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sábado, 30 de julho de 2011

Agosto - Mês das Vocações!

Estimados leitores
Paz e Bem!

Neste mês de agosto, celebremente conhecido como o "mês das vocações", apresentamos a vocês uma série de textos, elaborados por frei Agostinho Piccolo, com muita estima, para este blog. Espero que o conteúdo lhes ajude a entender um pouco mais sobre o sentido de nossa vocação, bem como, nos ajude a respondermos à vocação a que fomos chamados.

Boa leitura a todos!
A VOCAÇÃO
Introdução

O mês de agosto, por iniciativa da CNBB – Conferência Nacional dos Bipos do Brasil –, já há alguns anos instituiu-se como “Mês Vocacional”. Especialmente dedicado à oração, reflexão e ação nas Comunidades sobre o tema das vocações. Desdobrando-se da seguinte forma:
1ª. semana: vocação para o ministério ordenado, diáconos, padres e bispos;
2ª. semana: vocação para a vida em família (atenção especial aos Pais);
3ª. semana: vocação para a vida consagrada: religiosos/as e consagrados/as seculares;
4ª. semana: vocação para os ministérios e serviços na Comunidade. (Cf. Diretório da Liturgia, abertura do mês de agosto)

1. Terminologia : O que é Vocação?

1.1 – Subsídios da Língua Latina

Vocatio, onis – subst..f., significa convite (Catão, 47,5); tendência ou inclinação acentuada para carreira ou modo de vida; ter vocação para alguma coisa (Cícero: studio alicuius rei teneri); vocação religiosa (Stª. Agostinho: vocatio, innatum studium rerum divinarum).
Vocare (voco, vocavi, vocatum) – verbo trans.: - sentido próprio: chamar, mandar vir (César, Bellum Gallicum 1, 20, 6). Daí: convocar (Cícero, Academia 2, 144). Donde: nomear, pronunciar o nome de alguém, designar (Vergílio, Eneida 6, 247; Cícero, In Vatinium 29); sentido figurado: convidar (Pro Murena 71), exortar, incitar (Cícero, Catilinárias 1, 12).

1.2 – Sentido na Língua Portuguesa

Vocação – subst.. f.: - ato ou efeito de chamar(-se); denominação;
- apelo ou inclinação para o sacerdócio, para a vida religiosa (vida sacerdotal, vida religiosa):
- disposição natural e espontânea que orienta uma pessoa no sentido de uma atividade, uma função ou profissão; pendor, propensão, tendência (ele tem vocação para o futebol, para engenheiro, administrador, advogado; ela tem vocação para vôlei, para médica, professora;
- por extensão: qualquer aptidão ou gosto natural; disposição, pendor, talento (para dança, para comunicação, para comércio).

2. A Vocação na Sagrada Escritura

2.1 – Antigo Testamento

“As cenas de vocação estão entre as páginas mais impressionantes da Bíblia” – escreve Léon-Dufour na introdução ao estudo teológico-bíblico de Vocação. Observa que, pra esses relatos figurarem com tanto destaque na SE, é preciso que a vocação desempenhe papel importante na Revelação de Deus e na salvação da pessoa (col. 1100).
Nos estudos de uma formação permanente, vejamos por partes.

2.1.1 – Vocação e missão de pessoas

No AT, todas as vocações têm por objeto missões. Deus chama para enviar:
· Abraão (Gn 12,1)
· Moisés (Êx 3,10.15)
· Isaías (Is 6,9)
· Jeremias (Jr 1,7).
Analisando:
- Em todos os chamamentos, Javé repete o imperativo: “Vai!”
A vocação caracteriza-se, pois, por um chamado que Deus dirige a uma pessoa que Ele “escolhe” para si e “designa” a uma obra própria no “plano da salvação” e no destino do seu Povo.
- Distinguimos na vocação dois aspectos: a eleição divina e a missão. Portanto, ao chamado pessoal, segue a destinação a uma incumbência especial. Os textos escriturísticos revelam, diria, o estilo próprio de Deus: até chama “por nome” o escolhido.
. Gn 15,1: “Abraão, não temas! Eu sou o escudo que te protege; tua recompensa será muito grande.”
. Êx 3,4-6: “Moisés! Moisés! Não te aproximes daqui! (da sarça ardente). Tira as sandálias dos pés, pois o lugar onde estás é chão sagrado. Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó.”
. Jr 1,11: “O que estás vendo, Jeremias? Eu velo sobre minha palavra para realizá-la.”
Deus, ainda, enfatiza seu chamado e incumbência, dando um nome novo ao escolhido:
. Gn 32,29: “De ora em diante, já não te chamarás Jacó, mas Israel, pois lutaste com Deus e com homens e venceste.”
- E Deus espera que o seu “chamado” tenha uma “resposta”, uma adesão consciente, de fé e de obediência.

2.1.2 – Vocação do Povo de Israel e resposta

O próprio Povo de Israel gozou de uma espécie de vocação.
- A Aliança marca um chamado de Deus, como aparece na Lei e nos Profetas:
. Dt 4,1: “Agora, pois, Israel, ouve as leis e os decretos que eu vos ensino a cumprir para que vivais e entreis na posse da terra prometida a vossos pais.”
. Dt 6,4-7: “Ouve, Israel! O Senhor nosso Deus é um só. Amarás o Senhor teu Deus, com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças, e trarás bem dentro do coração todas estas palavras que hoje te digo. Tu as inculcarás a teus filhos e delas falarás quando estiveres sentado em casa e quando estiveres andando pelos caminhos; quando deitares e quando te levantares.”
Cf. ainda: Sl 50,7; Is 1,120; 7,13;Jr 2,4.
-Esse chamado espera uma resposta, um engajamento do coração. No Sinai, Moisés foi chamar os anciãos e expôs tudo o que o Senhor lhe tinha mandado. E o povo inteiro respondeu unânime: “Faremos tudo o que o Senhor falou” (Êx 19, 7-8).

2..2 – Novo Testamento

2.2.1 – Vocação de Jesus Cristo

Jesus amiúde fala da “missão que recebeu do Pai”. Apresenta-se como o “Enviado de Deus por excelência” (Jo 9,7). Recordemos, a propósito, a clássica passagem de Isaías 61,1-2, que Lucas refere no episódio da pregação na sinagoga de Nazaré, “onde ele se criara”:
- “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me para anunciar aos aprisionados a libertação, aos cegos a recuperação da vista, para pôr em liberdade os oprimidos, e para anunciar um ano de graça do Senhor.” (...) E começou a falar: “Hoje se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir” (Lc 4,16-19.21).
- Jesus repete frases características: “Eu fui enviado ...” – “Eu vim” – “O Filho do Homem veio ...”, para anunciar o Evangelho (Mt 1,38), “cumprir a Lei e os Profetas” (Mt 5,17), “chamar não os justos, mas os pecadores” (Mc 2,17), “procurar e salvar o que estava perdido” (Lc 19, 10), “veio não para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de muitos” (Mc 10,45).
- No Evangelho de João, o envio do Filho pelo Pai retorna qual estribilho em cada discurso (40 vezes, p.ex.: 3,17; 10,36; 17,18). No entanto, nenhum texto expressa a consciência de um chamado, “nada lembra as cenas de vocação”: “Nos Evangelhos, de ponta a ponta, Jesus sabe donde vem e para onde vai (Jo 8,14), e se Ele vai aonde não se pode segui-lo, se o seu destino é dum tipo único, não é em virtude duma vocação e sim do seu próprio ser” (Dufour, col. 1101).

2.2.2 – Vocação dos discípulos, dos cristãos

Se Jesus, no seu próprio caso pessoal, não ouve o chamado de Deus, em compensação faz reiteradamente chamados convidando a segui-lo:
- A vocação é o meio pelo qual reúne ao seu redor os Doze (Mc 3,13), mas a outros lança chamado semelhante: “Jesus olhou com simpatia para o moço e lhe disse: “Só te falta uma coisa: vai, vende tudo que tens, distribui pelos pobres e terás um tesouro no céu” (Mc 10,21).
- Outros: Lc 9,59-62; Mt 16, 24: “Se alguém quer vir após mim ...” . Toda a pregação de Jesus tem qualquer coisa que inclui uma vocação: um apelo a segui-lo, num caminho novo.
- A Igreja nascente imediatamente entendeu a condição cristã como uma vocação: A primeira pregação de Pedro, em Jerusalém, é um apelo a Israel semelhante ao dos profetas, e procura provocar uma toma de posição pessoal (cf. At 2,40). Para Paulo, há um paralelismo real entre ele, o “Apóstolo por vocação”, e os cristãos de Roma ou de Corinto, “os santos por vocação” (Rm 1, 1.7; 1Coe 1,1s).
- A vida cristã é uma vocação porque é uma vida no Espírito, porque o Espírito é um novo universo, porque Ele “se une ao nosso espírito (Rm 8,16) para nos fazer ouvir a Palavra do Pai e suscita em nós a resposta filial. Por ser a vocação cristã nascida do Espírito, e por ser o Espírito um só, a animar o Corpo todo de Cristo, há no meio desta única vocação “diversidade de dons ... de ministérios ... de operações ..., mas, nesta variedade de carismas, não existe afinal senão um só Corpo e um só Espirito (1Cor 12, 4-13).
- Sendo que a Igreja, a comunidade dos chamados, é ela própria a Ekklesia, “a Chamada”, assim como ela é Eklekte, “a Eleita” (2Jo 1), todos os que nela ouvem o chamado de Deus respondem, cada qual em seu posto, à única vocação da Igreja que ouve a voz do Esposo e lhe responde:

“Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22,20).

AMEN. VENI, DOMINE IESU!”
“Aμην, ερχοϋ κύϱιε ϊησού”
“MARANA THA!”

A seguir postaremos outros textos com os seguintes temas:
  • 1. São Francisco de Assis e a Vocação
  • 2. Santa Clara de Assis e a Vocação
  • 3. Nossa Vocação



Frei Agostinho Salvador Piccolo
Atend. conv.
É natural de São Paulo, São Paulo. Nasceu no dia 1º de janeiro de 1930 e ingressou na Ordem dos Frades Menores no dia 19 de dezembro de 1950. Fez a profissão solene no dia 20 de dezembro de 1954 e foi ordenado sacerdote no dia 2 de setembro de 1957.

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