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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A MULHER E O DRAGÃO!

Ao nos depararmos com estas duas figuras, da mulher e do dragão, no livro do Apocalipse, a um primeiro momento, tentamos entender o que significam estas duas imagens, para depois entender a mensagem que o texto nos traz. Duas figuras que, pela sua beleza ou pelo horror que inspiram, vão simbolizar o combate entre o bem e o mal, entre Deus e o demônio. Para bem nos situarmos, será bom relembrar, em síntese, a mensagem com a qual estamos nos encontrando sempre de novo: Não devemos nos desesperar diante das dificuldades, por maiores que sejam. Não devemos perder a confiança. De fato, o Cristo venceu o mal e essa vitória é definitiva.
Na verdade, o texto parece estar mostrando a contínua luta do bem contra o mal, de um Deus que é bondade e misericórdia, contra um “dragão” (diabo, satanás, demônio) que divide e distancia o ser humano do bem. Este mal, no fim terá sua expulsão definitiva do “céu”, porém continuará o embate contra os homens na terra. O que é mais significativo é que Deus, que é o bem por excelência vem em socorro dos homens sempre. Não lhes deixa faltar o seu auxílio. Se o mal parece estar vencendo, é que ainda não se manifestou o domínio completo de Deus.
Na verdade a mulher que traz o seu filho ao mundo é sinal visível da manifestação gloriosa de Deus em favor dos homens, por isso o anjo Miguel vem em seu favor e expulsa o mal. Somos continuamente apoiados por Deus e ele não nos abandona jamais.
Reafirma-se neste capítulo 12, a vitória divina sobre o mal. A mulher que confia e que porta o filho de Deus em seu ventre entrega-se à bondade de Deus, é grandiosa e divina também ela, porque sabe confiar.
Falemos então da primeira figura, a da mulher que sofre as dores de parto, da mulher revestida de sol, vestida de luz e esplendor. Trata-se de uma figura de majestade tão grande que ela tem como apoio a lua debaixo de seus pés. Ela é coroada por doze estrelas que dão a ela um ar de esperança e vitória.
Podemos dizer que a mulher descrita por João simboliza o povo de Deus, o povo formado por todos os que aceitaram as promessas de Deus. É o povo de Deus do Antigo e do Novo Testamento. Povo que traz em si as marcas da esperança e do sofrimento. A mulher estava revestida do sol e coroada de estrelas: imagem do povo de Deus enriquecido com todos os bens, adornado de todas as promessas, revestido da glória dos filhos de Deus. Mas a mulher também estava em dores de parto, como o povo de Deus esteve sempre e sempre estará cercado de sofrimentos e tribulações. O Messias prometido deveria nascer do povo judeu; mas, até que chegasse esse momento, era preciso que fosse purificado de todas as suas misérias e infidelidades. Era preciso que tomasse consciência de toda a sua fraqueza, para que não pusesse em si mesmo a esperança de salvação. Até a vinda do Messias, a nação escolhida estaria em dores de parto. Destinada a trazer ao mundo o Salvador, seria inevitável que sofresse todo o peso da oposição humana e pagasse o preço de sua missão.
Praticamente se pode dizer o mesmo do novo povo de Deus, a Igreja do Cristo. Continuamente está como que a dar à luz a salvação, no meio de perseguições e sofrimentos. Continuamente ansiando pela manifestação completa da força do Deus que salva. Uma igreja nova que luta contra todos os males do mundo, contra toda tipo de perseguição, mas que confia sempre na bondade de Deus e na sua força.
A segunda figura grande que aparece neste texto é a do dragão, símbolo do mal e do medo. É representado com sete cabeças. É a força do mal que vem contra a grande mulher, povo de Deus, e de seu filho o Messias esperado. É o demônio, o poder do mal que vêm apoiado pelos esforços daqueles que são inimigos de Cristo.
João nos apresenta o demônio como um dragão, símbolo da morte, do mal e da destruição. As sete cabeças do dragão mostram a sua força e a sua resistência; os chifres e as coroas simbolizam o seu poder. Este demônio é astuto e consegue com a cauda varrer terça parte das estrelas do céu, ou seja, é um mal que pode se abater contra as forças do bem e vencer, se este bem não estiver apoiado em Deus e em seu filho.
Pois bem, é o demônio, o poder do mal, que está sempre tentando impedir a salvação que vem de Deus. É por isso que João diz que o dragão estava diante da mulher, pronto a devorar seu filho tão logo nascesse.
Que o filho da mulher, que representa o povo de Deus, seja o Messias, quanto a isso não há dúvida. Basta ler a frase seguinte: "Ela deu à luz um filho, um menino, que fora destinado a reger todas as nações com cetro de ferro. Mas, seu filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono" (12,5).
Essa passagem está repleta de lembranças do AT, que apresentava o Messias como um rei poderoso. A vara de ferro, que ele tem na mão como um cetro, é o símbolo do poder com o qual irá quebrar todas as resistências do mal. Ao poder do Cristo o demônio não pode resistir. Para tornar isso mais claro, João nos lembra que o Salvador, esperado no meio de tantos sofrimentos, à primeira vista, é apenas um homem fraco, mas tem, na verdade, o poder de Deus. Nós não estamos abandonados. O poder decisivo está nas mãos do Cristo, ainda que isso nem sempre apareça claramente. O demônio pode fazer todas as ameaças. Não importa. O "filho da mulher" está à direita de Deus.
É interessante notar que nessa grande luta travada entre o bem e o mal, quem vai a frente lutar são os anjos de Deus, Miguel e seus anjos, a mulher continua sua caminhada na terra, na certeza do Messias salvador que esta a direita de Deus e a proteje. O dragão é vencido nesta luta, porém, é mandado para a terra e para os mares, onde continua sua luta. Este demônio continua dia e noite na presença dos homens os acusando.
Dizendo que o demônio "estava dia e noite acusando", João quer nos fazer compreender que todos os esforços do dragão tinham por finalidade levar-nos para o mal e para a condenação. Todo esse esforço, porém, se torna inútil: o demônio já não tem poder de nos prejudicar realmente. Podemos vencê-lo. A vitória está em nossas mãos porque o Cristo morreu para nos salvar. Basta que estejamos prontos a aceitar a morte antes de abandonar a nossa fidelidade ao Senhor.
Porém, o texto continua, e afirma que o dragão apesar de vencido continua tentando derrubar a mulher que por sua vez foge para o deserto.
O poder do demônio foi vencido pelo poder de Cristo. Enquanto, porém, durar este tempo em que vivemos, o demônio procurará fazer todo mal que puder ao povo de Deus. Encontrará meios, mesmo se for preciso usar a força do império romano, ou de outros impérios humanos. Se, por um lado, Deus não permite que a Igreja seja vencida pela tempestade, mesmo assim ela, muitas vezes, terá que procurar refúgio no "deserto", posta à margem da sociedade, sem poder influenciar diretamente nem na política, nem na economia, nem na vida social.
Essa comunidade de fé, que sofria perseguições e perigos, é a mesma comunidade de hoje, que diante das dificuldades e males que lhes impõe o demônio, que arrasta e que divide, tem que fugir e se calar diante de tantas desigualdades e diferenças sociais enfrentadas.
O fato de tanto sofrerem, não significava que fossem vãs as promessas e garantias de vitória dadas pelo Cristo. E o mesmo se aplica a nós e ao nosso tempo. Ainda vivemos num tempo em que a comunidade cristã e cada um dos fiéis devem, de certo modo, passar pelos mesmos combates enfrentados e vencidos pelo Senhor. Mas é preciso ter força e coragem, pois o próprio Cristo no evangelho de João nos afirma que no mundo teremos muitas tribulações, de fato, ele venceu o mundo e nele devemos ter confiança. O dragão não descansa, mas os filhos de Deus são apoiados pela certeza do Cristo que vence a morte e dá a vida.