PESQUISAR TEMAS E ARQUIVOS DO BLOG

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Páscoa!

“Em nome de Jesus Cristo, o Ressuscitado, põe-te a caminhar” At 3,6.
Quando se aproximam estes tempos de festa, de celebrações, de lojas abarrotadas de produtos a serem vendidos, de pessoas em um número maior caminhando nas ruas para fazerem suas compras, de igrejas enfeitadas ou com um colorido diferente, a gente percebe que algo diverso está acontecendo. É assim no Natal, no Ano Novo, é assim na Páscoa.
Por mais que os tempos sejam outros e que os símbolos religiosos vão pouco a pouco perdendo seu espaço para os “símbolos comerciais”, estas épocas são sempre tempo de reflexão, de questionamentos e até mesmo de tomada de decisões.
Aproxima-se a festa da Páscoa, para nós cristãos, uma festa cheia de significados, aliás, a Páscoa é a certeza definitiva que temos de uma vida que jamais passa, de uma Luz que supera as trevas, de uma Vitória sobre o medo, a injustiça, a dor e a morte.
Não vou me alongar em discursos sobre cada dia desta semana, já estamos bem acostumados a ouvir falar sobre o significado dos Ramos, do Lava-pés, da ceia, do Aleluia e assim por diante.
Contudo, parece-me que a vida, toda ela, é uma constante “semana santa”, começa numa aclamação gloriosa e conclui-se na Páscoa definitiva de cada um.
De fato, um dia, todos nós entramos na Jerusalém deste mundo, aclamados por pais felizes, por amigos, vizinhos, ou mesmo, aqueles que nos hospitais nos receberam nos braços, fato é que, um dia, os ramos e os panos nos foram estendidos neste mundo...entramos na vida, na “Jerusalém da vida” e então começamos a caminhar...
Ah, e esse caminhar é um constante cair e reerguer-se! Em alguns momentos a cruz parece por demais pesada, no decorrer da “semana santa da vida” encontramos amigos, “ceamos” com eles, alguns sorriem para nós, outros nos traem, alguns reclinam o rosto sobre o nosso peito, outros nos negam três vezes, lavamos os pés, deixamos lavar os nossos pés, choramos com aqueles que choram, deixamos até mesmo enxugarem nosso rosto. E quando encontramos nossa aflita mãe? Quantas lágrimas, de alegria ou tristeza, imaginando que ela vai um dia também partir, afinal ela também tem seu caminho. Enfim, neste constante caminhar muitas são as quedas, algumas são as dores, poucos são os Cirineus...contudo, é preciso caminhar, é preciso carregar a nossa cruz.
E a “via” segue, dia após dia, para uns ela dura pouco tempo, chega ao fim na mocidade, na vida adulta, para outros é um pouco mais longa, o que é comum para todos é que subir o monte não é mesmo fácil. Por mais que os discursos modernos insistam em reafirmar o “viva o hoje”, “curta ao máximo”, “não perca seu tempo com discursos de cruz”, jamais conseguimos percorrer o caminho diferente daquele que foi o caminho de Cristo.
Contudo, a grande certeza, a maior alegria, é saber que um dia, novamente aclamados com ramos, panos, festa, entraremos na “Jerusalém celeste”, chegaremos na Páscoa definitiva, simplesmente porque Ele, o Nazareno, nos abriu as portas dela. É tão reconfortante saber que Ele venceu o drama da escuridão, do abandono, da dor...e garantiu com tudo isso, a certeza de que nós também seremos herdeiros da Páscoa definitiva.
Queridos amigos, que possamos fazer desta semana, um tempo favorável para o nosso encontro com a expressão máxima da Doação, jamais passará o sacrifício de uma vida doada por todas as “vidas”.
Desejo a cada um, uma Semana Santa especial e uma Feliz Páscoa.

Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM