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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

“Penso ser muito importante formar mais jovens que tenham vocação para serem freis franciscanos”

Recebi um convite para participar de uma manhã de espiritualidade e fé com os freis franciscanos do Pró-Vocações e Missões Franciscanas. Confesso que, quando li o texto do convite, pensei em não comparecer e descansar no domingo de manhã.
Estou um pouco cansada e até estressada (creio que todos estamos no final do ano) devido à finalização dos meus trabalhos do doutorado em saúde pública.
Mas pensei como seria maravilhoso conhecer o grupo, que apenas via pela internet, e que foi apresentado em folhetos e avisos durante as missas na Paróquia Porciúncula de Sant´Ana. Devido aos folhetos, resolvi ajudá-los mensalmente, com uma pequena contribuição infelizmente por causa dos inúmeros compromissos financeiros assumidos. 
Entendi que o Projeto contribuirá para a formação do grupo. Penso ser muito importante formar mais jovens que tenham vocação para serem freis franciscanos.
Fui para o encontro no dia 13 de novembro com o coração saudoso e um tanto triste, pois se fossem vivos meus pais completariam mais de 60 anos de casados. Fui a filha caçula de pais com mais de quarenta anos (meu pai tinha 46 e minha mãe 43) e muito, muito amorosos.  Ao todo éramos sete irmãos.
Neste dia, sempre fazíamos uma festa para meus pais. A saudade bateu forte dentro do meu coração. Acompanhei muito de perto os dois últimos anos de vida deles.
Minha mãe faleceu após lutar e ser curada de uma úlcera, mas depois de um ano e meio seu coração não resistiu e parou de bater.  Meu pai, já doente, ficou muito triste e comemorou seus 90 anos, após dois dias de falecimento da minha mãe. Fiquei pensando sobre os motivos de tão amargo presente nos seus noventa anos. E ressalto foi um jantar muito triste. Minha filha (na época com 15 anos) era muito unida com minha mãe e também muito sofreu. .
Meu pai aos poucos foi definhando, perdendo suas forças e morreu em dezembro de 2006(cinco meses após o falecimento da minha mãe). Tentamos ajudá-lo a superar tamanha dor, mas ele, já doente, não conseguiu.  Aí me dei o direito de “desabar”, chorar...
Fui amparada por familiares, amigos e por componentes da Igreja. Viajei para praias, tentando ficar próxima à natureza e amenizar o meu sofrimento. E sentia sempre comigo a presença do Mestre Jesus. Acredito na vida eterna e sei que meus pais estão bem.
Dois anos depois, dois irmãos meus morreram. Um de infarto em plena praia de Icaraí e seis meses depois, o outro irmão, de displasia medular. Sempre orei muito pedindo a Deus forças para superar tudo.
Um fato que considero um “divisor de águas“ na minha vida foi a exumação do corpo da minha mãe. Eu e meu marido presenciamos a exumação (pois ninguém na família pôde comparecer na hora marcada). Coloquei minhas mãos na minha cabeça e pedi à Virgem Maria Mãe de Jesus para suportar tudo. E suportei. O que vi foram apenas ossos, despojos, pois minha fé me fez acreditar que minha mãe já ali não se encontrava. E sim nas Moradas do Pai. Venceu a fé, a esperança, a força, a coragem, a resiliência.
Pois bem, fui participar da manhã de espiritualidade e fé com os freis franciscanos, para que o dia 13 de novembro fosse um dia alegre em minha vida, e orar pelos meus pais. Poderia, como muitos, viver experiências mundanas beber álcool para “esquecer”, etc. Mas já me afastei de tudo isso há tempos...
Mas Deus, além do meu trabalho, concedeu momentos de estudo que me fazem ficar muito tempo lendo e escrevendo. Horas e horas no computador. E com isso provoca e fomenta, dentro de mim, momentos de grande reflexão.
No Encontro pude ouvir músicas (adoro cantar), conhecer mais sobre o modo de viver das irmãs Clarissas, ouvir sobre as obras de arte que refletem a imagem de São Francisco e suas Chagas. Diferir que uma imagem de São Francisco expressa as Chagas de Cristo (fato que nunca atentei).
Posso aqui ressaltar que em São Luís do Maranhão, tive a oportunidade de, no dia 31 de dezembro de 2010, participar de uma Missa de Ação de Graças na Igreja de São Francisco, e verificar que a imagem que está na frente da Igreja tem um cachorro ao lado de São Francisco. Tão diferente das imagens que já vi com pássaros, borboletas... Assim como a exposição realizada pelo Frei.
Os participantes do Encontro tiveram a oportunidade de explicitar suas ansiedades e pedidos. Eu pedi por meus pais. Então, também pude ouvir que muitos presentes passam por graves e diversos problemas. E a minha tristeza, o meu problema do dia ficou pequenininho. Pois meus pais já estão felizes na Eternidade.
Após a missa, todos fomos para o lindo jardim interno da Paróquia (lá muitas vezes sentei em um banco e fiquei refletindo sobre a vida), para uma foto do grupo.
Momentos especiais foram concedidos por Nosso Pai através dos freis franciscanos, especialmente para os participantes do Encontro. Fomos depois todos almoçar no refeitório da Paróquia. Todos receberam presentes e muito afeto. E principalmente tiveram a oportunidade de conhecer melhor o Projeto, os irmãos franciscanos e, principalmente, renovar a nossa Fé em Cristo.
Volto fortalecida para junto da minha família e amigos, meu trabalho e para meus estudos. Paz e Bem!