Fraternidade, em projetos pessoais. O trabalho do franciscano caracteriza-se pelo espírito do trabalho em equipe e em rede de equipes nas diversas frentes de trabalho: formação, educação, comunicação, missão e santuários. De modo que o frade menor não trabalha isoladamente e em nome pessoal, nem de forma mediana ou pouco profissional, mas trabalha em nome da Fraternidade e no rigor da competência profissional: “os que não sabem trabalhar aprendam” (Test 21).

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Preparação para o casamento


Ser Santo

“Sede vós santos em todo o vosso agir” (1Pe 1,15)
Frei Medella, primeiro, mostrou o que é não ser santo e depois levou o povo a refletir sobre o que é ser santo. Acompanhe na íntegra a sua reflexão:
SER SANTO NÃO É:



1) Ser sem defeitos!
O limite é condição de nossa existência. Nosso corpo é um limite, uma fronteira que nos torna particulares e nos permite existir. Podemos até superar limites, em diversas situações, mas os limites superados ficam para trás e surgem outros (Exemplo do horizonte). Somos limitados no espaço e no tempo! Ah, mas no Evangelho Jesus nos convida a sermos perfeitos… De fato, convida, porque sabe que não somos! E perfeição não é a ausência de defeitos, mas a superação dos limites… É um crescimento constante, sempre renascer de novo! (Olha aí o tema de ontem: “Regenerados para uma esperança viva”!)
Temos nossas dificuldades, nem sempre somos como gostaríamos de ser. E isso também aconteceu com os Santos: “São Paulo nos diz: Não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero” (Rm 7,19). São Pedro nega Cristo três vezes, fica com raiva do guarda e lhe corta a orelha… LIMITE… Portanto, ser santo não é ser sem defeito.
2) Buscar ser melhor do que os outros
A busca pela santidade não é uma disputa, uma corrida onde só um é premiado. O prêmio é para todos que o buscam de coração. Não devemos ficar nos comparando, achando-nos melhores, mais perfeitos, mais santos do que ninguém. Este olhar nos distancia de Deus e das pessoas, nos tornam isolados e solitários. Ninguém gosta de estar perto de uma pessoa que se acha o suprassumo da bondade, da generosidade, da justiça… Julgando-se sem pecado, sem defeito, melhor do que os outros, mas digna do Reino dos Céus, quem age assim, sem perceber, incorre no pecado do orgulho e, caso insista e se aprofunde nessa prática, não demora muito a se achar igual ou até mesmo superior ao próprio Deus! PURO DELÍRIO!
3) Isolar- se da realidade
Quanta gente às vezes não fala: “O mundo está perdido! Só tem gente interesseira, gananciosa, ardilosa, falsa. Meu trabalho é um ninho de serpentes… Até quem eu achava que era meu amigo me puxou o tapete… Já sei! Vou largar tudo e ir morar no meio do mato… Sozinho, eu e Deus! Quero viver rezando, sem contato com ninguém, buscando a santidade… Aí vou conseguir ser santo… Porque se depender de quem está à minha volta, Deus me livre… Um pior do que o outro…”
SER SANTO É:
1) Reconhecer-se pecador e limitado e trabalhar firme para melhorar
Quem busca a santidade olha para a própria vida e sabe bem onde o calo aperta… Reconhece os próprios defeitos, os pontos de fraqueza… Não fica apavorado diante disso e muito menos tenta esconder as próprias falhas. Ao contrário: Sabe que é pecador, mas se sente profundamente amado por Deus, e por isso busca com toda força aproximar-se cada vez mais do Senhor, combatendo os próprios vícios para crescer na Graça de Deus.
O Salmo 31 nos conta a felicidade e o alívio do ser humano que se reconhece pecador: “Feliz o homem que foi perdoado/ e cuja falta já foi encoberta!/ Feliz o homem a quem o Senhor/ não olha mais como sendo culpado,/ e em cuja alma não há falsidade! Eu confessei, afinal, meu pecado,/ e minha falta vos fiz conhecer./ Disse: ‘Eu irei confessar meu pecado!’/  E perdoastes, Senhor, minha falta. Alegrai-vos, ó justos, em Deus,/ e no Senhor exultai de alegria!/ Corações retos, cantai jubilosos!”
2) Procurar vencer a si mesmo
No caminho da santidade, o maior limite, o maior obstáculo a ser vencido está no próprio coração. Humildemente, a pessoa reconhece o próprio orgulho, as próprias dificuldades e se coloca com seriedade no caminho da superação, sempre confiante no auxílio de Deus. Quem busca a santidade sabe que pode sempre vencer-se um pouco mais… Tornar-se mais próximo de Deus pela oração, mais próximo de seus irmãos e irmãs pela caridade, sempre num caminho de vencer os próprios obstáculos interiores da vaidade, da preguiça, da falta de fé, do egoísmo…
3) Transformar a realidade
Aí está a instrução de Jesus, que nos pede para sermos sal da terra e luz do mundo. Não temos que nos isolar das pessoas, dos ambientes, mas ao contrário… Lá onde o pecado parece imperar é que devemos estar… Não sozinhos, mas com Deus e os irmãos, fermentando a massa, unindo as pessoas, levando amor, carinho, alimento, compreensão, um abraço, um sorriso, um minuto de atenção a quem se sente abandonado, sozinho, triste, faminto. É nestes lugares de desafio que devemos estar para buscar a santidade. Não há dúvida de que é uma tarefa gigantesca, e, por mais que fizermos, sempre ainda haverá muito por fazer… Mas é assim mesmo, com paciência, insistência que conseguiremos construir um mundo melhor…
Então, para concluir:
• SER SANTO NÃO É SER SEM DEFEITOS, MAS RECONHECER-SE PECADOR E LIMITADO E TRABALHAR FIRME PARA MELHORAR.
• SER SANTO NÃO É BUSCAR SER MELHOR DO QUE OS OUTROS, MAS PROCURAR VENCER A SI MESMO.
• SER SANTO NÃO É ISOLAR- SE DA REALIDADE, MAS TRANSFORMAR A REALIDADE.
Resumindo: SER SANTO É SER POR CRISTO, COM CRISTO E EM CRISTO!
É tornar-se outro Cristo para o mundo e para as pessoas. Não para ser como Deus, mas para se colocar a serviço de todos, em especial dos mais pobres e fracos, como Jesus Cristo se colocou até as últimas consequências…
LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO!

terça-feira, 3 de julho de 2012

Franciscanos na JMJ Rio 2013!

Frei Diego fala sobre a presença dos franciscanos na JMJ Rio 2013!

Em julho do próximo ano, nosso país irá sediar o maior encontro de jovens da Igreja. Trata-se da Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá entre os dias 23 e 28 de julho, com sede no Rio de Janeiro. Nesse evento estarão presentes jovens provindos do mundo inteiro, inclusive inúmeros franciscanos e franciscanas de todas as nacionalidades.
Desse modo, para que pudéssemos ter um espaço de encontro e de divulgação de nosso carisma franciscano, a sede da Fraternidade Franciscana Secular de São Francisco da Penitência, do centro do Rio de Janeiro, cedeu seus espaços para que possamos criar nosso “Espaço Franciscano” durante a Jornada.
Nesse local, queremos reunir todos os ramos da Família Franciscana, mostrando a todos os jovens o nosso espírito alegre e fraterno. Será um ambiente com apresentações culturais e religiosas, teatros, oficinas, oração e meditação, encontro fraterno e ecumênico, palestras, formações e tantas outras atividades relacionadas ao nosso carisma.  
Além disso, a Igreja de São Sebastião, dos Capuchinhos, na Tijuca, sediará um encontro de todos os Ministros Gerais com os nossos jovens.
 Também iniciamos um Concurso Cultural para escolher uma logomarca para os “Franciscanos na JMJ2013”. Nosso intento é criar um referencial visual para nossa presença durante a Jornada e desde já envolver o maior número de pessoas na preparação desse grande evento. As inscrições para participar do Concurso podem ser feitas até o dia 20 de agosto. Maiores informações pelo site www.franciscanos.org.br
Assim, inspirados pelos braços abertos do Cristo Redentor, queremos acolher a todos os nossos irmãos e irmãs para esse grande evento juvenil da Igreja, mas que também será uma oportunidade única para realizarmos um grande encontro fraterno e franciscano com todos os seguidores do nosso ‘Irmão Universal’.
Ajude-nos divulgando nossos projetos e desde já sinta-se convidado a fazer-nos uma visita durante a Jornada Mundial da Juventude. Temos certeza que todo esse nosso esforço frutificará também em novas vocações para a Ordem Franciscana Secular. Estamos à disposição para maiores esclarecimentos, pelo e-mail franciscanosjmj2013@franciscanos.org.br
Frei Diego Atalino de Melo, ofm