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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A Criação!

Ao se falar em Francisco de Assis, liga-se logo o seu nome ao conceito de confraternização universal e harmonia com a natureza. Pois o simples fato de ver ele em tudo o reflexo da mão criadora e a constatar a comunhão existente com os seres, como revelação da bondade e da generosidade de Deus, sente-se arrebatado pelo deslumbramento e extasiado diante da imensidão deste espelho, o universo, a refletir um mundo vivo a falar de Deus aos homens, daí, Francisco não se contem e exclama: “Louvado sejas, meu Senhor, por todas as tuas criaturas”.
Em simplesmente “contemplar o sol, a lua e as estrelas do firmamento”, Francisco encantado, degusta a doçura e a beleza deste Artífice que tudo criou por amor. A existência do vento refrescante, a utilidade e fecundidade da água, a poderosa energia do fogo e a exuberante maternidade da terra, num entrelaçamento e comunhão com os homens, fá-lo prorromper em louvores: “Louvado sejas, meu Senhor”.
A beleza da criação, como expressão da bondade divina leva o Pobrezinho de Assis a uma transformação interior, irmanando-se com todas as criaturas, o livro aberto a falar das riquezas do Criador.
“Como peregrino neste mundo”, Francisco despoja-se totalmente para melhor seguir o Cristo pobre e humilde e renuncia o possuir e o dominar, para destarte estar em sintonia fraterna com tudo e com todos.
Por que sua incontida paixão por lugares ermos e solitários como Rivo-Torto, Fonte Colombo, Poggio Bustone, Greccio e Alverne? Porque ali ele encontra-se com a natureza e neste mergulho com as coisas criadas, convivendo com elas, pode saborear a fonte da vida: Deus. Nesta solidão, neste silêncio, neste clima de oração e contemplação, cercado pela natureza, embebe-se e embriaga-se da magnificência da suprema Beleza e do sumo Bem.
A criação é um reflexo da bondade divina. Transparece aqui a ação criadora, que a exemplo de Francisco, nos deveria a render graças ao Onipotente, pois vive-se numa grande irmanação com a natureza, que irradia esperança e projeta um mundo de harmonia
Diante do encanto desta sinfonia da criação, escreve São Boaventura: “É cego quem não vê os esplendores da criação. É surdo quem não desperta ante o conserto de tantas vozes. É mudo quem não louva a Deus. É tolo quem não reconhece a mão do Criador”. E continua o Santo: “É preciso abrir os olhos, soltar os lábios, para ver compreender, louvar, venerar, bendizer e glorificar a Deus”.

Frei Atílio Abati, ofm.