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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A IMPORTÂNCIA DO PRESÉPIO!

Confira a entrevista, concedida por Frei Róger Brunório às Irmãs Paulinas e a este blog, sobre a importância do presépio para a Igreja e para os Franciscanos.


Como surgiu pela primeira vez a iniciativa de montar uma representação do nascimento de Jesus?

A primeira representação teatral, ou seja, a encenação do Nascimento de Jesus se deu no ano de 1223, na cidade de Greccio, por inspiração de São Francisco de Assis. Segundo o biógrafo, São Francisco queria “relembrar como o menino nasceu em Belém, os apertos que ele passou, como foi posto num presépio, e ver com os próprios olhos como ficou em cima da palha, entre o boi e o burro”. Esta inspiração se deu por causa da vivência cristológica do santo de Assis. Francisco era um homem voltado para as coisas de Deus e era profundamente pautado na experiência de Jesus Cristo. Sendo assim, não poderia ser diferente. Para São Francisco a representação plástica e pictórica do Nascimento de Jesus já não era o suficiente para a contemplação do verdadeiro espírito do Natal. E assim, ele foi mais adiante, utilizando o meio que envolvia a todos, ou seja, uma encenação. Com este ato toda comunidade foi envolvida.

O que são Francisco desejava transmitir ao montar aquele presépio?

São Francisco ao encenar o nascimento de Jesus, mais que transmitir, quis que todos os participantes pudessem vivenciar profundamente a experiência do nascimento de Jesus. Ali, na celebração litúrgica do Natal, todos puderam fazer a experiência de cada personagem. De acordo com a biografia, diz que: “aproximou-se o dia da alegria e chegou o tempo da exultação. De muitos lugares foram chamados os irmãos: homens e mulheres do lugar, de acordo com suas posses, prepararam cheios de alegria tochas e archotes para iluminar a noite que tinha iluminado todos os dias e anos com sua brilhante estrela. Por fim, chegou o santo e, vendo tudo preparado, ficou satisfeito. Fizeram um presépio, trouxeram palha, um boi e um burro. Greccio tornou-se uma nova Belém, honrando a simplicidade, louvando a pobreza e recomendando a humildade. A noite ficou iluminada como o dia e estava deliciosa para os homens e os animais. O povo foi chegando e se alegrou com o mistério renovado em uma alegria toda nova. O bosque ressoava com as vozes que ecoavam nos morros. Os frades cantavam, dando os devidos louvores ao Senhor e a noite inteira se rejubilava. O santo parou diante do presépio e suspirou, cheio de piedade e de alegria. ... Quando terminou a vigília solene, todos voltaram contentes para casa”.

A cena que vemos no presépio trazem algumas imagens como Maria, José e o menino, os pastores, os reis magos e os animais. Cada um desses personagens tem algo a nos dizer?

A cena que vemos no presépio, é uma narrativa bíblica e que foi construída a partir dos relatos dos evangelhos de Lucas e Matheus, dos livros dos profetas Isaías e Habacuc, bem como de outras fontes e da criatividade humana. Dos evangelhos saem os personagens: José, Maria e a criança envolta em tecidos deitado numa manjedoura, o anjo da apresentação, os pastores que vigiavam o rebanho, magos, estrela, presentes, ouro, incenso e mirra. Do livro de Isaías, saem o boi e o burro. (Isaías 1, 3: “O boi conhece o seu dono e o jumento, ao estábulo de seu dono”). A profecia de Habacuc, faz a repetição de Isaias - (3,2) dizendo que: “estarás no meio de dois animais”.

Devido a carga simbólica, todos esses personagens tem algo para nos dizer. Assim, os animais nos falam da humildade, da paciência, do sofrimento, da bondade. Os pastores são a família, a comunidade, os reis magos, é toda a humanidade, todos os povos e culturas. A estrela é a orientação da luz divina.

Lucas 2,6-18: “Estando eles ali, completaram-se os dias para o parto, ela deu à luz o seu filho primogênito. Envolveu-o em panos e o deitou numa manjedoura, por não haver lugar na sala dos hóspedes. Naquela mesma região havia uns pastores no campo, vigiando à noite o rebanho. Um anjo do senhor apresentou-se diante deles e a gloria do Senhor os envolveu de luz, ficando eles muitos assustados. O anjo lhes disse: Não temais, pois vos anuncio uma grande alegria, que é para todo o povo: Nasceu-vos hoje, na cidade de Davi, um Salvador, que é Cristo Senhor. Este será o sinal: encontrareis o menino envolto em panos e deitado numa manjedoura. Imediatamente juntou-se ao anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus, dizendo: Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por ele amados. Assim que os anjos se foram para o céu, os pastores disseram uns aos outros: vamos até Belém, para ver o acontecimento que o Senhor nos deu a conhecer. Foram depressa e encontraram Maria, José e o menino deitado numa manjedoura. Vendo-o, contaram as coisas que lhes foram ditas sobre o menino. Todos que ouviram isto, maravilhavam-se do que lhes diziam os pastores”.

A montagem do presépio em muitas famílias é uma tradição. Essa tradição pode trazer valores para as gerações mais novas?

Essa tradição vem desde muito antigamente e de modo particular, das famílias de origem italiana, espanhola e portuguesa. Com certeza toda tradição que é mantida na sua essência traz valores a todas as gerações. A tradição de armar ou montar presépios envolve toda a família, do mais idoso ao recém-nascido. Os valores que estão imbuídos na montagem do presépio são o amor, a unidade, a família, o respeito às diferenças, as ideias, criatividade. Em fim, a tradição só tem a trazer valores aos envolvidos.

Jesus veio como um dom de amor para todos. Assim, cada cultura ou artista procura representar o Nascimento de Jesus a partir da sua realidade. Aí está a Beleza do Natal?

A beleza do Natal esta justamente na possibilidade de nos encartamos com o amor de Deus. Deus é bom, uno e verdadeiro. Assim, na representação plástica do Nascimento de Jesus está representada a unidade de todos. Os artistas na sua plena criatividade interpretam e atualizam a cena no nascimento de Jesus, inculturando com a realidade em que vivem. O presépio é justamente a possibilidade de fazermos memória de um fato, mas vivenciá-lo em nossa história.

Embora muitos presépios estejam bem ornamentados a realidade é que Jesus nasceu em um ambiente pobre. O que significa para nós hoje a pobreza de Jesus ou a pobreza do presépio?

A pobreza de Jesus é o desapego das coisas do mundo. Por isso, Deus quis que seu único Filho descendesse de uma família pobre e nascesse num lugar onde as animais são recolhidos. A mensagem de Deus é que na pobreza está a grandeza. Na cena do Nascimento de Jesus numa gruta, deitado na manjedoura entre animais é o cenário da pobreza material, mas repleta de calor humano e divino. Ali o Deus Menino tinha tudo o que precisava para nascer e mostrar aos humanos a grandiosidade da humanidade.

Qual o melhor lugar na casa para montar o presépio?

O melhor local de montar o presépio é aonde a família se reúne. Na casa, o local mais apropriado é a sala de estar. Ali, as pessoas são recebidas e aonde todos se encontram. Também pode ser montado na sala de jantar, pois Natal é festa. Ali as pessoas se reúnem para alimentar o corpo e festejar a alegria do nascimento do Filho de Deus. Uma vez que a família e os amigos estão reunidos, o presépio armado na sala de estar ou jantar tem uma função social e religiosa. Pode também montar em outros locais, como no quarto, que tem uma função piedosa. Ali, diante do presépio ou da Sagrada Família o fiel faz a sua devoção pessoal.

O presépio geralmente causa reações de encantamento, de admiração. Qual seria a atitude mais apropriada diante da cena do nascimento de Jesus?

A atitude humana diante do presépio é de admiração, respeito e profundo desejo de abraçar o projeto de vida de Jesus. Diante do presépio o humano se encanta porque Deus vem ser igual a nós.

O presépio nos revela ao mesmo tempo a grandiosidade e a fragilidade de Deus que quis estar no meio da gente, ser um de nós. Qual é a principal mensagem que podemos aprender na contemplação do presépio?

A principal mensagem é a gratuidade e o amor de Deus.

Está acontecendo a 22ª Exposição Franciscana de Presépios, no largo São Francisco. O que a exposição traz de novidades?

Como sempre a exposição procura expor presépios novos. Temos a preocupação durante o ano de reunir os conjuntos de diversos países para mostrar como o nascimento de Jesus é celebrado, como a arte nos ajuda a contemplar o verdadeiro espírito do Natal.

O visitante que for à 22ª Exposição Franciscana de Presépios verá que de mãos habilidosas ou mesmo de equipamentos industriais podem sair, nas figuras dos presépios, expressões singelas e encantadoras. Cada presépio tem o seu valor religioso e cultural. Nos detalhes da técnica ou do material, do estilo, bem como na ornamentação, são expressos sentimentos de arte e religião. Diante de tanta beleza e profunda delicadeza artística é difícil estar diante da representação do nascimento de Jesus e não admirar Aquele que veio ao mundo para trazer a Paz.

Dos presépios em exposição temos o da Bolívia, onde a expressão sorridente das personagens é característica marcante de um povo com culturas tão distintas, já que nos três conjuntos que estão na mostra, cada um tem a sua particularidade estilística e os três representam regiões do mesmo País. Do Brasil, há diversos conjuntos. O mais curioso é o de Manaus, onde todas as personagens e animais são da região. Na adaptação da profecia de Isaías, vemos neste conjunto, reunidos lado a lado, a onça e a tartaruga contemplando o Menino Jesus. Uma verdadeira inclusão e inculturação. Ainda do Brasil é destaque, da cidade de Caçapava - SP, o resultado do trabalho de uma oficina com barro com senhoras da região. Para confecção das peças, a inspiração não poderia deixar de ser o Vale do Paraíba. Neste conjunto, os reis magos estão montados em mulas, animal usado em toda região. Feito especialmente para esta mostra, o presépio de lata vem da capital, e foi feito pela artista Susanne Bartlewski. É um presépio que alia reciclagem, criatividade, arte e espiritualidade, Típico de Cracóvia - Polônia, o presépio em formato de fachada de igreja, é inspirado na arquitetura da Basílica de Santa Maria e é o resultado de uma tradição de concurso de presépios da Cracóvia. Para confecção são usados papelão, papel laminado e enfeites diversos que dão originalidade única a cada peça de forte expressão artística

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