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sábado, 11 de junho de 2011

Santo Antônio: amigo dos pobres!

Gostaria de agradecer aos amigos José Aguiar e Vanda Cuximier, que gravaram e transcreveram esta homilia, que proferi em um dos dias da trezena de Santo Antônio, na Igreja de São Francisco onde resido. Obrigado pela bela surpresa! Disponibilizo para todos os leitores deste blog e aos que participam das missas aqui no Largo São Francisco! Boa leitura!



É bom ver que vocês vêm à igreja para participar com a gente desse momento tão bonito e dessa preparação tão bonita para a festa de Santo Antônio. Cada dia falando de um tema diferente, cada dia trabalhando um pouquinho, um pouco do Evangelho relacionando com Antônio, relacionando com a vida nossa de cada dia, mesmo o tema da trezena deste ano, nos ajuda a fazer isso: Santo Antônio o santo que está em cada um de nós! De fato o santo que resgata da gente coisas que são rotineiras.

É o santo que a gente invoca para reencontrar coisas perdidas, é o santo que a gente pede pra ter o pão, enfim, é o santo do dia a dia. Por isso talvez seja um santo tão popular na igreja católica, o mais popular dela, ficou mais conhecido que São Francisco que é fundador dos franciscanos, dos quais ele fazia parte.

Hoje fiquei pensando o que iria falar do tema! Aí voltei lá para o Antigo Testamento e encontrei uma frase do livro dos provérbios que dizia assim: “O amigo ama em todo o tempo e para a angústia nasce o irmão.” Provérbios era o livro dos ditados populares. Como a gente usa dos ditos populares hoje em dia: “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. O povo de Deus tinha o livro dos ditados populares chamado provérbios. E existe lá este provérbio que diz: “O amigo ama em todo tempo e pra angústia nasce o irmão.”

Muito tempo depois lá numa ceia reunido com doze amigos, Jesus falou assim: “Eu não chamo vocês mais de servos, mas chamo vocês de amigos, amigos porque vocês conhecem tudo o que eu vivo, o que eu sinto e vocês partilham comigo da minha vida, portanto, vocês são meus amigos.” Jesus disse, provérbios dizia. Tema da trezena de hoje, 8° dia: “Santo Antônio: amigo dos pobres”. Fiquei com esse tema na cabeça, pensando: “Será que santo Antônio era só amigo dos pobres? Será que santo Antônio foi amigo apenas dos pobres? E aí eu fiquei lembrando a frase de Jesus e lembrando o que Ele tinha dito: Que não chamava mais de servos, mas, de amigos, mas também lembrei outra frase d’Ele que diz assim: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância, não vim só para os pobres, só pra eles, só por eles, só para que eles tenham vida, mas pra todos, sem excluir ninguém.”

Certa vez os discípulos preocupados em dar de comer para todos, pois muitos eram os que procuravam os discípulos, que vinham à casa dos apóstolos, e eles, preocupados em ajudar, em ajudar, em ajudar, às vezes esqueciam até de rezar ou de estar junto de Jesus, de escutá-lo. Sabe o que Jesus falou? “Pobres sempre os tereis entre vós”! E eu fico com uma pulga atrás da orelha dessa frase de Jesus. Parece que Ele está fazendo uma profecia negativa. “Pobres sempre os tereis entre vós...”

Sabe essa pobreza que a gente muitas vezes fala: os pobres do largo São Francisco e os pobres do mundo inteiro? Eu acho que essa pobreza, se existisse justiça e boa vontade a gente acabava com ela. Se existisse muito mais partilha do que acúmulo no bolso de alguns, se existisse muito mais boa vontade de fazer um mundo melhor, a gente acabava com a fome e a gente acabava com a pobreza. Tenho certeza! E às vezes ainda tem gente que diz: “Olha, mas, vocês são franciscanos, vocês tem que ajudar os pobres, a igreja tem que ajudar os pobres, os padres têm que ajudar os pobres” Ah é? E quem está muito acima de nós, economicamente falando, não precisa fazer? Ou será que, que vocês, que Santo Antônio andava quilômetros e quilômetros a pé carregando um saco de pães nas costas para distribuir aos pobres?

Sabe, a pobreza que eu acho, que Jesus estava falando naquele dia e a maior pobreza do mundo de hoje: é a pobreza da alma, a pobreza vazia de Deus. Essa pobreza meu povo, só se resolve e só consegue acabar com fé, muita fé. E eu acho, eu tenho quase certeza que essa pobreza é a maior pobreza que assola o mundo de hoje, é a pobreza do vazio de Deus, a pobreza de almas e corações que estão igual terra seca, precisando de um pouquinho de água, e que não tem, e que não querem e que não procuram! Tinha razão Jesus quando dizia: “Pobres sempre os tereis entre vós”. Seja a pobreza material, seja a pobreza espiritual! E esta ultima, precisa de muitos, de uns trezentos, de uns quinhentos Antônios no mundo de hoje.

Somos sete bilhões de pessoas no mundo, dentre estes quantos milhões e milhões que precisam de homens como Antônio, que nas andanças não levava nas costas um saco de pão, mas andava cheio de Deus dentro de si. Era isso que fazia as multidões correrem atrás de Antônio. Porque que a cidade de Pádua, considerada uma cidade descrente, sem fé, se transformou depois da passagem de Antônio, em uma das cidades mais católicas da Itália? Diziam: “Ninguém, nenhum padre vai para Pádua, porque Pádua só tem gente que não acredita em Deus! Quando Antônio foi para lá cheio de Deus, para aquele povo pobre de Deus, ele arrebanhava, ele enchia as praças de gente que queria ouvir esse homem falar, só ouvir falar já estava bom pra eles, só ouvir falar de Deus de alguém que está com o coração cheio já completava aquela gente.

Eu acho santo Antônio, falando com você agora: “Eu acho que a gente precisa de muitos Antônios no mundo de hoje, muitos Antônios cheios de Deus, porque pobre, disse Jesus: Sempre teremos entre nós, mas, eu acho que ele não sabia que tantos pobres de espírito, de almas, nós teríamos como nós temos hoje.
Ah Santo Antônio ajuda a gente, ajuda a gente a construir um mundo de amigos, amigos de Deus, amigos dos pobres, de todos os pobres. Santo Antônio amigo de cada um de nós ajude a gente a construir um mundo melhor, um mundo mais cheio de Deus, mais cheio de vida!
Santo Antônio de Pádua: rogai por nós!