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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Um carisma com faces diferentes


Francisco e Clara: um carisma com faces diferentes

Introdução                                                              
            “Irmão Sol, Irmã Lua!”
            Há alguns anos, o filme de Franco Zefirelli com esse título tomou conta das telas de cinema. Quem dos presentes teve oportunidade de assistir?
            Sem nos determos em maiores análises, recordo que muita gente se empolgou. Houve Frades até que levaram grupos de jovens para o espetáculo repetidas vezes. Lindo, o filme, sem dúvida, em vários aspectos. Do ponto de vista histórico, porém, superficial, pelo tom de “Romeu e Julieta” projetado por Zefirelli. E, do ponto de vista crítico, passou até imagem falha do relacionamento Francisco-Clara.
           
Primeiramente, qual o conceito de carisma?
O termo grego Khárisma, atos, etimologicamente, vem a ser: graça, favor, benefício; sociologicamente, indica: autoridade, fascinação irresistível exercida sobre um grupo de pessoas; por analogia ou comparação, o conjunto de habilidades e/ou poder de encantar
que faz com que o indivíduo desperte de imediato a aprovação, a simpatia das massas (pensemos num artista, num esportista, p.ex.); e ainda, do sentido teológico, que mais entra em nosso caso, significa um dom extraordinário e divino concedido a uma pessoa  ou grupo de pessoas de fé para o bem da comunidade. São Paulo Apóstolo, em 1Cor 12, explicita os vários carismas, os diferentes dons do Espírito (4-11), função ou ofício, “que só têm razão de ser se orientados em vista da comunidade” (12-30).

1.      Qual o carisma de Clara?

O historiador Prof. Marco Bartoli, da Universidade Sapientia e da Pontifícia Universidade Antonianum, Franciscana, de Roma, em sua apreciada obra Chiara (Ed. San Paolo, Milano, 2001), define Clara como uma mulher “entre o silêncio e a memória”. A Santa – escreve – de fato escolheu viver toda a sua vida recolhida no silêncio monástico. Por outro lado, é uma das primeiras mulheres da Idade Média a romper o muro do silêncio”. E expõe: “Enquanto a grande maioria das mulheres medievais nas fontes são mudas, a voz de Clara, através dos seus Escritos, chegou até nós hoje” (p.7).
Outra informação: particularmente ao início do século XX, pela ocorrência do Oitavo Centenário do Nascimento de Clara, numerosos encontros e congressos, no mundo todo, consagraram estudos de “redescoberta” e nova iluminação da sua personalidade, como fundadora da Ordem Franciscana Feminina (as Irmãs Clarissas), como mestra espiritual e fiel intérprete da herança de Francisco. Foi ela a primeira Religiosa a escrever a “Regra de Vida” para si e suas Irmãs, e não um Fundador. Admirada pela Igreja em seu tempo, venerada mesmo pelos Papas contemporâneos seus, Honório III (+1227) e principalmente Gregório IX (1241), Inocêncio IV (+1254) e Alexandre IV (que canonizou Clara, 15 de agosto de 1255).
Foi exemplo e espelho, líder serena e forte.

2.      Qual o carisma de Francisco?

Francisco foi uma estrela singular no universo da Igreja. Já o Papa Inocêncio III, nos primórdios da vida evangélica de Francisco, recebe-o e aos primeiros Companheiros em Roma. E reconhece naquele Religioso “homem pobrezinho, pequeno e simples” – como relatam São Boaventura e Frei Tomás de Celano (LM III, 10,7-8; 2Cel 17,5-6) – “verdadeiramente aquele que, com a obra e a  doutrina de Cristo sustentará a Igreja.”
Francisco, com seu carisma de fraternidade e paz, atrai Clara à vida de consagração. Orienta e acompanha-a como inspirador e mestre. E comunica-lhe o vigor, a fortaleza da perseverança fiel na vocação. Clara, por sua vez, retribui a Francisco a ternura necessária para o líder humilde e atraente de uma nova Ordem que restaura a Igreja de Cristo (cf. LM  II, 1,3; 2Cel 10,4; LTC V,13,7).
É inovador, forte e sereno.

Frei Agostinho Salvador Piccolo
Atend. conv.  É natural de São Paulo, São Paulo. Nasceu no dia 1º de janeiro de 1930 e ingressou na Ordem dos Frades Menores no dia 19 de dezembro de 1950. Fez a profissão solene no dia 20 de dezembro de 1954 e foi ordenado sacerdote no dia 2 de setembro de 1957. 
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