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domingo, 26 de março de 2017

#Rocinha acolhe o novo #diácono, Frei Alan Maia



Érika Augusto

Rocinha (RJ) - Neste sábado, 25 de março, Solenidade da Anunciação do Senhor, a Província Franciscana da Imaculada Conceição acolheu mais um diácono. A comunidade da Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem celebrou com alegria a Ordenação Diaconal de Frei Alan Maia, concluindo assim uma semana intensa de missões, visitas, celebrações e muitas atividades.

A paróquia, localizada na Rocinha, ficou repleta de fiéis. Muitos tiveram que acompanhar a missa de um telão, montado no lado de fora da igreja, para que todos pudessem acompanhar a celebração. Além da família de Frei Alan Maia, amigos de Bangu, bairro de origem do frade, e de Nilópolis, onde ele já trabalhou, marcaram presença. A missa teve início às 18 horas e teve como celebrante Dom Orani João Tempesta, Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro e concelebrantes Frei César Külkamp, vigário provincial, Frei Sandro Roberto da Costa, vigário paroquial, Frei Diego Melo, coordenador do SAV – Serviço de Animação Vocacional, e por frades vindos do Convento Santo Antônio, de Nilópolis e de São João do Meriti, da Fraternidade do Convento São Francisco em São Paulo, frades estudantes de Teologia em Petrópolis, padres da Congregação dos Legionários de Cristo, padres e seminaristas diocesanos, além de duas clarissas do Mosteiro Nossa Senhora dos Anjos.

Em sua homilia, Dom Orani destacou a Solenidade celebrada neste dia 25, a Anunciação do Senhor. “Isso não é só um fato do passado. O Senhor também está presente hoje, no meio de todos nós, Deus está aqui na Rocinha. Deus habita no meio de nós”, afirmou o Arcebispo, que acrescentou que todos são chamados à missionariedade, transformando assim a realidade em onde vive.

O Arcebispo destacou ainda que a missão de todo cristão batizado é ser sinal da proximidade de Deus, e frisou a importância da opção de pobreza e simplicidade feita pelos franciscanos.

No momento de ação de graças, Frei César Külkamp agradeceu o Arcebispo pela presença na celebração. O vigário provincial e o Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, em mensagem, prestaram solidariedade com toda a fraternidade, que vive um momento delicado com a internação de Frei Márcio de Araújo Terra, que sofreu um acidente doméstico nesta semana e está na UTI.

Emocionado, Frei Alan Maia agradeceu sua família, os frades e toda a comunidade da Rocinha, que o acolheu e se preparou para viver intensamente este dia de festa. Frei Sandro, vigário paroquial, reforçou os agradecimentos e acrescentou: “não esqueceremos tudo o que a comunidade fez nestes dias”.

Após a missa, todos foram convidados para uma recepção no salão paroquial.

4º domingo da #Quaresma: Jesus, aquele que "vê" e "faz ver"


1Sm 16, 1b.6-7.10-13a
Sl 22 (23)
Ef 5, 8-14
Jo 4, 5-42

Jesus afasta-se do Templo, fugindo dos fariseus que queriam apedrejá-lo por ter dito: “Eu sou a luz do mundo”. Ele vai repetir isso e demonstrar com atos, dando ao cego a capacidade da visão. Não conhecemos o nome deste cego. Só sabemos que é um mendigo, cego de nascimento, que pede esmola nas proximidades do templo. Não tem experiência da luz, não a conhece, nunca a viu. Estava sentado, não podia caminhar nem orientar-se por si mesmo; estava imóvel, dependendo sempre dos outros. Sua vida transcorria nas trevas. Nunca poderia conhecer uma vida digna. 

Também não se menciona que era sábado, somente ao longo da narração. Jesus não leva em conta essa circunstância à hora de fazer bem ao ser humano. “Amassar barro” estava explicitamente proibido pela interpretação farisaica da lei. O amassar o barro no sétimo dia, prolonga o sexto dia da criação. Jesus termina a criação do ser humano.

Este ponto de partida é chave para ressaltar o ponto de chegada. Jesus vai ativar no cego a mobilidade e a independência, vai lhe devolver a capacidade de ver, vai reconstruí-lo como ser humano por inteiro. Jesus vê na cegueira uma ocasião para a manifestação da atividade salvífica de Deus. As obras que Deus realiza consistem em libertar o ser humano de sua inatividade e dar-lhe capacidade de ação.

Enquanto é dia, temos de realizar as obras d’Aquele que me enviou”. 

Jesus não consulta ao cego se ele quer ficar curado, pois sendo cego de nascimento não tem experiência da luz e não a pode desejar de maneira especial. Mas a cura não acontece automaticamente; o cego tem de aceitar a luz e optar livremente por ela. Jesus não lhe tira a liberdade: oferece-lhe a oportunidade e coloca diante dos seus olhos o projeto de Deus sobre o ser humano. A decisão de recuperar a vista fica nas mãos do cego: ela se manifesta no fato de ir à piscina de Siloé por sua própria iniciativa, de caminhar livremente, de poder sair do seu lugar, lavar-se na piscina, para chegar a ser ele mesmo.

Jesus passa à ação. João usa dois verbos para indicar a aplicação do barro nos olhos: aqui untar-ungir tem relação com o título de Jesus “Messias” (que significa o “ungido”). Mais adiante dirá simplesmente “aplicar”. Aqui está a chave de todo o relato. O cego é agora um “ungido”, como Jesus. O homem ferido na sua cegueira foi transformado pelo Espírito.

A reação das pessoas (parentes, vizinhos...) sobre a identidade do cego manifesta a novidade que o Espírito realiza. Sendo o mesmo, é outro. O que era cego revela a nova identidade de homem reconstruído pelo Espírito: ele agora é um ungido, encontrou-se a si mesmo – “Ele afirmava: sou eu”.

Ao “ungir-lhe os olhos”, Jesus convida o cego a ser homem “acabado, reconstruído, restaurado...”
Os outros personagens continuam em sua cegueira: fariseus, conterrâneos, pais… São símbolos da dificuldade de aceitar a luz quando esta ilumina o que não se quer ver.

Há uma grande diferença entre o cego sem iniciativa, sem liberdade no início da cena, e o homem livre depois da cura. Daí que ele utilize as mesmas palavras que tantas vezes, no evangelho de João, Jesus utilizava para identificar-se: “Sou eu”. Esta fórmula deixa transparecer a identidade do ser humano recriado pelo Espírito; descobre a transformação que se realizou em sua pessoa e quer que os outros a vejam.

O cego opta livremente pela luz. Segue o caminho apontado por Jesus e chega à meta indicada. Ele, que era só limitação, recupera sua autonomia e deixa-se conduzir pelo Espírito. O que de verdade importa é que este homem estava limitado e carecia de toda liberdade antes de encontrar-se com Jesus. Agora descobre o que significa ser pessoa e se sente completamente realizado. O Espírito o capacitou para desatar todas as possibilidades de ser “humano”.

Sua vida, escondida e dependente, está agora cheia de sentido. Perde o medo e começa a ser ele mesmo, não só em seu interior mas diante dos outros. O horizonte que se abre para ele é indescritível. O mundo mudou radicalmente; agora ele poderá dar orientação à própria vida: não dependerá mais que os outros o conduzam.

O relato do evangelho de hoje é, sobretudo, uma catequese cristológica. Como aparece Jesus nele? Em primeiro lugar, Jesus é Aquele que vê. Na cena do “cego de nascença”, onde os discípulos viam um pecador, Jesus via um ser humano. Seu olhar não se detinha na máscara, mas contemplava um rosto.

O “cego de nascença” encontra em Jesus um olhar encorajador, compreensivo, que acredita nele e lhe inspira confiança; um olhar que não se prende ao passado, mas abre uma nova possibilidade de vida. Um olhar que ativa nele a capacidade de olhar a própria vida de maneira diferente. Por isso, Jesus aparece também como Aquele que faz ver. É o mestre que vai curando a cegueira e trazendo luz, para que a pessoa, descobrindo sua identidade, possa dizer como o cego curado: “sou eu”.

Neste tempo quaresmal, sentimos a urgência de uma conversão do nosso olhar; é preciso purificar o olhar, cristificá-lo. Olhar com os “olhos cristificados”. Não se trata de qualquer olhar. É o olhar limpo, diáfano, gratuito e desinteressado, que destrava e expande a vida do outro numa nova direção. Contemplar o rosto do outro é sentir sua presença, sem pré-conceitos e pré-juízos..., vendo nele o sinal da ternura de Deus. Passar da contemplação à acolhida: este é o movimento da oração dos olhos.

O “olhar contemplativo” está perdendo sua força criativa no contexto atual; marcado pela ansiedade de querer “ver” tudo ao mesmo tempo, o ser humano já não é mais capaz de fazer uma “pausa” para se deixar “ver” pela realidade. Sob o peso do olhar do racionalismo, ele tudo examina, compara, esquadrinha, mede, analisa, separa... mas nunca “exprime”. Daí o olhar reprimido, desviado, insensível, frio, duro, ríspido...

Este é o pecado contra o olhar: olhar supérfluo e imediatista, olhar esquizofrênico e narcisista, olhar morno, sem vibração, sem brilho, sem assombro... Nesse olhar não há lugar para a admiração, nem para a acolhida e a presença do outro. Só existe o olhar que “fixa”, escraviza e aliena.

A arte de viver consiste, fundamentalmente, em chegar a ver tudo com o coração. Só o coração descobre em tudo as pegadas da Presença Última, que olha a partir do rosto de cada pessoa, a partir da beleza de cada criatura. O amor nos abraça em tudo quanto vemos.

Texto bíblico:  Jo 9,1-41

Na oração: Ver mais além, a partir do coração, transcender, despertar nossa visão interna e intuitiva das coisas e das pessoas, tirar as cataratas de nossos olhos e abrir-nos a Deus.

- Abro os olhos para olhar de outra maneira.

- Quê há de fechamento, de intransigência, de superficialidade, de rotina em minha vida, que não quero ver?

- Estou aberto a acolher a Luz da verdade, do amor, da justiça, da gratuidade... venha de onde vier?

- Creio ter a posse da verdade ou me deixo questionar pelos outros?

- Em quê aspectos de minha vida pessoal e relacional preciso abrir-me à luz do Evangelho?

- Sou luz que ajudo os outros a verem?

Pe. Adroaldo Palaoro sj
Fonte: Centro Loyola BH

CONFIRA A REFLEXÃO DE FREI GUSTAVO MEDELLA: 

quinta-feira, 23 de março de 2017

Ordenação Diaconal da Rocinha: preparativos começam com Tríduo


Rocinha (RJ) - A Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, está em festa. O motivo? A preparação para a ordenação diaconal de Frei Alan Victor Maia. E, como é de costume, a ordenação está sendo preparada com um tríduo vocacional, que conta com a presença de mais cinco frades, além dos que moram na própria fraternidade da Rocinha.

Assim, na quarta-feira (22/03), durante o dia, os frades missionários passaram pelas casas das famílias na comunidade Sagrada Família, na Cachopa. Foi uma experiência marcante para todas as pessoas que visitaram as casas e que receberam os missionários. Subindo e descendo pelas vielas, os missionários puderam conhecer melhor a realidade do povo local. A mensagem do Evangelho chegou nos becos e nas casas mais distantes da comunidade.

A alegria expressiva daqueles que receberam os missionários foi um fato evidente da atividade durante o dia. No final da tarde, os missionários foram acolhidos pela comunidade na Capela Sagrada Família, que é o local onde os moradores da região se reúnem para celebrar a sua fé. A oração, dirigida pelos Frades, foi no estilo de círculo bíblico, com leitura do Evangelho e partilha da Palavra de Deus. Além disso, a comunidade pode receber em seu meio a presença do Cristo Eucarístico através de uma adoração ao Santíssimo Sacramento. Por fim, a saudação de Paz e Bem, envolvida por um clima festivo, encerrou aquela celebração comunitária.

À noite, às 19h30, Frei Diego Melo presidiu a celebração do primeiro dia do tríduo, tendo como concelebrante a Frei Sandro Roberto da Costa, pároco, que acolheu os missionários apresentando-os para a comunidade, que os recebeu com uma calorosa salva de palmas.

Após a homilia, Frei Alan fez a sua profissão de fé diante do povo reunido. Como o Evangelho do dia convidava para uma busca autêntica da vivência de fé, todos os participantes da celebração receberam uma nobre missão. Assim, cada um recebeu uma fitinha onde estava escrita uma das 14 obras de Misericórdia, cujo objetivo era fazê-los recordar da importância de a fé se expressar também através de atos.

Encerrando a celebração, Frei Sandro reiterou os convites para os demais dias do tríduo, bem como pediu as orações de todos pela pronta recuperação da saúde de Frei Márcio Araújo Terra, membro desta fraternidade e que se encontra hospitalizado após ter sofrido um acidente doméstico.

Que o bom Deus possa continuar abençoando a Frei Alan que está se preparando para a sua ordenação diaconal, bem como por Frei Márcio e todos os demais frades enfermos da Província.

Frei Gabriel Dellandrea 

Acompanhe a entrevista