PESQUISAR TEMAS E ARQUIVOS DO BLOG

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O Santo do dia: São Zeferino


Zeferino é um dos papas que teve longo pontificado: segundo Eusébio de Cesareia foi papa de 202 a 219, e segundo o Catálogo liberiano, de 198 a 217. Precisamente o longo pontificado é uma das poucas coisas que sabemos com certeza a respeito de São Zeferino. Trata-se de detalhe tanto mais interessante, porque os tempos nos quais São Zeferino exerceu o sumo pontificado não eram certamente tempos muito tranquilos. Foi de fato durante o seu pontificado que se desencadeou a perseguição de Setímio Severo.
Este, que se tornara imperador no ano 193, durante os primeiros anos, embora sem abolir o regime de perseguição, não incentivou a sua aplicação, tanto que foram anos de paz para a comunidade cristã. Melhor dizendo, segundo o testemunho de Tertuliano, o próprio Setímio Severo um dia se opôs a uma manifestação popular contra os cristãos. O mesmo Tertuliano, todavia, atesta com o seu desprezo polêmico que particularmente na África não era praticada a mesma tolerância. De qualquer modo, essa tolerância terminou em todo o império no ano 200-202, aproximadamente, e foi um edito de Setímio Severo que “proibiu sob pena grave, toda propaganda judaica, e tomou a mesma decisão a respeito dos cristãos”, conforme a História Augusta.
Era uma reviravolta, pois pela primeira vez era emanado um edito explicitamente contra aqueles que pensavam em se converter. Entre os mártires ilustres desta perseguição estavam Perpétua e Felicidade, martirizadas em Cartago juntamente com Saturnino, Secúndulo, Revogado, Saturo. Talvez tenha morrido mártir também santo lreneu; mártir com toda a certeza e até mesmo na presença de Setímio Severo, foi santo Andeolo. A paz voltou em 211 com a subida ao trono de Caracalla e continuou praticamente também sob os sucessores Macrino, Heliogábalo e Alexandre Severo.
Por isso só impropriamente São Zeferino pode ser considerado mártir, como o fez o cardeal Barônio (e depois dele o Martirológio Romano), “de seu arbítrio e contra a tradição que sempre venerou Zeferino como confessor”. Não obstante a ausência de perseguições, são Zeferino não teve pontificado fácil.
Foi sepultado nas catacumbas de São Calisto, num edifício onde foi sepultado depois também são Tarcísio.(Fonte “Um Santo para Cada Dia”, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini)
A Igreja também lembra hoje os santos: Domingos de Silos, Tolomeu e Íngenes.
www.pvf.com.br

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O Santo do dia: Santo Urbano V

Urbano vem de “urbanidade” ou então de ur, “luz” ou “fogo”, e de banal, “resposta”. Foi “luz” pela honestidade de sua conduta, “fogo” por sua ardente caridade, “resposta” por sua doutrina.
Nasceu no castelo de Grisac, em Languedoc, em 1310, de família nobre. Ingressaria ainda muito jovem no mosteiro dos Beneditinos do priorado de Chirac, onde recebeu sólida cultura. Doutorou-se em Direito Canônico e civil e depois lecionou direito em Montpellier e em Avignon. Um dia, trocou a laureada toga pelo humilde hábito de monge, chegando a ocupar altos cargos dentro da Ordem beneditina.
O Papa Urbano V assumiu o cargo em 6 de novembro de 1362, numa época em que a Europa sofria agitações sociais muito intensas. Numa tentativa de manter o pontífice longe das intrigas e das lutas políticas e revolucionárias, que dominavam Roma, a sede da Igreja fora transferida para Avignon, na França.
Sua biografia é cheia de adjetivos elogiosos: “professor emérito, estudioso de renome, abade de iluminada doutrina e espiritualidade”. Por tudo isso foi escolhido pelo Papa Inocêncio IV para desempenhar missões diplomáticas delicadas. Pelo mesmo motivo, quando Inocêncio morreu, foi eleito seu sucessor, mesmo não sendo cardeal.
Intenções de missa: franciscanos.org
www.pvf.com.br

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Santo do dia: Santos Rufo e Zózimo


Rufo e Zózimo pertenciam ao número dos discípulos do Senhor. Segundo a tradição, foram os fundadores da Igreja de Cristo entre os judeus e os gregos.
A notícia que temos sobre estes dois santos nos veio através de São Policarpo, o qual refere-se a eles na sua carta aos Filipenses: “Estou muito satisfeito convosco em Nosso Senhor Jesus Cristo, por terdes recebido os modelos da verdadeira caridade. Eu vos exorto a obedecerdes e a exercerdes
 a vossa paciência, aquela que tendes visto com vossos próprios olhos, não só nos bem-aventurados Inácio, Rufo e Zózimo, mas também em outros vossos concidadãos, no próprio Paulo e nos outros apóstolos. Estejam certos de que todos estes não têm corrido em vão, mas na fé e na justiça, que eles estão juntos do Senhor, no lugar que lhes é devido pelos sofrimentos que suportaram. Porque eles não amaram o século presente, mas Aquele que por nós morreu e que para nós foi ressuscitado por Deus.”

intenções de missa: franciscanos.org
www.pvf.com.br

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Alegria fraterna



Neste fim de semana (14, 15 e 16 de dezembro), aconteceu em Mongaguá uma grande confraternização de fim de ano com Frades, Postulantes, Aspirantes e Vocacionados de São Paulo e região em comemoração ao longo ano que se passou. Celebramos alguns aniversários junto com a aprovação dos Vocacionados desse ano ao Aspirantado e também dos aprovados ao Postulantado no ano seguinte. Junto com o vigor jovem dos meninos e com a sabedoria de Frei Albino Gabriel, presença marcante em nosso passeio, a proverbial "alegria franciscana" se fez presente em todos os momentos mesmo com a chuva torrencial que caiu durante quase todo tempo, levando-nos recordar a verdadeira felicidade no qual nos ensinou nosso Pai Francisco.

Na linda paisagem das praias e na histórica casa dos frades em Mongaguá a comunhão fraterna, característica do carisma franciscano, foi marcante pelo cuidado mútuo e pelas inúmeras experiências trocadas entre os Frades e os jovens que aspiram a vida religiosa. Tanto em histórias, conselhos e inclusive anedotas que divertiram a noite de sábado, a irmandade deu um ânimo novo em cada um, que retornaram com os laços de fraternidades bem mais concretizados. Houveram também momentos de reflexão coletiva com a Liturgia da Palavra das missas celebradas na própria casa pelo Frei Alvaci Mendes, que auxiliou a todos a pensarem na vocação tomando como base a frase de Santa Clara: "Nunca perca de vista seu ponto de partida". Santa Clara nos abençoou no domingo, onde o céu se abriu e podemos enfim apreciar a bela praia de Mongaguá e também um banquete-churrasco liderado pelo Frei Alexandre Rohling. 

Espiritualidade, intensa fraternidade e alegria são exatas palavras que descrevem e narram nosso maravilhoso passeio que nos deixará saudades e anseios de que dias e dias como esse se repitam com a benção de São Francisco de Assis.

Vitor Amâncio – Vocacionado franciscano
www.pvf.com.br


O Santo do dia: São João da Mata.

São João da Mata é originário de Faucon, pequena cidade da Provença, na França, filho do barão Eufêmio da Mata e de Marta, descendente de uma das maiores famílias da região. Nasceu no dia 23 de junho, véspera da festa de São João Batista no ano de 1160, recebendo o nome do precursor. Desde pequeno mostrou sua preocupação para com os injustiçados. Ele chegava a dividir com os pobres todo o dinheiro que recebia dos pais para seu divertimento. Depois de tornar-se sacerdote e ter-se doutorado em teologia em Paris, procurou Félix, que vivia recluso e solitário, com o qual conviveu por três anos. Nesse período, planejaram a criação da nova Ordem e a melhor maneira de lutar pela liberdade dos cristãos, então subjugados, segregados e muitos mantidos em cativeiro.


A missão de salvar cristãos prisioneiros dos turcos foi mostrada a João da Mata em uma visão que teve ao celebrar logo a sua primeira missa. Essa foi a motivação que tornou possível a Ordem da Santíssima Trindade e da Redenção dos cativos, ou somente Padres Trinitários, como são conhecidos, que tinha como objetivo resgatar cristãos presos e mantidos como escravos pelos inimigos muçulmanos. Nessa época, o Império Otomano, dos turcos muçulmanos, dominava aquelas regiões.
A nova Congregação foi fundada em 1197 por João da Mata, com o apoio do religioso Félix de Valois, considerado seu cofundador, também celebrado pela Igreja. A autorização da Igreja veio através do papa Inocêncio III, um ano depois. Mas João, antes de procurar o auxilio de seu contemporâneo Félix, já levava uma vida social e religiosa voltada para a luta a favor dos oprimidos.  Curiosamente, os primeiros membros a serem admitidos na nova ordem religiosa não foram franceses, mas os ingleses Roger Dees e João, o Inglês, e um escocês, Guilherme Scot, antigos condiscípulos de João da Mata.
Ele ergueu, então, a primeira comunidade em Cerfroi, região deserta nos arredores de Paris, que depois se tornou a Casa-mãe da Ordem dos Trinitários. De lá os sacerdotes missionários formados passaram a soltar os cativos, levando-os, em triunfo, a Paris. O próprio João da Mata organizou uma expedição à África, onde resgatou, pessoalmente, um grande número de cristãos em cativeiro. Em uma segunda viagem, caiu nas mãos dos muçulmanos, foi espancado e deixado sangrando pelas ruas de Túnis, na Tunísia.
Recuperou-se, reuniu os cristãos e os embarcou num navio que devia levá-los a Roma. O barco acabou sendo atacado, teve as velas rasgadas e o leme quebrado. Os registros e a tradição contam que João da Mata tirou o manto, rezou, transformou-o numa vela, pediu a Deus que guiasse o navio e, assim, chegaram ao porto da cidade italiana de Óstia. Depois, muitos outros cristãos foram libertados dessa maneira, na África, pelos integrantes que engrossavam a nova Congregação.
A Ordem dos Trinitários cresceu tanto que seu fundador teve de construir várias outras casas comunitárias, tamanha era a solicitação para o ingresso. João da Mata morreu santamente, no dia 17 de dezembro de 1213. O papa Inocêncio XI elevou à honra dos altares são João da Matha, cuja celebração foi estabelecida para o dia de sua morte.
A Igreja também celebra hoje a memória dos santos: Lázaro de Betânia, Olímpia e Vivina.
www.pvf.com.br

Virtudes franciscanas.

A Virtude da disciplina

www.pvf.com.br

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Vocacionados de São Paulo fazem o último encontro do ano





São Paulo (SP) - Os vocacionados de São Paulo fizeram neste domingo (9/12) o último encontro do ano. Estiveram presentes os jovens que, ao longo de 2012, fizeram acompanhamento vocacional com Frei Alvaci Mendes da Luz e Frei Alexandre Rohling. Participaram, também, alguns postulantes que no ano passado começaram, neste Convento de São Francisco, a sua caminhada. Além destes vocacionados, tivemos a presença de alguns que vieram pela primeira vez, alegrando-nos e deixando a esperança de saber que o sonho de Deus, plantado no coração de Francisco e Clara, continua despertando nas pessoas a vontade de viver a perfeição do Santo Evangelho.Por Edson Felipe Gomes Lopes, vocacionado, especial para este site
Iniciamos o encontro com a Santa Missa, celebrada com o povo, na Igreja do Convento. Antes da bênção, os vocacionados e futuros aspirantes e postulantes foram apresentados ao povo e, quase como num envio, cantaram juntos a Oração de São Francisco, manifestando o desejo de levar amor, perdão, fé, esperança, luz e alegria a esse mundo cheio de ofensa, discórdia, tristezas e dúvidas.
Após a Missa houve uma partilha sobre a mística e o valor do Natal na espiritualidade franciscana. Com um texto elaborado pelo Frei Agostinho, estes jovens puderam conhecer um pouco mais dessa paixão que Francisco de Assis nutria pelo mistério da Encarnação.
Como de costume, os vocacionados participaram do recreio e do almoço com os freis. Na parte da tarde foram conhecer as dependências do antigo convento e visitar a 23ª Exposição Franciscana de Presépios, além, é claro, de tirar a foto oficial.
Por fim, no melhor clima de “até breve”, Frei Alvaci agradeceu a todos pela presença ao longo do ano e pela oportunidade de partilharmos as nossas vocações. Nós, como frutos desse trabalho vocacional, só temos também a agradecer: a Deus, primeiramente, por nos ter chamado, e aos freis, que não apenas “cumprindo uma obediência”, mas realmente de coração se doaram a essa tarefa de nos acompanhar e orientar.
Agora, alguns irão para o seminário menor, outros para a experiência das Fraternidades de Acolhimento Vocacional (FAV’s), e outros ainda continuarão nos encontros vocacionais, mas importa dizer que, onde estivermos, levaremos as experiências partilhadas e as amizades construídas; e como cantávamos em Guaratinguetá, estaremos “Sempre encontrando, sempre encontrando, sempre encontrando o nosso irmão!”
Paz e Bem a todos!
http://www.pvf.com.br/

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Missa de Ação de Graças pelos jubileus da Província



Moacir Beggo
São Paulo (SP)- O restaurado Convento São Francisco, que neste ano festeja 370 anos de vida, no centro da capital paulista, acolheu os frades jubilandos da Província Franciscana da Imaculada Conceição para celebrarem os seus jubileus e a Padroeira neste dia 8 de dezembro, sábado, às 10h30, na Missa de Ação de Graças presidida pelo Ministro Provincial Frei Fidêncio Vanboemmel. Já o Vigário Provincial e Moderador da Formação Permanente, Frei Estêvão Ottenbreit, apresentou os jubilandos.
Na verdade, esta celebração encerrou o encontro dos Jubilandos, que começou no dia 6 e, neste ano, reuniu frades de vida religiosa de 71, 70, 65, 60, 50 e 25 anos e frades de 50 e 25 anos no sacerdócio. No dia 7, a programação previa uma celebração no Mosteiro da Luz às 16 horas, mas devido ao falecimento de Frei João Pflanzer, os jubilandos participaram da Missa de Exéquias no Cemitério do Santíssimo Sacramento. Além do Guardião e Reitor do Convento São Francisco, Frei Salésio Hillesheim, estavam presentes os Definidores Frei Mário Tagliari e Frei José Francisco de Cássia dos Santos, e frades das fraternidades de São Paulo.
Frei Fidêncio lembrou da importância desse momento de ação de graças na Província. “Creio que celebrar o jubileu é olhar, sim, para o passado, de 25, 50, 60, 70 anos de caminhada e, creio que nós, religiosos, como todos os cristãos, hoje mais do que nunca, necessitamos ter dentro de nós a nitidez da fórmula que um dia professamos. Não a fórmula elaborada juridicamente, mas aquilo que está na essência da nossa profissão religiosa e também aquilo que está na essência do nosso compromisso sacerdotal”, destacou.

Fidêncio Vanboemmel, Ministro Provincial
Citando a Carta  aos Efésios (Ef 1,3-6), na qual o Apóstolo Paulo diz que o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo nos escolheu, nos chamou, antes da fundação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis, Frei Fidêncio lembrou que para sermos santos, imaculados, precisamos cada dia de novo renovar dentro de nós mesmos o sentido mais profundo da obediência a Deus. “Quando isso não está claro dentro de nós, experimentamos continuamente a fala das serpentes que nos cercam. E quantas vezes corremos esse risco de ceder”, explicou, acrescentando: “Porque nós, religiosos e sacerdotes, temos que ter clareza de que existem serpentes ao nosso redor, que nos provocam, que nos estimulam, que tentam inverter o mandato de Deus. Quantas vezes nós corremos o risco de ceder e aí, sim, experimentamos o quanto estamos vazios naquilo que nós, voluntariamente, professamos a Deus e naquilo que, voluntariamente, também professamos dentro da Igreja no compromisso sacerdotal”, enfatizou. “Por isso vamos, hoje, nesta solenidade da Imaculada Conceição, nos colocar diante dessa vocação originária de todos nós: Deus nos escolheu para sermos também como a Mãe de Deus, santos e imaculados sob o seu olhar, isto é, cheios de graça, de encanto, de beleza”, completou.
Logo depois da homilia de Frei Fidêncio, começou o rito da renovação dos votos religiosos. Muitos frades jubilandos vieram de longe para celebrar este momento, como Frei Olavo Seifert, 71 anos de vida religiosa. Aos 93 anos, Frei Olavo veio do Rio de Janeiro; Frei Cássio Vieira de Lima (70 anos de vida religiosa) e Frei Raul Budal da Silva (60 anos de vida religiosa) vieram de Curitiba; Frei Anselmo J. München (65 anos de vida religiosa) veio de Ituporanga (SC); e Frei Euclydes Pezzamiglio (60 anos de vida religiosa) reside na Vila Clementino, em São Paulo (foto 11 das imagens abaixo). Cada frade, com a vela acesa, renovou o compromisso da vida religiosa.
Este compromisso também foi renovado por Frei Álido Rosa e Frei Nélson Bernardes Martins (50 anos de vida religiosa), por coincidência os dois missionários a serviço da Custódia das Sete Alegrias de Nossa Senhora, no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (foto 12).
Quem veio de muito longe ainda foi Dom Bernardo Johannes Bahlmann, bispo de Óbidos, no Pará, que celebrou os 25 anos de vida religiosa com os seus confrades Frei Athaylton Jorge Belo, Frei Osmar Dalazen e Frei Walter Ferreira Júnior (foto 15).
O compromisso da vida sacerdotal foi renovado por Frei Alberto Beckhäuser, Frei José Bertoldi e Frei Josué Celante (50 anos, na foto 14) e Frei Lindolfo Jasper e Rozântimo Antunes Costa (25 anos, na foto 17).
Frei Alexandre Rohling (foto 19) também fez a renovação dos votos temporários diante do Ministro Provincial. Ao final da celebração, os jubilandos participaram de um almoço de confraternização.
http://www.pvf.com.br

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Meditação no presépio!




Cecília Meireles

Quando São Francisco de Assis inventou o primeiro presépio, e falou das coisas do céu numa gruta, dizem que, ao ajoelhar-se, desceu-lhe aos braços estendidos um Menino todo de luz. O Santo Poeta colocara ali apenas umas poucas imagens: as da Sagrada Família, a do irmão jumento e a do irmão boi. O áspero cenário de pedra tinha a nudez franca da pobreza, a rispidez dos desertos do mundo, o recorte bravio dos lugares de sofrimento. Aí, o Menino de luz pode descer, porque ele vinha para ensinar caminhos difíceis, e restituir às coisas naturais da terra o sentido da sua presença na ordem universal.

O amor humano é um perigoso jogo. Por amor, os homens foram construindo presépios ao longo do mundo, e já não lhes bastava a pedra desguarnecida: queriam recobri-la do ornamento da sua devoção. Trouxeram folhagens e flores, dispuseram frutos e pássaros, desceram o céu, num pálio de seda azul, colheram as estrelas, dos ramos que se alongam na noite. Caçaram a lua, no meio da sua viagem, e pescaram o sol, redondo peixe de nadadeiras flamejantes.

Não lhes bastaram, porém, ainda, esse convite e essa conquista, no reino dos adornos da natureza. Convocaram os habitantes do mundo para uma adoração geral. Trouxeram os pastores, que deviam ser os vizinhos mais próximos da feliz manjedoura; trouxeram os lavradores e os artífices, de acordo com as imaginárias relações da família do recém-nascido.

Mas era preciso não esquecer os Profetas, anunciadores do acontecimento, e das ruas da Bíblia os fizeram descer com suas barbas, seus cajados, suas visões e ainda cheios de voz.

Os Reis vieram por si, de olhos postos na Estrela; e como os Reis traziam os camelos; e os pastores, carneiros, também os Profetas arrastaram leões, e cabras sem defeito — e depois, em muita confusão, toda besta que remói, umas de unha fendida, outras não; e até os animais que caminham sobre o peito e os que têm muitos pés e ainda assim se arrastam pelo chão.

E, puxados uns pelos outros, vieram o cavalo e a mula, o cão e o elefante, o macaco, a hiena, o chacal e o leopardo, e o imundo crocodilo, com a cordilheira dos seus dentes, e a lagosta abominável, sem escama nem barbatana.

Foi talvez a lagosta que açulou os apetites, e os nobres italianos, com aquela pompa que o Renascimento lhes incutiu, trouxeram para os presépios a escamosa alcachofra e o labiado repolho, e cachos de uvas e salsichas, e o queijo e a rosca e o vinho — tudo que o amor ama e, por amor, quer repartir.
E os Profetas trouxeram as Sibilas, e as Sibilas as Cassandras e as Medéias e as Circes, e quem sabe até onde o humano mar se iria aproximando de onda em onda, nessa aglomeração sucessiva para adorar o Menino e ornamentar o Presépio. Homero traria seus argonautas; o rei Artur, seus paladinos; Marco Polo, seus mercadores, Gengis-Khan seus guerreiros — e o negro, o chim, o índio emplumado e o friorento esquimó se acomodariam todos sem dificuldade no recinto mágico presidido por um pobre Menino celestial.

E tão bem se sentiriam que, sem desejo de regresso, iriam buscar suas casas e suas montanhas, seus rios e seus moinhos, seus arados e seus fornos, suas embarcações e suas tendas, e ali se poriam a trabalhar, ao som de doces cânticos ali mesmo inventados, e ali bailariam, com gaitas e sanfonas, adufes e harpas, ocarinas e violas e tudo quanto, com metal, corda ou sopro, é capaz de produzir um som de feitura harmoniosa, comparável ao gorjeio das aves, ao suspiro das águas, ao adejar do vento e à voz humana quando quer ser mais que linguagem.

E o sol e a lua e as estrelas ainda pareceram apagados, para tão ambiciosa festa, e as mulheres e as moças puseram-se a dançar com círios acesos nas mãos, e tudo foi recamado de ouro em pó, e cada qual começou a escolher trajos mais cintilantes, de cetins mais lustrosos, com lavores mais ricos, e do mar e da terra se desentranharam todas as coisas que brilham e deslumbram, e não houve príncipe nem sacerdote nem mercador nem escravo que não gastasse os olhos e as pontas dos dedos, cosendo em seus estofos as gemas que os tornassem mais resplandecentes.

E nesse esplendor de fitas e rendas, de colares e anéis, com os animais de chifres dourados, de testa empenachada, de manto lavrado e guarnições de fina cinzelura, até se recordou que o Menino não podia estar ali despido como simples deus humanado — e teceram-lhe camisinhas e envolveram-no em brancas sedas, e para a tímida Virgem e o submisso carpinteiro trouxeram finas roupagens esmaltadas de cintos e fivelas, com barras de arabescos e densas pregas faustosas.

E as belas canções subiam como, nas hastes gladioladas, abrem os lírios verticalmente, de salto em salto.

E houve assim uma existência de amor, e alguém pensaria estar o mundo apaziguado, e a família terrena compreendida e satisfeita, trabalhando e cantando, bailando e dormindo tendo em redor de si a parede rústica do Presépio.

Mas, na verdade, a parede do Presépio deixara de existir. O que havia eram muitas paredes, de palácios e de mosteiros, de chácaras e de cozinhas de quartéis e de fábricas, de lojas e de manicômios.

Porque essa humanidade se arruinou e adoeceu; esqueceu-se que a oferenda não lhe pertencia, e estendeu a mão para a alcachofra e para a lagosta, para o cavalo do guerreiro e a coroa do suserano, e o que tocava cítara quis brandir espada, e o que varria o estábulo apoderou-se da cítara.

De modo que se chegou a ver o legionário romano, de agulha e dedal, bordando flores sobre cetim, e as dríades empunhando lanças, e os javalis sentados em cadeiras de ouro, abanados por leques de plumas.

Ninguém mais podia amar a sua oferta, mas a do seu vizinho; e já não amava com amor de dar, mas com amor de possuir. E não houve mais quem se despojasse, mas só quem apreendesse.

Notou-se que o sol e a lua e as estrelas não tinham mais sua substância própria: eram de ouro e de gemas, eram pintados e incrustados; não se moviam nem aqueciam mais.

Notou-se que os cantores tinham ficado melancólicos e a dança não se levantava em asas tênues: arrastava caudas fúnebres, patas desconfiadas, pontas de espadas surdas.

E aquilo que foi um Presépio era um mundo de contradições, sem equilíbrio nem sentido. Os Profetas eram
alucinados — e as Sibilas, dementes; os Reis, uns conquistadores mesquinhos; os guerreiros, uns assassinos convictos.

Nuvens de seda e pó de danças toldaram a íntima, pequena cena de um nascimento sobrenatural. Tudo tinha ficado mais importante que o Menino chegado para ensinar o amor. Tudo tinha formado sucessivos planos, anteriores uns aos outros, sobrepostos uns aos outros, escondendo-se uns aos outros, num amontoado de riqueza, ambição, prepotência, vaidade, cobiça, rapina, mentira, traição e ódio.

E tudo isso foi desabando por si mesmo, porque estava armado sem fundamento; e viram-se os Profetas fugitivos, arrastando os animais santificados e os imundos; e as Sibilas recolhiam seus oráculos perdidos, e as Medéias e as Circes enrolaram seus velhos feitiços; e os que tinham vindo por engano choraram pelas palavras que tinham entendido; e os que tinham vindo por verdadeiro amor deixaram pender a cabeça, e foram empurrados na onda devastadora, porque o amor é distraído e desatento de si, sem agressão nem defesa, e fica sempre esmagado, no torvelinho dos atropelos.

Mas quando tudo ruir completamente, — porque sempre chegam novos forasteiros ao Presépio, e cada um se diz o único verídico, o mais sincero e o mais poderoso, o mais rico e o mais fiel — quando tudo ruir completamente, o Menino continuará na sua gruta, com a sua família humilde, o irmão boi e o irmão jumento, para recomeçarem a vida, na simplicidade humana das coisas naturais e universais.

E se outro São Francisco se ajoelhar na gruta rústica, o Menino virá todo em luz aos seus braços, porque só o Santo Poeta entendia dessa irmandade geral do céu e da terra, e da graça de todos os despojamentos, e da alegria de não precisar ter, pela contemplação de todos os enganos, e da leveza da vida em expressão absoluta.

(Rio de Janeiro, revista “Rio”, Dezembro de 1946)
Texto extraído do livro “Cecília Meireles - Obra em Prosa - Vol. 1”, Ed. Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 192.


2º Domingo do Advento


João Batista prepara o povo

2º Domingo do Advento/Ano C
1ª Leitura: Br 5,1-9
Salmo: 125
2ª Leitura: Fl 1,4-6.8-11
Evangelho: Lc 3,1-6
-* 1 Fazia quinze anos que Tibério era imperador de Roma. Pôncio Pilatos era governador da Judéia; Herodes governava a Galiléia; seu irmão Filipe, a Ituréia e a Traconítide; e Lisânias, a Abilene. 2 Anás e Caifás eram sumos sacerdotes. Foi nesse tempo que Deus enviou a sua palavra a João, filho de Zacarias, no deserto. 3 E João percorria toda a região do rio Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados, 4 conforme está escrito no livro do profeta Isaías: «Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas. 5 Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão aplainadas; as estradas curvas ficarão retas, e os caminhos esburacados serão nivelados. 6 E todo homem verá a salvação de Deus.»
http://www.pvf.com.br/

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O tempo da espera


     Um momento doce e cheio de significado para as nossas vidas. É tempo de repensar valores, de ponderar sobre a vida e tudo que a cerca. É momento de deixar nascer essa criança pura, inocente e cheia de esperança que mora dentro de nossos corações. É sempre tempo de contemplar aquele menino pobre, que nasceu numa manjedoura, para nos fazer entender que o ser humano vale por aquilo que é e faz, e nunca por aquilo que possui. Noite cristã, onde a alegria invade nossos corações trazendo a paz e a harmonia. 

     Vivamos esse tempo com muita fé, para que possamos receber de coração puro o menino Jesus que chega até nós.
Paz e Bem.
http://www.pvf.com.br/


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Benfeitoria da esperança!



No último dia 2 de dezembro, 1° Domingo do Tempo do Advento, a equipe do Pró-Vocações e Missões Franciscanas (PVF), da Província da Imaculada Conceição, representada nas pessoas dos frades Alvaci Mendes da Luz e Alexandre Rohling, promoveu na Paróquia Porciúncula de Santana, em Niterói/RJ, o 3° Encontro de Benfeitores Franciscanos daquela região do Grande Rio.
De manhãzinha ,  os benfeitores, que com suas doações ajudam a cobrir os custos  da formação teológica, filosófica e pastoral dos  vocacionados ,foram recebidos pelos  dois Freis e pela Juventude Franciscana(JUFRA), sendo convidados a compartilhar o desjejum com os demais irmãos colaboradores.
Frei Alexandre, que é carinhosamente chamado de Xandão, conduziu, junto com o grupo de música da JUFRA, a Oração da Manhã. Em seguida,  Frei Alvaci fez uma explanação sobre o número de Benfeitores em todo o território nacional, destacando também as missões caritativas da OFM pelo mundo, às quais muitos frades estudantes servem.
Convidado pelos seus confrades para palestrar durante este 3º Encontro,  Frei Jhônatha, por meio de uma linguagem franciscana e  poética, usando metáforas de pequeninos momentos do cotidiano,  fazendo como o Mestre que falava ao povo por parábolas, nos deu exemplos da necessidade de, nesta grande travessia que é  vida, construir pontes ao invés de muros, buscar unidade e não divisão, ter um sentimento de pertença e responsabilidade para com o próximo e a humanidade, como já exortava o seráfico pai Francisco:’’ Cada um ame e nutra o seu irmão, como a mãe ama e nutre o seu filho, nas coisas que o Senhor lhe der a graça... Se a mãe ama e nutre o seu filho segundo a carne, quanto mais solicitamente deverá cada um amar e nutrir seu irmão segundo o espírito" ( RB 6,10).
Neste sentido, a JUFRA promoveu uma dinâmica de grupo, demonstrando aos benfeitores  a importância deles persistirem neste encargo que o Senhor lhes confiou, pois por mais simples que sejam suas orações, e por mais humildes  e modestas que sejam as doações, a falta delas pode  acabar com o sonho de muitos vocacionados  que desejam tornarem-se Servos do Altíssimo, na esteira do Pobrezinho de Assis.
Após uma pequena pausa, Frei Alvaci celebrou a Santa Missa. Durante a consagração das espécies, convidou todos os fiéis  a se colocarem ao redor do Altar, recordando-nos  a comensalidade da Igreja dos Apóstolos, que buscava ser fiel ao espírito da Última Ceia. Em tempos de Ano da Fé, devemos estar atentos à interpelação que o Vaticano II nos faz por uma maior colegialidade na Santa Igreja. Antes da solene bênção final,foi dada a palavra ao Frei Genildo Provin, que  saudou a todos em nome dos frades da Porciúncula; por sua vez, Frei Alvaci externou mais uma vez  toda gratidão da OFM e da Igreja aos benfeitores, pela bondade e fidelidade evangélica de cada um.
Com a alma embriagada pelo espírito do Senhor, todos seguiram para o almoço fraterno, onde o carismático Frei Xandão comandou um animado sorteio de brindes. O pároco, Frei Vilmar Alves, também compareceu para se confraternizar com os presentes. No fim do evento, após ver naqueles benfeitores e irmãos menores a força viva de uma Igreja militante, comunitária e apostólica,   um trecho  do Evangelho da sagrada liturgia do dia nos inspirava uma esperança: ''Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima.'' (Lc 21-28).






terça-feira, 4 de dezembro de 2012

23ª Exposição Franciscana de Presépios


    
     O tema da paz, tão atual e tão desejado na cidade de São Paulo nos últimos meses, foi escolhido para 23ª Exposição Franciscana de Presépios, que será inaugurada no próximo dia 8 de dezembro, às 9h30 horas, no Claustro do Convento São Francisco de Assis, no Largo São Francisco, região central de São Paulo.



Confira mais em: http://www.pvf.com.br/

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Encontro de benfeitores em Niterói/ RJ





     Não sei há quanto tempo sou uma Benfeitora Franciscana. Para quê contar o tempo?  Penso que isso não importa.  Conheci o Pró-Vocações e Missões Franciscanas por meio de folhetos entregues na Paróquia Porciúncula de Sant’Ana em Icaraí-Niterói/RJ.
   Templo que frequentava. Lá me crismei e casei. Um dia recebi um convite para participar do II Encontro dos Benfeitores Franciscanos. Decidi ir, pois estava muito triste. Era 13 de novembro de 2011 data correspondente aos festejos de anos de casamento dos meus já falecidos pais.  Logo me senti melhor, acolhida, cheia de fé e esperança . Certa e sem dúvidas que meus pais estão bem e agora vivem nas Moradas do Pai.
   Depois recebi outro convite para participar de um retiro no Seminário Santo Antônio em Agudos/SP de 28 de abril a 1° de maio de 2012. Nunca tinha participado de um retiro espiritual e fui porque queria conhecer e descansar (minha mente e meu espírito).
Precisava ficar mais perto de Deus e sentir o carinho dos amigos franciscanos e dos benfeitores. Tinha finalizado o Doutorado em Saúde Pública e estava esgotada. Sentia que só Deus poderia restabelecer meu equilíbrio, harmonia, paz, forças mental, física e espiritual. Saí de lá maravilhada, restabelecida e muito feliz.
    Outro convite surgiu para participar do III Encontro de Benfeitores Franciscanos em Niterói. Coloquei na minha agenda como uma prioridade (marquei sim, 02 de dezembro de 2012- um dia especial).
     Logo que cheguei encontro meus amigos franciscanos Freis Alvaci e Xandão.  Estava com saudades de todos e de muitos amigos benfeitores que fiz nos encontros.
Frei Alvaci iniciou o evento com uma exposição sobre o número de benfeitores no país por cada estado, a Missão do Pró-Vocações e Missões Franciscanas. Um exemplo de Missão enfatizada foram as realizadas em Angola.
      Logo depois um dos seus amigos de Seminário, Frei Jhônatha fez uma comovente explanação sempre a lembrar de sua mãe que costumava cozinhar e ao mesmo tempo recitava poesias. Ensinou o filho desde pequeno a trabalhar e recitar poesias, como a do nosso saudoso poeta , Mário         Quintana.  O Frei enfatizou a importância dos benfeitores em ajudar os seminaristas, cujas famílias não podem custear até um simples enxoval para frequentarem o Seminário e tornarem-se padres. A ideia da contribuição para os seminaristas surgiu com a venda de cartões que um Frei com talento para desenhar fazia e as paroquianas vendiam.
     Logo muitos começaram a ajudar na formação dos seminaristas que não podem custear seus estudos e estadia no Seminário.
Nas minhas andanças pelo Brasil já vi muitas igrejas, cujos padres só podem realizar missas uma vez por dia ou uma vez no ano.  Notória a importância de contribuir para formação de um maior número de seminaristas.
      Hoje participei do III Encontro dos Benfeitores em Niterói com muita alegria no coração.
    Frei Alvaci me concedeu a graça de levar o Menino Jesus até o altar onde a manjedoura  já estava quente e fofa pelos pedidos dos participantes escritos em papéis dobrados  e realizados durante a Santa Missa.

   Quando peguei nos meus braços o Nosso Menino Deus fui arrebatada por forte emoção que tomou conta de mim. Jesus estava ali, humano, frágil e dependente, como todos nós.
 Outro momento maravilhoso foi o da comunhão. Todos nos aproximamos do altar e aos poucos , introspectivos e numa fila silenciosa,  com nossas próprias mãos  tocamos na hóstia, molhamos no vinho e   comungamos.
    Após a Missa fomos até o Altar da Paróquia para uma foto de todo o grupo. A alegria já tinha contagiado os participantes do III Encontro de Benfeitores.
O almoço foi também uma partilha de conversas e reencontros.
   Volto para a minha casa renovada. Deixei no altar minhas dores, sofrimentos, mágoas, amarguras, rancores, dificuldades de pedir perdão e perdoar...
Permiti (pois o Mestre Jesus é gentil e manso e bate à nossa a porta) que a LUZ entrasse no meu coração.
       Assim mais um ano se foi.  Já estamos em dezembro...
E tenho certeza que no ano de 2013 terei novas oportunidades de continuar meu caminho e seguir os passos do Mestre Jesus. Pecadora e santa, mas com grande fé, muita esperança e vontade de realizar muitas obras nas searas do Pai.  Uma delas como Benfeitora do Pró-Vocações e Missões Franciscanas, como também contribuir para que mais benfeitores juntem-se a nós. Paz e Bem!
     Márcia Moisés – Benfeitora franciscana
     http://www.pvf.com.br/






sexta-feira, 30 de novembro de 2012

1º Domingo do Advento - Comentário do Evangelho!



Caríssimos benfeitores, amigos e amigas das vocações franciscanas. Todos aqueles que nos seguem, nos ajudam e sonham conosco um mundo de paz e bem. A cada um de vocês o nosso abraço sincero.
Começamos o mês de dezembro, ultimo mês do ano. Nossas perspectivas se renovam, nossos sonhos e esperanças se voltam mais uma vez para aquele menino, envolto em faixas, na pequena manjedoura de Belém. Começar o Advento é justamente ascender as luzes de uma esperança sempre viva no coração da humanidade, que acredita, que vibra e que faz este mundo ser melhor. Aquele que há de vir, reascende no seio da humanidade a busca pela paz, pela solidariedade, pela partilha. O menino do presépio faz-nos acreditarmos de novo em nós mesmos.
Na liturgia deste fim de semana, somos convidados a olhar para o futuro, para o Reino de Deus que vem em sua plenitude. O olhar da fé se mistura com o olhar da esperança. A promessa do reino futuro nos compromete com a construção do reino no presente, no aqui e agora da nossa história, das nossas famílias, ambientes, na vida social, politica, econômica e cultural.
Tudo caminha para o fim. O mundo e a história também. Não, porém, um fim destruição, mas um fim transformação. O fim que nós esperamos é o novo céu e a nova terra prometidos por Deus através dos profetas e de Jesus. Alimentemos em nossos corações, não o medo paralisante, mas a esperança dinamizadora.
Que, abrindo o tempo do Advento, a liturgia comece a abrir nossos corações para o Reino que vem como dom de Deus e compromisso nosso.
Que o Senhor nos abençoe hoje e sempre.





sexta-feira, 23 de novembro de 2012

34º Domingo do Tempo Comum!


Queridos amigos e amigas, irmãos e irmãs, Paz e Bem!
Durante todos os fins de semana, deste ano litúrgico, estivemos unidos através da TV Franciscanos, partilhando a palavra de Deus, relembrando o santo de cada dia, recordando festas franciscanas, enfim, temos feito deste veiculo de comunicação, um meio de nos unirmos sempre mais e de evangelizarmos de todas as formas que nos são possíveis. A internet tem sido nossa aliada na evangelização.
E eis que chegamos ao fim de mais um ano litúrgico e é ao Senhor, Rei do universo que se volta a nossa ação de graças por tudo o que nos tem dado durante este ano.
Ultimo domingo do ano litúrgico. Festa de Cristo Rei. A certeza em pessoa de que o projeto de Deus para a humanidade terá um desfecho feliz: a vitória sobre o pecado e a morte, a dor e a desesperança. O Reino de Deus, desde a ressurreição, realizado na pessoa de Jesus, atingirá sua plenitude em nós, na história, no mundo todo. Aquele que anunciou o Reino de Deus na pobreza e na humildade e venceu a morte pela sua ressurreição entregará o reino a Deus, seu Pai.
Jesus viveu totalmente a serviço da verdade, da liberdade e da vida. A realeza de Jesus é diferente dos governos deste mundo. Não domina, mas liberta; não condena, mas salva. É a realeza de Deus. É a realeza do amor.
Só Jesus está a serviço da verdade e da vida. A realeza de Jesus é a única que está a serviço da verdade e não é conhecida pelos poderosos. Ele é o rei libertador porque se recusa a dominar e assume o serviço como essência de sua messianidade. Ele é rei sim, mas um rei muito diferente. Nele, Deus e o homem se mostram numa luz absolutamente nova, como no principio da criação, à imagem do Deus amor.
Que o Cristo Rei nos abençoe e proteja sempre. Bom advento a todos e boa preparação para as festas que se aproximam.
Grande e sincero abraço franciscano.







quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O louco de Assis

De alguns recebia apoio e incentivo. De muitos, o desprezo e a zombaria. No entender da maioria, o filho de Pedro Bernardone havia perdido completamente o juízo! E não só a garotada da cidade escarnecia dele, chamando-o de louco e outros qualificativos menos nobres.

Mais de uma vez sentiu-se tentado a voltar atrás, quando chegava à porta de seus antigos amigos; mas saía vitorioso nessas lutas entre o orgulho humano e o próprio ideal. Já alguns começaram a reconhecer nele traços do futuro santo, embora ele mesmo ainda não conhecesse claramente sua vocação.

Estava já terminando a restauração da última Igrejinha da redondeza, a capelinha de Santa Maria dos Anjos (na foto abaixo) e perguntava-se o que faria depois. O que mais lhe pediria Deus? Não havia entendido ainda que a Igreja que devia restaurar não era a de pedra, mas a própria Igreja de Cristo, enfraquecida na época pelas divisões, heresias e pelo apego de seus líderes às riquezas e ao poder. Devia ser aquele o ano de 1209.

Certo dia, Francisco escutou, durante a missa, a leitura do Evangelho: tratava-se da passagem em que Cristo instruía seus Apóstolos sobre o modo de ir pelo mundo, “sem túnicas, sem bastão, sem sandálias, sem provisões, sem dinheiro no bolso …” (Lc 9,3).

Tais palavras encontraram eco em seu coração e foram para ele como intensa luz. E exclamou, cheio de alegria: “É isso precisamente o que eu quero! É isso que desejo de todo o coração!” E sem demora começou a viver, como o faria em toda a sua vida, a pura letra do Evangelho. Repetia sempre para si e, mais tarde, também para seus companheiros: “Nossa regra de vida é viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo”!

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Negritude e sociedade



As comemorações do dia 20 de novembro, dia de união e consciência negra e os eventos dessa semana de valorização da negritude  são importantes não apenas para as pessoas que se definem como de raça e cultura afrodescendente, mas para toda a sociedade brasileira. Embora em nosso país, toda expressão de racismo seja considerada crime grave e imprescritível, ainda há muito por fazer para retirar da memória cultural dos brasileiros o preconceito e a discriminação racial, heranças da escravidão, abolida oficialmente, mas, na prática, mantida em relações de trabalho injustas e em uma estratificação social rígida e impiedosa. O racismo e a discriminação social não fazem bem a ninguém e não ajudam a criar um mundo mais justo e feliz. Ao contrário, trazem dor e violência tanto para as vítimas da injustiça, quanto para os que a praticam e ainda para os que com esse tipo de prática são coniventes.
O Brasil é um dos países mais negros do mundo. De acordo com o censo de 2010, voluntariamente 50, 7 da população se declarou negra, o que significa mais da metade dos brasileiros. Infelizmente, a maioria desses irmãos e irmãs ainda representa a parte mais empobrecida da população brasileira. Em todo o Brasil, jovens negros são mais vítimas da violência estrutural de cada dia do que qualquer outra faixa da população. A maioria dos assassinatos atinge a população negra. Por isso, são importantes as medidas para integrar e dar igual direito de cidadania social e política aos afrodescendentes.
Há duas décadas, várias cidades brasileiras consagram o 20 de novembro, aniversário do martírio de Zumbi dos Palmares, como feriado municipal e todo o país celebra o dia consagrado à união e consciência negra. Toda essa semana é coroada com eventos sobre a imensa contribuição das raças negras na história e na construção das culturas formadoras do Brasil de hoje.
A Constituição de 1988 garante o direito das comunidades negras e remanescentes de quilombos à posse de suas terras ancestrais e à manutenção de sua cultura própria. Conforme cálculos do governo, existem hoje no Brasil cerca de 2.842 comunidades quilombolas. São verdadeiras repúblicas de homens e mulheres livres, formadas por descendentes de escravos, fugidos do cativeiro e de alguns índios e brancos que decidiram viver solidariamente com eles. Estes quilombos espalham-se por quase todos os estados do país e são símbolos da resistência dos pequenos. Servem de modelos como comunidades verdadeiramente solidárias. Entretanto, ainda faltam leis complementares para por em prática à Constituição que, quando não favorece à elite, é facilmente esquecida.  Por outro lado, há iniciativas no Congresso que visam anular o prescrito na Constituição federal e dar poder aos estados de retirar quilombolas e indígenas de suas terras ancestrais.
Todos nós, brasileiros, temos responsabilidade social, junto com o governo, de trabalharmos por um país mais igualitário e justo. A manutenção das religiões ancestrais e de expressões culturais negras, mantidas vivas de geração em geração, têm sido instrumentos importantes para a unidade dessas comunidades e para garantir uma mais profunda consciência da dignidade dos seus membros. Para os cristãos, um valor central que a Bíblia aponta é a consciência da cidadania de todos os seres humanos, como filhos e filhas de Deus e cidadãos do seu reino. Essa revelação divina pode ser encontrada, como valor intuído e praticado nas comunidades afrodescendentes. Paulo escreveu que onde há aspiração e luta pela liberdade, aí está presente e atuante o Espírito Divino (Cf. 2 Cor 3, 16). 
Que esse aniversário do martírio do Zumbi confirme e reavive em todos nós o caminho de comunhão e partilha!
Por Marcelo Barros