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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

São Francisco!

Disponibilizo abaixo, a todos os leitores do blog, o belo texto do ex-ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, Giacomo Bini, no qual resplandece o milagre evangélico chamado Francisco de Assis. Espero que gostem e aproveitem para uma reflexão pessoal visto que nos aproximamos da festa deste grande homem!
Por que a ti, Francisco?
Giacomo Bini, OFM


Ninguém duvida da atualidade e da força de atração da mensagem evangélica encarnada por São Francisco há oito séculos. De fato, o testemunho do Poverello de Assis ultrapassa os confins de sua época, de sua cultura. É impossível confiná-lo dentro de uma confissão religiosa e, muito menos, considerá-lo como uma "propriedade privada" de seus seguidores. Trata-se de uma experiência espiritual com uma dinâmica particular, com um fascínio, que não pode ser circunscrito a um momento histórico ou a um determinado grupo. Sempre que se tenta encerrar sua mensagem em definições, sempre que se pensa haver encontrado a fórmula de sua mensagem e tê-la assimilado, sua riqueza explode em conteúdos e modalidades surpreendentemente novas. O aparecimento, ao longo dos séculos, de sucessivas famílias religiosas e grupos que se alimentam de seu carisma, como também as várias tentativas de "reforma" das ordens franciscanas, são um sinal evidente dessa inquieta riqueza.
Trata-se de uma mensagem, de uma espiritualidade, que reivindica sua liberdade, sua alegria de existir. Parece encontrar a própria casa só quando não tem casa.
Desde que, na praça de Assis, diante do Bispo e dos concidadãos estupefatos, Francisco se despojou, restituindo tudo ao pai, com as palavras: "Daqui pra frente poderei dizer com liberdade: Pai nosso que estais nos céus... e não mais meu pai Pedro Bernardone, ele e sua mensagem não suportam mais nenhuma escravidão. Nenhum hábito será mais de seu tamanho.
"Francisco, por que todo o mundo corre atrás de ti, e parece que todos querem ver-te, ouvir-te e obedecer-te? Francisco, por que todos correm a ti?" (Fioretti, 10). A pergunta de Frei Masseu receberia hoje as respostas mais diversas: por causa do espírito poético, por causa de seu amor pela natureza e pelas criaturas, por causa de sua total partilha com os mais pobres, por causa de sua capacidade de reconciliar e pacificar... A lista poderia continuar, ou melhor, cada século tem sua lista com as próprias respostas. Cada família, cada instituto franciscano, entre as centenas que nasceram no curso da história, pode reivindicar e definir seu símbolo, seu "hábito", sua estrutura, seu compromisso social; mas infeliz de quem vê nessas obras, ou em outras formas externas, a realização definitiva da espiritualidade franciscana! Francisco repete a cada um: "Não quero que me falem de nenhuma regra, nem de São Bento nem de Santo Agostinho nem de São Bernardo, nem de outro ideal ou maneira de viver diversa daquela que o Senhor, em sua misericórdia, se dignou revelar-me e ensinar. O Senhor manifestou o desejo de que eu seja um novo insensato nesse mundo..." (Esp. 68, cfr. 1Cor 4,10).
O "milagre evangélico" de nome Francisco nasceu quando ele substituiu a eficiência de uma vida baseada sobre o comércio e a acumulação, o ideal cavalheiresco que todos sabiam que tinha, pela imagem do Cristo pobre, pela imagem de um Deus que se revela na pobreza, na fragilidade, na expropriação, no mais radical dom de si: "O Filho do homem não tem onde pousar a cabeça". Nessa "insegurança" vivida pelo Filho de Deus na terra, o santo de Assis encontrou sua segurança, o ponto de referência, o horizonte claro, tão fascinante, tão nítido que tudo em torno dele mudou de rosto e de significado. Nascem relações novas, profundas, livres e libertadoras. Tudo é potencializado: suas intuições sempre novas, sua afetividade sem limites, sua fantasia simbólica que, ano após ano, se torna cada vez mais audaz e confiante. Tudo é vivido em simplicidade e unidade, olhando para o horizonte determinante: "Agora posso dizer com liberdade: Pai nosso que estais nos céus". Sua pobreza é fazer nele espaço ao Espírito, que multiplica a capacidade criativa que vem de Deus e só de Deus.
Por que Francisco encanta ainda e não deixa a gente "dormir" em paz?
Porque aponta diretamente para a Boa Nova, convida e incita a cada um de nós a um encontro frontal com a mensagem do Evangelho. "Agora toca a ti, ao teu corpo, ao teu coração dar carne ao Evangelho, com coragem e sem hesitações. Estás nos braços de Deus Pai, não tenhas medo!" Francisco encanta, porque revela e expressa todas as possibilidades existentes em nós, mas que tantas vezes não conseguimos liberar, porque estamos muito voltados para nós mesmos e isso nos sufoca e angustia. O abandono em Deus despertou em Francisco a confiança em si mesmo como objeto dos inexauríveis dons de Deus e das infinitas possibilidades que a pessoa tem de expressar-se; revelou-lhe a alegria da expropriação radical e da liberdade para o Reino; abriu-o à fecundidade inesgotável do relacionamento com as pessoas e com o mundo criado, transformando-o no homem de diálogo, da comunhão e da paz. Esse abandono total, parecido ao da criança que tudo espera de seus pais, vai sendo conquistado dia a dia, na ausculta da Palavra, quase diria, defendendo Deus de nós mesmos, percorrendo com audácia os vários caminhos da espoliação.
"Francisco, diz o primeiro biógrafo, parecia um homem do outro mundo" (1Cel 36): de um mundo mais humano, fraterno, respeitoso, solidário; o mundo que todos desejamos e com o qual sonhamos. Poderia ser o mundo do terceiro milênio, se não suportarmos passivamente as imposições das infindáveis formas idolátricas e egocêntricas que nos são impostas, mas acolhermos, com um coração renovado, o projeto originário de Deus em nós. É essencial reapropriar-nos, com entusiasmo, da novidade da mensagem do Evangelho transmitida pelo original fascínio de Francisco, dando-lhe novas formas mais transparentes, mais eloqüentes, mais significativas, encontrando "odres novos para o vinho novo", de tal maneira que a nossa vida seja um anúncio coerente Daquele em quem pusemos nossa esperança. A cada um de nós, homem ou mulher, é dirigido o recado que o Poverello deixou na hora da morte: "Eu fiz a minha parte, Cristo vos ensine a fazer a vossa" (2Cel 214).
Francisco nos deixou um conteúdo "nu" como nu estava ele na praça de Assis. Deixou-nos uma mensagem clara para ser encarnada e testemunhada.
"Por que a ti, Francisco?" Quando Francisco passava pelas estradas, todos corriam atrás dele, porque percebiam que nele havia bem mais que ele mesmo. Cabe a nós dar novo vigor, concretude e atualidade a esta mensagem. Não podemos frustrar as esperanças do mundo em que vivemos.

Evangelho do dia 30 de Setembro de 2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Francisco! Primavera de Assis!

Se aproxima o fim de setembro e com o fim deste a aurora do mês franciscano: Outubro. Hoje iniciamos a primavera no hemisfério sul. Para celebrar este dia, visto que nos aproximamos da festa de Francisco de Assis, disponho abaixo uma pequena reflexão sobre o santo de Assis. Espero que gostem!


Falar em Francisco é falar da fraternidade universal, é celebrar o entrelaçamento existente entre todos os seres e a natureza, é degustar a harmonia e a comunhão que emanam da criação, é ver em tudo e em todos irmãos e irmãs.
Torna-se, pois atual o anseio de São Francisco de “Paz e Bem”! A paz e o bem nos asseguram uma vida sem desuniões, sem rixas, sem injustiças, sem brigas e sem discórdias.
São Francisco, cuja festa celebramos neste 04 de outubro, na Idade Média, preocupava-se com a paz entre os homens. Por isso introduziu junto ao povo a saudação “Paz e Bem”! Seu tempo prismava pelos desencontros e desentendimentos entre os homens e pelos conflitos e escaramuças entre cidades.
Como o homem da paz, da fraternidade e da reconciliação, Francisco partia do princípio de que “todos somos irmãos”. Daí a urgência da reconciliação, da vivência do amor e do relacionamento fraterno. Assim implantar-se-ia, neste mundo, a nossa casa comum, a fraternidade. Só assim gerar-se-ia a sadia convivência humana e estreitar-se-iam os laços da unidade com todo ser criado. Só assim construir-se-ia a justiça, a solidariedade e a civilização do amor. Então, o nosso planeta terra tornar-se-ia o espaço onde cada um seria “irmão de todos e de todos irmão”.
Francisco sentia e acreditava que confraternizar-se com todos os homens e com todas as criaturas, eqüivalia a optar por uma visão do mundo e da história, onde o amor supera o ódio, onde a harmonia neutraliza as divisões, onde o diálogo opõe-se a fechamento, onde a dominação cede lugar à convivência pacífica, para o surgimento de um mundo novo, onde se celebra a alegria, a harmonia, o perdão e a paz.
“Se São Francisco não existisse seria preciso inventá-lo”! Mais: “Deus estava contente ao criar Francisco de Assis”, graças a tudo aquilo que iria realizar em vida.
Vivamos e celebremos bem o dia de Francisco. O irmão Universal!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Seja Franciscano!

Benfeitores de Agudos e região!

Pró-Vocações promove encontro com benfeitores de Agudos e região

No último dia 19 de setembro, aconteceu nas dependências do seminário Santo Antônio, em Agudos, o encontro/retiro dos benfeitores franciscanos das cidades de Agudos, Bauru, Borebi e Lençóis Paulista.
Este dia de encontro, tem como objetivo principal uma das prioridades do Pró-Vocações e Missões Franciscanas, que é a de divulgar a espiritualidade e o carisma franciscano entre os nossos benfeitores. Sendo assim, o tema do encontro foi: “Um dia com São Francisco”, dia em que falamos sobre as vidas de Francisco e Clara, sobre o inicio da caminhada franciscana, os 800 anos do carisma, a Ordem Franciscana Secular, a Jufra, entre outros.
Os benfeitores por sua vez, agradeceram muito o fato de poderem se encontrar e poderem se sentir membros de uma grande família de “amigos” dos franciscanos. Acima de tudo eles se sentem participantes deste belo ideal de vida começado por Francisco de Assis.
Na programação do dia tivemos a celebração da eucaristia juntamente com os frades e seminaristas da casa, palestra sobre a vida de Francisco e Clara, orações, apresentação de música, almoço com os seminaristas, visita ao museu e por fim uma caminhada franciscana até a imagem de Nossa Senhora Imaculada onde encerramos o nosso terço e o nosso “Dia com São Francisco”
De modo particular queremos agradecer a todos os benfeitores que estiveram presente, bem como, aos seminaristas que nos ajudaram muito com toda a sua animação e jovialidade. A todos o nosso muito obrigado pelo carinho e atenção e aos nossos benfeitores as bênçãos pelo gesto generoso de amor às vocações franciscanas.
Que São Francisco e Santa Clara os protejam sempre.
Frei Alvaci, OFM

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Francisco de Assis! Chagado por amor!

Francisco, servo verdadeiramente fiel e ministro de Cristo, dois anos antes de devolver o espírito ao céu, como tivesse começado, num lugar alto à parte que se chama Monte Alverne, um jejum quaresmal em honra do Arcanjo Miguel, inundado mais profusamente pela suavidade da contemplação do alto e abrasado pela chama mais ardente dos desejos celestes, começou a sentir mais copiosamente os dons da ação do alto. Então, enquanto se elevava a Deus pelos seráficos ardores dos desejos e o afeto se transformava em compassiva ternura para com aquele que por caridade excessiva quis ser crucificado, numa manhã, pela Festa da Exaltação da Santa Cruz, rezando na parte lateral do monte, ele viu como que a figura de um Serafim que tinha seis asas tão fúlgidas quão inflamadas a descer da sublimidade dos céus, o qual, chegando com um voo rapidíssimo num lugar no ar próximo ao homem de Deus, apareceu não somente alado, mas também crucificado, tendo as mãos e os pés estendidos e pregados à cruz e as asas de modo tão maravilhoso dispostas de uma e de outra parte que elevava duas sobre a cabeça, estendia duas para voar e com as outras duas velava o corpo, envolvendo-o todo.
Vendo isso, Francisco ficou fortemente estupefato, e seu espirito experimentou alegria misturada com dor: enquanto que na graciosa forma de Cristo que lhe aparecia de maneira tão maravilhosa quão familiar ele concebia uma extrema alegria, a cruel crucifixão contemplada transpassava a sua alma com a espada da dor da compaixão. Na verdade instruindo-o interiormente aquele que lhe aparecia exteriormente, ele compreendeu que, embora a dor da paixão não fosse de forma alguma compatível com a imortalidade do espirito seráfico, no entanto, tal visão fora apresentada aos seus olhos para que o próprio amigo de Cristo soubesse de antemão que devia transformar-se totalmente, não pelo martírio da carne, mas pelo incêndio do espírito, na semelhança expressa do Cristo Jesus crucificado. Então, depois de um colóquio secreto e familiar, ao desaparecer, a visão inflamou-lhe interiormente o espírito com ardor seráfico e marcou-lhe exteriormente a carne com a imagem do Crucificado, como se ao poder prévio de derreter do fogo seguisse uma impressão do selo.
O fato é que, imediatamente começaram a aparecer em seus mãos e pés os sinais dos cravos, aparecendo as cabeças deles na parte interior das mãos e na parte superior dos pés e saindo as pontas da parte oposta.
De fato, este homem bem aventurado apareceu dignamente marcado por este privilégio especial, pois que todo o esforço dele, tanto em público quanto em particular, se voltava para a cruz do Senhor.

São Boaventura – frade franciscano, teólogo e doutor da Igreja

Franciscanos Especial - Mês da Bíblia

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Chagas de São Francisco! 17 de setembro!

O SENTIDO E O SIGNIFICADO DAS CHAGAS DE SÃO FRANCISCO

Mais do que desvendar o caráter histórico das Chagas de São Francisco, importa refletir sobre a experiência de vida que se esconde sobre este fato. O que significa a expressão de Celano "levava a cruz enraizada em seu coração"? O que isso significou para o próprio Francisco? Há um significado para nós hoje, naquilo que com ele ocorreu?

Um erro comum é o de ver São Francisco como uma figura acabada, pronta, sem olhar para a caminhada que ele fez até chegar à semelhança perfeita (configuração) com o Cristo. O que ocorreu no Monte Alverne é o cume de toda uma vida, de uma busca incessante de Francisco em "seguir as pegadas de Jesus Cristo". Francisco lançou-se numa aventura, sem tréguas, na qual deu tudo de si: a vontade, a inteligência e o amor. As chagas significam que Deus é Senhor de sua vida. Deus encontrou nele a plena abertura e a máxima liberdade para sua presença.

O segundo significado das chagas é o de que Deus não é alienação para o ser humano, ao contrário, é sua plena realização e salvação. Colocando-se como centro da própria vida é que o homem se aliena e se destrói; torna-se absurdo para si mesmo no fechamento do seu 'ego'. O homem só encontra sua verdadeira identidade, sua própria consistência e o sentido de sua existência em Deus. E Francisco fez esta descoberta: Jesus Cristo foi crucificado em razão de seu amor pela humanidade - "amou-os até o fim" - , e ele percorre este mesmo caminho.

O terceiro significado: as chagas expressam que a vivência concreta do amor deixa marcas. A exemplo de Cristo, Francisco quis suportar/carregar e amar os irmãos para além do bem e do mal (amor incondicional). Essa atitude o levou a respeitar e acolher o 'negativo' dos outros mantendo a fraternidade apesar das divisões. Esse acolher e integrar o negativo da vida é a única forma de vencer o 'diabólico', rompendo com o farisaísmo e a autosuficiência, aniquilando o mal na própria carne. Só assim, o homem é de fato livre, porque não apenas suporta, mas ama e abraça o negativo que está em si e nos outros.

O quarto significado: seguir o Cristo implica em morrer um pouco a cada dia: "Quem quiser ser meu discípulo, tome a sua cruz a cada dia e me siga" (Lc 9,23). Não vivemos num mundo que queremos, mas naquele que nos é imposto. Não fazemos tudo o que desejamos, mas aquilo que é possível e permitido. Somos chamados a viver alegremente mesmo com aquilo que nos incomoda, vencendo-se a si mesmo e integrando o 'negativo', de modo que ele seja superado. Nós seremos nós mesmos na mesma medida em que formos capazes de assumir nossa cruz. As chagas de São Francisco são as chagas de Cristo, e elas nos desafiam: ninguém pode conservar-se neutro, sem resposta diante da vida.

São Francisco não contentou-se em unicamente seguir o Cristo. No seu encantamento com a pessoa do Filho de Deus, assemelhou-se e configurou-se com Ele. Este seu modo de viver está expresso na "perfeita alegria", tema central da espiritualidade franciscana: "Acima de todos os dons e graças do Espírito Santo, está o de vencer-se a si mesmo, porque dos todos outros dons não podemos nos gloriar, mas na cruz da tribulação de cada sofrimento nós podemos nos gloriar porque isso é nosso".

Frei Régis G. Ribeiro Daher

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Há uma luz maior!

Vale a pena prestar atenção na letra dessa música...
conheci esta canção neste fim de semana. 
Recomendo a todos.
Paz e Bem!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Natividade de Maria!

A festividade do nascimento da Mãe de Deus tem provavelmente sua origem em Jerusalém, em meados do século V. Porque foi em Jerusalém que se manteve viva a tradição que a Virgem teria nascido junto à Porta da Piscina Probática.
Fazendo uso desta referência, encontramos citações de São João Damasceno em sua Homilia sobre a Natividade de Maria: "Hoje é o começo da salvação do mundo, porque na Santa Probática foi-nos gerada a Mãe de Deus através de quem o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, nos foi gerado."
Considerado o nascimento de Maria como o início histórico da obra da Redenção, o Calendário Litúrgico Bizantino abre suas portas festejando o nascimento da Virgem: "A celebração de hoje é para nós o começo de todas as festas".
Maria é apresentada pela Liturgia como a "Virgem bela e Gloriosa" que Deus amou com predileção deste a sua eternidade desde toda a Criação como sua obra-prima, enriquecida das graças mais sublimes e elevada à excelsa dignidade de Mãe de Deus e de Bem-aventurada Virgem.
Segundo o espírito da Igreja, devemos celebrar a Festa da Natividade com santa Alegria, porque o nascimento de Maria é a aurora de nossa salvação. Com o seu nascimento é anunciado ao mundo a boa nova: a mãe do Salvador já está entre nós.
«Alegrem-se, portanto, os Patriarcas do Antigo Testamento que, em Maria, reconheceram a figura da Mãe do Messias. Eles e os justos da Antiga Lei aguardavam a séculos, serem admitidos na glória celeste pela aplicação na fé dos méritos de Cristo, o bendito fruto da Virgem Maria . Alegrem-se todos os homens porque o nascimento da Virgem veio anunciar-lhes a aurora do grande dia da libertação pela qual aspiram todos os povos. Alegrem-se todos os anjos porque neste dia foi-lhes dada pela primeira vez a ocasião de reverenciar a sua futura Rainha.»
Visivelmente, nenhum acontecimento extraordinário acompanhou o nascimento de Maria e os Evangelhos nada dizem sobre sua natividade. Nenhum relato de profecia, nem aparições de anjos, nem sinais extraordinários são narrados pelos Evangelistas. Só no Céu houve Festa, pois o Filho de Deus vê sua Mãe nascer.
Na vida da Virgem Maria a ordinariedade dos fatos sempre lhe acompanhou. Aquela que vivia o seu cotidiano de maneira despercebida aos olhos dos homens dá à Luz o Salvador. A humildade também lhe era característica pois ela sendo Rainha apresentou-se sempre como serva obediente.
Tem-se poucos registros históricos da cidade onde nascera Maria , mas por ser conhecida como "A Virgem de Nazaré", intui-se que foi lá que Joaquim e Ana (avós de Jesus) receberam de Deus a pequena Maria.
O mundo continuou seu curso dando importância a outros acontecimentos que depois seriam completamente esquecidos. Para Deus a grandeza dos fatos não está na proporção dos aplausos que o mundo lhe oferece, mas na serenidade de sua aceitação cumprindo a sua vontade.
Com freqüência as coisas importantes para Deus passam despercebidas aos olhos dos homens.
Cresceu como todas as jovens, mas se distinguia por ser toda de Deus, guardando tudo em seu coração". A sua vida ,tão cheia de normalidade, ensina-nos a agir em tudo com olhos postos em Deus numa perpétua oferenda ao Senhor.
Maria é a aurora que preconiza a vinda do Sol, o Sol da justiça que traz à luz aqueles que estão nas trevas.

sábado, 4 de setembro de 2010

Dia da Amazônia


Dia 05 de setembro
Dia da Amazônia

Venho, por meio desta, lembrar todos os confrades e comunidades que no próximo dia 05 de setembro celebramos o “Dia da Amazônia”. Nesta data, como já combinado na última assembleia do SIFEM e a pedido da CFMB, devemos lembrar em nossas comunidades e suas celebrações do fim de semana mais próximo do dia 05 o nosso compromisso com a Amazônia e com toda a sua realidade, sobretudo, neste momento que gestamos novos projetos de presenças naquelas realidades, tanto em nível de CFMB quanto de UCLAF/OFM. Estes projetos precisam tornar-se realidade o quanto antes, pois tempo urge. Então devemos nos empenhar no compromisso e na disponibilidade de orações, irmãos e financeiro. Por isso, o convite é que além das orações neste fim de semana, cada comunidade se empenhe em fazer ao menos uma coleta no próximo fim de semana que se reverta para o fundo das missões da CFMB na Amazônia que está sendo custodiado na Custódia de São Benedito da Amazônia. 1 – A importância da Amazônia para a Ordem dos Frades Menores a) Peculiaridades da Amazônia: riqueza natural. "A Amazônia é um dos maiores, diversos, complexos e ricos biomas do mundo. Vista a partir do cosmo, a Amazônia pan-americana ocupa uma área de 7,01 milhões de Km² e corresponde a 5% da superfície da terra, 40% da América do Sul, 59% do Brasil. Contém 20% da disponibilidade mundial de água doce não-congelada e 80% da água disponível no território brasileiro. Abriga 34% das reservas mundiais de florestas e uma gigantesca reserva de minérios. Sua diversidade biológica de ecossistemas, espécies e germoplasma é a mais intensa e rica do planeta: cerca de 30% de todas as espécies de fauna e flora do mundo encontram-se nesta região. O sistema fluvial Amazonas-Solimões-Ucayally representa o mais extenso rio do mundo, com 6.671 Km; a bacia hidrográfica do rio Amazonas é constituída por cerca de 1.100 rios, e o rio Amazonas joga no Oceano Atlântico entre 200 a 220 mil metros cúbicos de água por segundo, o que representa 15,5% de toda água doce que entra diariamente nos oceanos" (CF 2007, 15). Riqueza humana e cultural: A Amazônia conta com uma população de 23 milhões de habitantes, entre os quais 165 são povos indígenas e 65 povos são não contactados. Além da rica biodiversidade, nela se encontra uma rica diversidade cultural, lingüística e religiosa. Em particular os povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas vivem em harmonia com a natureza e mostram que é possível conviver com a floresta e os rios sem a necessidade de mercantilização e devastação. b) Os desafios atuais: a Amazônia sofre os efeitos devastadores da lógica da mercantilização de todas as coisas. Ela desafia a recolocar a pessoa humana no “jardim”, a recuperar a sacralidade do cosmo e recriar as relações de reciprocidade e de fraternidade entre todas as criaturas. Os povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas carregam em si as sementes que nos ajudam a adquirir uma nova visão da vida. A Amazônia é atualmente palco de no mínimo duas vertentes fundamentais de um novo colonialismo: o avanço do agronegócio, das mineradoras, das madeireiras e outros projetos de exploração que implicam numa ampla devastação e destruição das florestas, dos rios e das populações tradicionais; a privatização e apropriação de vastas áreas de florestas em vista do acúmulo de créditos de carbono e dos recursos genéticos, sendo que as populações ali existentes são pagas para conservar, porém lhes é tirada a condição de sujeito social (colonialismo verde). Junto se verifica o progressivo processo de privatização da água doce, uma rápida degradação do ambiente onde se localizam as principais nascentes dos grandes rios da bacia amazônica, a presença de rotas de tráfico de drogas, a invasão dos grupos econômicos com seus grandes projetos de exploração que forçam as populações a migrarem para os grandes centros urbanos, onde caem na miséria, na prostituição, nas drogas, etc. c) A presença franciscana: os frades menores estão presentes nesta região desde o século XVI. Ao longo deste tempo a presença franciscana se manteve praticamente ininterrupta. A partir dos inícios do século XIX, esta presença se diversificou e ampliou com a vinda dos frades capuchinhos, da TOR e das congregações franciscanas femininas. Esta presença tem a característica de ser pouco numerosa e desarticulada entre si e predominantemente de missionários/as estrangeiros/as. A partir do século XX, a Igreja confiou grandes territórios de missão (Prelazias, Prefeituras e Vicariatos) aos franciscanos em seus diferentes ramos. d) Lugar de missão franciscana: a Amazônia carrega em seu ventre sementes e paradigmas que significam o futuro do planeta e da humanidade. A sua imensa riqueza natural pode representar um ponto de equilíbrio no conjunto da nossa casa comum. A sua variada riqueza humana, cultural e religiosa pode contribuir para um novo estilo de vida em base à gratuidade, simplicidade, reciprocidade, dignidade, sacralidade, sentido da festa. Esta realidade nos desafia ao diálogo ecumênico, inter-religioso e inter-cultural. Nós, a partir do carisma franciscano, podemos encontrar neste chão, condições favoráveis para resgatar muito da vitalidade das nossas origens: a visão da sacralidade de toda a criação, as relações de reciprocidade, de fraternidade, de não-apropriação das coisas e da terra, a austeridade, a itinerância e a mobilidade. Por outro lado, somos desafiados a dar a nossa contribuição no que tange as realidades fundamentais: defesa e promoção da vida; valorização da diversidade cultural e aprendizagem dos processos de inculturação; acolhida da religiosidade popular; compromisso com a integridade da criação; sintonia e comunhão com a Igreja local na busca por encarnação na realidade e por uma evangelização libertadora. Iluminados pelo Espírito do Senhor, inspirados pelo carisma franciscano e obedientes aos documentos da Igreja (Documento de Aparecida) e da Igreja da Amazônia (Documento “Discípulos Missionários na Amazônia”), sob a proteção de Nossa Senhora da Amazônia e sensibilizados pelos clamores dos povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas, populações das periferias, migrantes e refugiados reafirmamos o nosso compromisso com a missão neste chão. Quem nos convoca é o próprio Deus Trindade. Nossa resposta de frades menores, à luz dos sinais dos tempos, a serviço do Reino de Deus, é a de sermos fiéis discípulos e missionários de Jesus Cristo e fiéis a S. Francisco e seu/nosso carisma. Também, pedimos à Mãe de Deus que zele por todos os povos da Amazônia. Ela, que é a estrela da evangelização, guie os nossos passos no caminho do Reino: Mãe Nossa, protegei a família brasileira e latino-americana e ajudai-nos a fazer tudo o que o vosso Filho nos disser. Amém! Frei Fernando Ap. dos Santos, OFM Coordenador do SIFEM/CFMB