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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Os santos juninos e a tradição popular brasileira!

Começamos mais um mês, na verdade o sexto do ano, aquele que divide o nosso calendário anual, e que nos faz pensar o quanto veloz passam-se os dias, os meses, os anos. É o mês das festas juninas, dos santos populares tão queridos pelos brasileiros, do santo casamenteiro, das fogueiras de São João, das festas de raiz.
É bom sempre lembrar de nossas origens, voltar ao cheio de terra, à roupa com remendos, o chapéu de palha...dentro de cada um de nós mora uma saudade do originário, do simples, do campo; e é justamente a isso tudo que nos remetem as festas juninas: a fogueira que aquece as frias noites do já inverno que se aproxima; as músicas do tempo de nossos avós, cantadas com a letra “errada” propositalmente; o casamento, com padre e tudo, cheio de imprevistos e convidados bem atípicos. Sem falar, nas comidas com cheiro de casa da vovó: o amendoim, a pipoca, e tantos outros.
Sem dúvida, o mês de junho nos ajuda a parar um pouco, a olhar para a vida, a relembrar...e se como já dizia o poeta “recordar é viver”, recordemos sempre o que nos remete a nós mesmos.
Não poderíamos deixar de falar dos nomes destes, que tão populares em nosso país, trazidos da devoção portuguesa, são mais que citados em nossas festas juninas: os santos deste mês. Abaixo, apresentamos uma pequena biografia de cada um deles, a fim de que, a exemplo destes homens, possamos também nós, aquecer nossas vidas com o exemplo deles e aprender a buscar já aqui neste mundo a melhor forma de sermos bons filhos de Deus.
13 de junho – Santo Antônio de Lisboa ou Pádua!
Não há exagero no ditado popular que diz: São João a vinte e quatro/ São Pedro a vinte e nove/ Santo Antônio a treze/ Por ser o santo mais nobre!
Na realidade Fernando de Bulhões nasceu do casal Marins-Bulhões Taveira, da nobreza de Portugal. Mas o que ficou dessa nobreza, para os fiéis foram as graças extraordinárias que frei Antônio, fiel seguidor de São Francisco, espalhou pelo caminho terreno e que o fez galgar a glória celeste sob a invocação de Santo Antônio. A sua intercessão miraculosa é reclamada sob inúmeros aspectos.
O prestígio dos milagres de Santo Antônio alcançou as Índias, chegou ao Brasil e a todos os pontos onde existe um católico. Santo Antônio, porém, sempre foi o santo do lar, dos nichos e barraquinhas.
Adorado com fervor é o santo das povoações, dos soldados, o santo familiar, o santo das coisas perdidas, o protetor dos casamentos.
É festejado a treze de junho, dia de preceito em toda a América por determinação da bula de 1722, do papa Inocêncio XVIII. Por muito tempo foi esse dia foi feriado no Brasil.
24 de junho – São João Batista
João Batista, Segundo o Evangelho de São Lucas, era filho do sacerdote Zacarias e Isabel, prima de Maria, mãe de Jesus. Profeta, batizou muitos judeus, incluindo Jesus, no rio Jordão.
São João nasceu em Junho, precisamente no dia 24 de Junho. Homem simples, despojado, amigo do deserto, tinha uma importantíssima missão: preparar o caminho para a chegada do Messias.
Na história do povo de Israel, a comunicação era feita através do fogo. Foi isso que aconteceu quando João Batista nasceu. Zacarias, seu pai, anunciou o nascimento de seu filho João acendendo uma fogueira. Essa tradição continua até os nossos dias, na celebração do nascimento de João Batista: acende-se fogueiras, reúne-se a família, as comunidades, para fazer festa.
Os evangelhos dizem que, ainda no ventre de sua mãe, João percebe a presença do Messias quando Maria visita a prima Isabel. O evangelho de São Mateus fala das pregações e dos batismos que realizava às margens do rio Jordão, não distante de Jericó.

29 de junho – São Pedro e São Paulo
Pedro: Simão responde pela fé dos seus irmãos, os apóstolos. Por isso, Jesus lhe dá o nome de Pedro, que significa sua vocação de ser pedra, rocha, para que Jesus edifique sobre ele a comunidade daqueles que aderem a ele na fé. Pedro deverá dar firmeza aos seus irmãos (cf. Lc 22,32). Esta “nomeação” vai acompanhada de uma promessa: as “portas” (= cidade, reino) do inferno (o poder do mal, da morte) não
poderão nada contra a Igreja, que é uma realização do “Reino do Céu”.
Pedro recebe também o poder de “ligar e desligar” - o poder da decisão, de obrigar ou deixar livre -, exatamente como último responsável da comunidade (em Mt 18,18, esse poder é dado à comunidade como tal, evidentemente sob a coordenação de quem responde por ela). Não se trata de um poder ilimitado, mas da responsabilidade pastoral, que concerne à orientação dos fiéis para a vida em Deus, no caminho de Cristo.
Paulo: Se Pedro aparece como fundamento institucional da Igreja, Paulo aparece mais na qualidade de fundador carismático. Sua vocação se dá na visão do Cristo no caminho de Damasco: de perseguidor, transforma-se em mensageiro de Cristo; “apóstolo”. É ele que realiza, por excelência, a missão dos apóstolos, de serem testemunhas de Cristo “até aos extremos da terra” (At 1,8).
As cartas a Tímóteo, escritas da prisão em Roma, são a prova disto, pois Roma é a capital do mundo, o trampolim para o Evangelho se espalhar por todo o mundo civilizado daquele tempo. Ele é o “apóstolo das nações”. No fim da sua vida, pode oferece-la como “oferenda adequada” a Deus, assim como ele ensinou (Rm 12,1). Como Pedro, ele experimenta Deus como um Deus que liberta da tribulação.
Pedro e Paulo representam duas vocações na Igreja, duas dimensões do apostolado, diferentes, mas complementares. Um representa a instituição Igreja, o outro a Missão!

Que a exemplo destes homens, possamos também nós fazer de nossos dias, nossos meses, nossos anos, uma eterna "festa" da vida entregue e doada por uma causa maior.