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quarta-feira, 28 de março de 2012

A ALEGRIA FRANCISCANA!


Ao se perpassar a vida de Francisco, mesmo nos momentos mais críticos, nos sofrimentos intensos, nas crises mais profundas e nas provações mais angustiantes, desfruta ele de uma inexplicável alegria interior,embora com o coração triturado pelas tribulações. O segredo deste vigor está no seu relacionamento com o Criador, pois Deus é a alegria: “Tu és a nossa alegria”.
Após sua conversão, o jovem Francisco foi se dar conta que a felicidade, a realização humana e cristã, a verdadeira alegria, não se apóia na efemeridade do prestígio, na glória do poder passageiro ou na transitoriedade da fama. Tudo isso é fugaz que não passa de vaidade das vaidades, acobertado por uma falsa alegria: “não está aqui a perfeita alegria”.
O Pobrezinho de Assis encontra no leproso a pedra de toque que o levou a mudar os rumos da caminhada e o sentido da vida. Diz ele textualmente, após esta experiência com os leprosos: “encontrei a doçura de alma e de corpo”. Sim. Sua alegria se efetiva na convivência com os infelizes e com os sofredores. Por isso, sua insistência com a fraternidade: “Devem os irmãos alegrar-se quando se encontram entre gente vulgar e desprezível...”.
E o Cântico do Sol ou Cântico das Criaturas não é senão um jubiloso hino à alegria pelo universo criado. As criaturas que povoam esta terra são a alegria do mundo. Aliás, o Poverello vai mais longe, ao decantar a própria morte, pois nesta passagem derradeira para o Pai sente o coração inundado de alegria com a proximidade da “irmã morte, a porta que se abre para Deus”. Daí, faz uma celebração festiva neste encontro com o Pai e assim poder entrar definitivamente na alegria pascal.
Em vida, Francisco preocupava-se com os irmãos na maneira de andarem pelo mundo: “Não se mostrem tristes e abatidos... mas alegres no Senhor...”.
Podemos também imaginar seu coração, quando da ruptura com o pai terreno, embora tomado pela dor, pronunciar, irradiante de alegria: “Agora, sim, posso dizer: Meu Pai que estais no céu”. Por quê? Porque livre e sem amarras à família carnal, é “o arauto do grande Rei” e só a ele pertence e só a ele toda glória e louvor.
Ao descobrir sua vocação e missão “exultando de alegria no Espírito do Senhor, exclama logo: é isto mesmo que eu quero, procuro e desejo de todo o coração”. Logo, Francisco é uma criatura cheia de Deus e transbordante de alegria.
O pobre de Assis antevia a possibilidade de um mundo fraterno e solidário neste entrelaçamento entre criaturas e Criador, podendo assim, neste convívio, celebrar a paz e alegria de um mundo renovado.